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Reduzir velocidade na Segunda Circular? Só com obras, diz presidente da Prevenção Rodoviária

Reduzir velocidade na Segunda Circular? Só com obras, diz presidente da Prevenção Rodoviária

Diana Tinoco Rita Pereira Carvalho 02/04/2019 13:53

A ideia não é nova e já esteve em cima da mesa em 2015. José Miguel Trigoso diz ser necessário perceber que não basta reduzir a velocidade, são precisas obras e “reduzir o número de faixas”.

Reduzir a velocidade na Segunda Circular não chega, é preciso perceber o que se quer daquele eixo. Em reação à notícia de que a autarquia pondera fixar a velocidade máxima nos 60km/h, José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, explica ao i, que isso não é possível sem obras e uma redefinição daquela via: “Só é possível através de obras na infraestrutura, tornando aquela via mais uma rua”.

Os problemas estão à vista de todos, mas esta solução parece não ser consensual. Quem vive em Lisboa assiste todos os dias ao mesmo cenário: trânsito intenso na Segunda Circular. Para chegar ao trabalho a horas é preciso fazer contas que nunca podem excluir o fator trânsito - que se intensifica com o cada vez maior número de acidentes. 

O limite de velocidade na Segunda Circular é de 80 quilómetros por hora e nos últimos dias ficou a saber-se que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a ponderar reduzir para 60 km/h. A hipótese foi avançada por Miguel Gaspar, vereador da Mobilidade da capital, em entrevista à Lusa, mas a ideia não é nova. Em 2015, o município discutiu um projeto ambicioso para reduzir a velocidade na Segunda Circular - um investimento de dez milhões de euros e obras que durariam dez meses. Há quatro anos, Fernando Medina, presidente da CML, já queria alterar a situação, revelando que a estrada precisava um “intervenção profunda”. As obras não avançaram e, em 2019, o assunto volta a ser discutido. 

Reduzir o trânsito e diminuir o número de acidentes desta estrada têm sido apontados como o objetivo desta alteração. 

No entanto, ao i, José Miguel Trigoso diz ter muitas dúvidas sobre a eficácia da redução da velocidade máxima se nada mais for feito. Até, porque “com aquela largura de faixas e profundidade, só se consegue que as pessoas, efetivamente, circulem a 50, se houver um controlo apertadíssimo cheio de radares”, diz, lembrando: “Com aquelas características físicas, não se consegue que, com trânsito fluido normal, se circule à velocidade de 50 km/h. Não vale a pena pensar nisso, porque não é possível”. 

Se a proposta para reduzir a velocidade em todo o troço for para a frente, a solução, diz, está na elaboração de obras de modo a reduzir o número de faixas - existem atualmente três faixas em cada sentido ao longo dos 10,1 quilómetros que compõem a Segunda Circular. Além disso, seria também necessário reduzir o número de vias de aceleração e desaceleração, caso contrário “transmite-se uma ideia e uma sensação subjetiva de segurança”. 

A Segunda Circular liga o IC 19 - onde a velocidade máxima permitida é de 100 km/h - à A1 - com máximo de 120 quilómetros por hora. Passar de um troço com características de autoestrada para uma zona onde o limite é 50 km/h exige um “efeito de portão muito significativo, com obras”, pelo que “não basta chegar e pôr um sinal de 50 km/h, a não ser que encham a estrada de radares e, mesmo assim, não é fácil”. 

Reduzir velocidade traduz-se em menos trânsito? Nas palavras do responsável pela pasta da Mobilidade na Câmara de Lisboa diminuir a velocidade é sinónimo de diminuição do trânsito. “Não só é mais seguro, como a Segunda Circular a 60 km/hora consegue fazer escoar mais carros do que a 80 km/hora […] e perde-se menos tempo nas horas de ponta”, disse Miguel Gaspar na mesma entrevista.  

Ora, o trânsito resulta da procura pela Segunda Circular e, diz José Miguel Trigoso, “isso não tem nada a ver com a velocidade praticada lá”. “Com a redução da velocidade espera-se reduzir o trânsito? Só se se pretende que as pessoas tenham medo de andar ali e então atiram-nas para outras vias paralelas, onde vão andar mais depressa”, explica. E acrescenta ainda o especialista que esta opção só transfere o risco para zonas com menos capacidade de suportar velocidades maiores.

Quanto aos acidentes, naturalmente que a redução da velocidade se traduz em menos acidentes, mas então regressa a questão inicial: para isso, afirma, são necessárias obras na insfraestrutura. 

Opção: várias velocidades A primeira hipótese apontada por Miguel Gaspar passa por diminuir a velocidade entre o nó da Buraca e o Fonte Nova e, a partir desta zona, passa a velocidade para os habituais 80 quilómetros por hora. Para José Miguel Trigoso, a questão da diminuição da velocidade depende apenas do objetivo da Câmara Municipal de Lisboa. 

No Eixo Norte-Sul, por exemplo, existem várias velocidades máximas permitidas. No entanto, nenhuma é de 50 km/h. Para a Segunda Circular, o especialista considera mais viável uma variação da velocidade consoante as horas do dia, “através de sinalizações em pórticos em que, sem trânsito se permita a velocidade de oitenta e, consoante o aumento da intensidade do trânsito, se vá reduzindo a velocidade para evitar as colisões pela retaguarda”. 

“Se me perguntar se à meia noite é muito arriscado circular a 80, não é, e pôr uma pessoa a circular a 50 durante aqueles não sei quantos quilómetros sem trânsito nenhum, parece-me uma tortura que não tem justificação”, explica o presidente da Segurança Rodoviária Portuguesa. Defende, por isso, que fazer uma gestão da velocidade de acordo com o volume de trânsito parece ser a hipótese mais viável. No entanto, reitera, se a opção for “manter uma velocidade fixa permanente, então tem de se fazer obras”. 

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