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Brunei. Elton John e George Clooney apelam a boicote

Brunei. Elton John e George Clooney apelam a boicote

Dreamstime Ricardo Cabral Fernandes 01/04/2019 22:53

O cantor britânico e o ator norte-americano insurgiram-se contra a “discriminação anti-gay e intolerância que estão a ter lugar na nação do Brunei” com a introdução da pena de morte.

A partir desta quarta-feira, o reino do Brunei, no Sudeste asiático, vai passar a punir o adultério e a homossexualidade com a pena de morte, e as vozes contra a aplicação rígida da xaria, a lei islâmica, não tardaram a surgir. O cantor britânico Elton John juntou-se ao apelo do ator norte-americano George Clooney para que se boicotem os hotéis do sultão do Brunei, Hassanal Bolkiah. “Elogio o meu amigo George Clooney por tomar uma posição contra a discriminação anti-gay e a intolerância que estão a ter lugar na nação do Brunei – país onde os homossexuais são perseguidos ou pior – ao boicotar os hotéis do sultão”, escreveu o cantor britânico de 72 anos no Twitter. “Devemos enviar uma mensagem, como possamos, de que esse tratamento é inaceitável”, concluiu.

O sultão é proprietário de nove hotéis em vários países, dos quais Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália.

A estratégia do boicote tem sido cada vez mais usada por ativistas e figuras públicas para pressionar Estados e outras entidades a respeitarem os direitos humanos. Outro movimento que tem vindo a multiplicar as suas ações é o BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções contra as políticas de ocupação e expulsão de palestinianos na Cisjordânia e Faixa de Gaza por parte de Israel.

“De cada vez que dormimos, fazemos reuniões ou jantamos em qualquer um desses nove hotéis estamos a deixar diretamente dinheiro nos bolsos de homens que escolhem apedrejar e chicotear até à morte os seus próprios cidadãos por serem homossexuais ou acusados de adultério”, escreveu Clooney numa coluna de opinião no site Deadline. “Ao lidar com regimes criminosos ao longo dos anos, percebi que não podemos humilhá-los. Mas podemos humilhar os bancos, os financiadores e as instituições que negoceiam com eles e que optam por olhar para o lado”, explicou.

O sultão Hassanal Bolkiah, também com 72 anos, é o segundo monarca há mais tempo no poder no mundo – é ultrapassado apenas pela Rainha Isabel ii do Reino Unido – e defende uma visão ultraconservadora da lei islâmica, que prevê castigos corporais para crimes. Em 2014, o sultão avançou com um novo código penal que pune a homossexualidade, o adultério e violações com a pena de morte por lapidação e flagelação. Já o roubo, por exemplo, é punido com a amputação de membros.

O novo código penal tem sido aplicado por fases no país e esta quarta-feira, 3 de abril, entrará em vigor na sua plenitude. Alguns aspetos da lei, diz a Reuters, aplicam-se apenas aos cerca de 400 mil muçulmanos que vivem no país, deixando de parte os cidadãos de outras crenças. “A lei, além de criminalizar e dissuadir atos que vão contra os ensinamentos do islão, também procura educar, respeitar e proteger os direitos legítimos de todos os indivíduos”, pode ler-se no comunicado do sultão.

“Legalizar sentenças tão cruéis e desu-manas é escandaloso por si só”, reagiu Rachel Chhoa-Howard, analista de política do Brunei da Amnistia Internacional, referindo que o pequeno reino deve de imediato travar este código penal e “respeitar as suas obrigações para com os direitos humanos”.

 

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