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Inovação. 29 startups provam o que valem a nove empresas

Inovação. 29 startups provam o que valem a nove empresas

DR Tatiana Costa 27/03/2019 19:44

A sede da EDP, em Lisboa, acolheu ontem 29 startups ligadas à energia e tecnologia. Estas empresas tiveram a oportunidade, em pouco mais de um minuto, de participarem numa espécie de Shark Tank onde apresentaram a ideia da sua empresa a multinacionais - como a Siemens, EDP e a Microsoft -, à procura de financiamento. Entre as 29 startups, duas tinham carimbo português.

E se o seu carro conseguisse avaliar os seus comportamentos quando está sentado ao volante? Ou se conseguisse receber alertas sobre avarias que ocorressem em máquinas elétricas ou transformadores de infraestruturas industriais? Acha impossível? Aí é que se engana, porque não só estas duas ideias são passíveis de ser executadas como já passaram do papel para a ação. E o melhor é que estas duas tecnologias têm carimbo português. 

As duas startups portuguesas - a Livedrive e a Enging - marcaram ontem presença no evento Energy Startups Matchmaking Day, que decorreu na sede da EDP, em Lisboa, onde tiveram pouco mais de um minuto para apresentar a sua tecnologia à EDP e a mais oito multinacionais - Siemens, Eneco, CEZ, Innogy, ESB, Microsoft, CISCO e Encevo - parceiras da empresa de energia portuguesa.

Miguel Aires, CEO da Livedrive, explicou que, nos últimos seis anos, a startup tem apostado na área automóvel. “Desen-volvemos tecnologia para ligar os carros, sobretudo os condutores, à internet”, começou por dizer. “Recolhemos dados online dos carros e trabalhamos essas informações para chegar à área comportamental da condução e à forma como cada um de nós conduz, mas de maneira quantificável”, porque dizer que se é bom condutor não chega. É preciso dizer-se que se é bom condutor porque há uma certa percentagem de segurança ou de ecocondução, acrescentou. E dá o exemplo: “Atualmente, a carta é por pontos”, diz, acrescentando que basta uma pequena distração para se perderem pontos ou até ficar--se proibido de conduzir durante um certo período de tempo. “Propomos que, em vez de se estar esse tempo com a carta cassada, se instale um sistema de monitorização no carro. Este passa a estar ligado à internet e, durante um período de tempo, a pessoa é monitorizada e recebe training online”, esclarece. No final desse tempo de training, se “correr tudo bem”, a pessoa recupera a sua carta e volta a poder conduzir normalmente. Outro cenário pintado por Miguel Aires é o facto de esta tecnologia poder ajudar a distinguir os condutores exemplares. “Se existir um sistema destes creditado e legal (...) e se estiver um ano a conduzir exemplarmente, porque não haverá o Governo de dar três pontos adicionais à minha carta?”, questionou. 

O CEO considerou ainda que, quando a tecnologia começou a dar os primeiros passos, em 2013, “ninguém percebia o porquê da avaliação comportamental da condução, ninguém percebia o impacto”. Contudo, isso não impediu a empresa de avançar com o projeto. Há cerca de cinco anos, o Fundo de Apoio à Inovação (FAI) financiou o projeto em 1 milhão e 300 mil euros para desenvolverem e testarem o produto. “Pusemos a tecnologia em 400 viaturas de 15 empresas e fomos dando feedback de como cada pessoa conduzia”, afirmou, acrescentando que quem participou naquele teste ficou espantado com a tecnologia. No entanto, o projeto ficou “a marinar” porque o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) era muito rígido na altura. “O ano passado surgiu o novo RGPD e arranjámos uma solução respeitando-o”, conseguindo assim levar a tecnologia para o mercado, adiantou Miguel Aires.

Em 2018, a Livedrive ganhou um selo de excelência do Horizonte 2020 - que lhes atribuiu 40% de financiamento, ou seja, cerca de 1,7 milhões de euros. O objetivo de estarem presentes no evento de ontem era encontrar “parceiros e financiadores para os restantes 60%” que, segundo o CEO da Livedrive, é cerca de um milhão, para poderem avançar para o mercado. 

Já o objetivo de Marco Ferreira, CEO da Enging, é procurar clientes finais. “Estamos numa fase de aceleração de negócio”, afirmou o responsável, acrescentando que toda a tecnologia está “completamente provada” e que, antes de irem para o mercado, testaram o sistema. “Em 2015 viemos para o mercado com a nossa tecnologia e neste momento estamos a trabalhar, por exemplo, em centrais nucleares”, completou.

A Enging já tem a EDP como investidora. Ao i, Marco Ferreira disse que no mês passado fecharam dois investimentos - um com a EDP, no valor de um milhão de euros, e outros com a Busy Angels, no valor de 111 mil euros. A ideia com a participação neste evento é “alargar o espetro comercial da empresa e, com isso, escalar o negócio”, adiantou.

Neste momento, a Enging já está a trabalhar em países como a Espanha, Brasil, Itália e Reino Unido. O próximo passo é avançar para os mercados alemão, suíço, austríaco e indiano. “O nosso objetivo é atacar estes mercados e alargar o espetro que já temos nos restantes”, completou.

Marco Ferreira explicou ainda que a startup é uma empresa de software que faz uma “manutenção preditiva em máquinas elétricas”. “O nosso objetivo é dar informação aos clientes sobre a condição de funcionamento destes ativos”, afirmou. “É como nós termos um dispositivo no nosso coração que, quando há uma malformação, dispara um alarme para o médico, e este dá-nos o tratamento. Fazemos isso do lado das máquinas”, comparou.

Oito horas para atrair multinacionais Uma manhã de pitchs e uma tarde de reuniões: assim se resumiram as oito horas de encontros entre as várias multinacionais e as 29 startups ligadas à área da energia e da tecnologia - vindas de 14 países diferentes.

Este evento “foi uma oportunidade que tivemos, em colaboração com a Comissão Europeia, de conectarmos, não só a EDP, mas também um conjunto de outros partners” com as 29 startups, que têm “ideias inovadoras”, explicou Luís Manuel, administrador da EDP Inovação.

O responsável disse ainda que o dia de ontem constituiu uma oportunidade para se encontrarem com as startups e falarem “cara a cara” para dissipar “dúvidas de uma forma rápida e eficiente”. “Isto é apenas o começo e, portanto, o que nós esperamos é que destas empresas saiam projetos pilotos interessantes, investimentos interessantes”, acrescentou.

 A EDP tem investido, por ano, cerca de 70 milhões de euros em inovação e em empresas. O ano passado foram gerados 6 milhões de euros, mas a fasquia estimada para este ano subiu: “Este ano estimamos fazer 10 milhões de euros”, adiantou Luís Manuel.

António Mexia, CEO da EDP, que esteve presente durante um breve momento no evento, em declarações aos jornalistas revelou que, neste momento, a EDP está “a gerir mais de 70 milhões de euros em três fundos de investimento para estas startups”.

“Estamos a construir futuro. É muito importante percebermos que só apoiando estas iniciativas e estas empresas conseguimos que o país seja mais competitivo”, completou o CEO da empresa de energia portuguesa.

Contudo, António Mexia adiantou que o montante investido pela EDP iria depender “da capacidade de estas empresas nos entusiasmarem a nós e a todos os outros parceiros que temos à volta da mesa”.

Além de as duas empresas portuguesas ainda terem de participar numa espécie de Shark Tank para levarem as multinacionais a apostar nelas, tanto a Livedrive como a Enging já saíram vitoriosas, uma vez que as 29 empresas que estiveram ontem na sede da EDP foram escolhidas de uma lista que contava com mais de mil startups.

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