20/9/19
 
 
Carlos Zorrinho 27/03/2019
Carlos Zorrinho
opiniao

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O terror e as eleições europeias

A resposta aos ataques terroristas, organizados ou espontâneos, não é nem pode ser menos Europa, mas sim melhor Europa.

Nunca tive nem tenho uma perspetiva conspirativa da vida, mas sei que há “coincidências “que não podemos ignorar. Durante o último ano fomos tendo notícia de movimentos e iniciativas diversas cujo objetivo confesso é criar um contexto favorável à subida da representação eleitoral dos populistas, dos nacionalistas e dos antieuropeus em geral nas eleições para o Parlamento Europeu agendadas para maio deste ano (26 de maio em Portugal). Esse conglomerado de conquista do poder mobilizou para a sua estratégia um cocktail explosivo que engloba a consultoria especializada de forças externas à União, as centrais de manipulação de dados e notícias, a demonização dos migrantes e a disseminação dum sentimento generalizado de insegurança e de medo.

Não obstante o extraordinário trabalho coordenado que é feito quotidianamente pelas polícias e pelos serviços de segurança europeus, que fazem abortar múltiplas ações de elevado risco potencial, eventos como o de Estrasburgo ou de Utreque, para recordar apenas alguns dos mais recentes, aparentemente inspirados de forma direta ou inversa pelos acontecimentos nos USA, no Brasil ou na Nova Zelândia, dão um contributo fortíssimo para criar um sentimento favorável aos radicais populistas nas próximas eleições europeias.

A resposta aos ataques terroristas, organizados ou espontâneos, não é nem pode ser menos Europa, mas sim melhor Europa. No primeiro programa do próximo quadro plurianual de financiamento 2021-2027 a conseguir um acordo Parlamento-Conselho (sem mandato financeiro) e em que fui responsável no Parlamento em representação do grupo dos Socialistas e Democratas, ficou indicativamente previsto um investimento de 2 mil milhões de euros para melhorar as respostas no plano da cibersegurança, num esforço que decorrerá em hubs de investigação, conhecimento e desenvolvimento em rede, disseminados por todos os países da União.

A cibersegurança não se aplica apenas ao terrorismo. As instituições europeias decidiram também recentemente reforçar as suas capacidades de certificação de sistemas e redes para melhorar a proteção comercial, a proteção individual e a segurança, procurando em simultâneo tornar mais robusta a matriz democrática que enforma a parceria. Múltiplas medidas estão também a ser aplicadas para mitigar o efeito das notícias falsas e das campanhas de manipulação.

O efeito de todo este esforço notável será tanto maior quanto maior for a confiança dos cidadãos no projeto europeu e a sua resiliência ao medo. Os episódios terroristas, de várias proveniências e motivações, visam, consciente ou inconscientemente, minar os alicerces de qualquer resposta. Com um cenário de terror ampliado, a razão perderá a batalha para o terreno emocional em que os antieuropeus contam levar vantagem. O combate a este movimento tem de ser dado por cada um de nós. Fazer vingar a esperança sobre o medo e o futuro sobre o retrocesso aos tempos da conflitualidade mesquinha que afundou a Europa na primeira metade do séc. xx é uma missão coletiva que só pode ser vencida se cada um fizer a sua parte. Não nos deixemos tolher.

 

Eurodeputado

 

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