16/9/19
 
 
Marta F. Reis 26/03/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Começou a época de incêndios?

Ainda estamos longe da época crítica, mas a subida das temperaturas e os alertas da Proteção Civil são para levar a sério e vêm mostrar mais uma vez que o risco não segue calendário. 

Tudo indica que vamos ter uma primavera e um verão particularmente secos, com todos os riscos que o cenário acarreta para a propagação de incêndios e dificuldades de abastecimento de água. As imagens do combate ao fogo deste fim de semana em Proença a Nova, com mais de duas centenas de bombeiros e cinco meios aéreos, mostram uma resposta pronta, mas que dificilmente se pode multiplicar se existirem muitos fogos em simultâneo. Ainda estamos longe da época crítica, mas a subida das temperaturas e os alertas da Proteção Civil são para levar a sério e vêm mostrar mais uma vez que o risco não segue calendário. A área ardida diminuiu no ano passado, mas muitos especialistas têm alertado que as condições atmosféricas são determinantes assim como os comportamentos da sociedade - e esses não é certo até que ponto estarão diferentes, já que se continuam a ver incêndios com origem em queimadas descontroladas. A administração pública tem de dar o exemplo. Terminou o prazo de limpeza dos terrenos e veem-se ainda bermas de estrada por limpar. Continua a haver municípios que não têm os seus planos de defesa contra incêndios aprovados - até podem ter ações em curso, como apontou uma recente auditoria do Tribunal de Contas ao caso do município de Pombal, mas torna-se difícil perceber em que se sustentam, quais os objetivos e quais os resultados. Depois da tragédia humana de 2017, é impensável que, sendo este instrumento obrigatório como parte de uma estratégia nacional de prevenção de incêndios, se chegue a 2019 sem a lei estar devidamente a ser cumprida. Por outro lado, alguns peritos têm alertado que as atuais regras que ditam a separação entre copas pode ser contraproducente, se contribuir para reduzir sombra e secar vegetação. Tudo isto deve merecer reflexão. É preciso trabalho de proximidade, envolver as comunidades e ouvir os argumentos de quem defende que Portugal poderia ter uma floresta mais resiliente se protegesse mais as espécies nativas do que tem feito até aqui. Não há receitas rápidas e, ao contrário do que acontecia no passado, o tema da prevenção e combate aos incêndios não saiu da ordem do dia, mas a sensibilização de todos e a capacidade de resposta começa mais um ano a ser posta à prova.

 

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