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Braga. Simulacro de atentado à bomba num jogo de futebol testa capacidades

Braga. Simulacro de atentado à bomba num jogo de futebol testa capacidades

Joaquim Gomes 25/03/2019 17:54

Ação decorreu numa das corporações de bombeiros mais bem apetrechadas do país, a dois meses da realização da fase final da Liga das Nações no Estádio D. Afonso Henriques e no Estádio do Dragão

O simulacro de um atentado à bomba num jogo entre o Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga foi o ponto alto do 18.º Medical Response to Major Incidents (MRMI), que teve lugar em plena vila de Caldas das Taipas, do concelho de Guimarães, distrito de Braga.

A iniciativa surgiu a dois meses e meio da realização, em Guimarães e no Porto, da fase final da Liga das Nações, que vai colocar frente a frente quatro seleções nacionais. Portugal e Suíça vão defrontar-se no Estádio do Dragão (Porto), enquanto a Holanda e a Inglaterra medem forças no Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães). Ojogo decisivo da competição está agendado para a Invicta.

Manuel Filipe Serralva, médico com especialidade de medicina de emergência e diretor do curso, explica que o simulacro recriou as condições de um jogo para a Liga Nos, entre o Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga, no Estádio D. Afonso Henriques, “com uma assistência prevista de 20 mil espetadores”, “para se discutir o terceiro lugar”, razão pela qual “estava a gerar muito interesse”, durante os dias imediatamente anteriores ao evento.

O suposto atentado à bomba ocorreria no final do jogo, a uma terça-feira, em que se registava uma ligeira depressão e algumas nuvens, fazendo a essa hora, cerca das 23h15, 12oC. O exercício, que teve a duração de três horas e 15 minutos, realizou-se nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas, uma das corporações mais bem apetrechadas do país, em termos humanos e materiais.

Melhorar a comunicação Manuel Filipe Serralva destaca ao i que “o importante é falarmos a mesma linguagem e cooperarmos, as instituições não podem estar de costas voltadas, pois todos somos proteção civil”. Deste simulacro resultou a conclusão de que o grande desafio é mesmo melhorar a comunicação entre todos aqueles que interagem no sistema de proteção civil. “Tem de haver mais reuniões, até periódicas, tal como já sucede em várias zonas do país, mas também treinarmos mais para fazer melhor”, reconhece o diretor do curso. “Nós temos um sistema que é muito bom, mas temos de aprender a trabalhar em equipa, fazendo-o mais frequentemente. Muitas vezes o que falha em situações de catástrofe é a comunicação, não só a comunicação física, como a dificuldade em aceitarmos as ideias e os métodos diferentes de outras instituições e de pessoas”.

Pedro Ramos, secretário regional da Saúde da Região Autónoma da Madeira – também médico de profissão, e pioneiro neste modelo de formação avançada que colheu na Suécia –, afirma: “Tivemos a felicidade de adotar o modelo sueco em 2010, que permite responder melhor aos nossos acidentes e aos ataques sofridos pela natureza”.

“Nestes últimos anos foi assim mais adequado o nosso plano de emergência, em termos de proteção civil, quer nos incêndios quer na queda da árvore, só para falar das principais ocorrências na Madeira nestes últimos dois anos”, explica Pedro Ramos. No entender do responsável, “terá que existir planificação, organização, formação e diferenciação” para que a resposta a este tipo de desastres seja satisfatória.

Para o médico Luís Vale, coordenador do Madeira Internacional Disaster Training Center (MIDTC), “estas ações conferem doutrina e treino a todos os profissionais para que enquanto agentes de proteção civil tenham a mesma linguagem e melhor capacidade de resposta”.

“Em quase dez anos de formação, se no início tínhamos uma maior afluência por parte de médicos e enfermeiros, o curso foi-se diversificando, com profissionais oriundos de todos os setores ligados ao socorro e à segurança que interagem no sistema de proteção civil”, acrescenta Luís Vale. E esclarece um equívoco: “À partida muitas pessoas pensavam que este curso era só para médicos e enfermeiros, devido a um ligeiro erro de interpretação do termo anglo-saxónico – medical – que na realidade traduz ação médico sanitária”.

“Nunca se sabe quando e onde vai ser” Segundo a organização do 18.º Medical Response to Major Incidents (MRMI), a cargo do Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira, “a resposta alcançada pelos formandos está dentro do que é expectável, tendo sido identificados alguns aspetos a melhorar, o que sucedeu no segundo exercício, destacando-se a interação, a assertividade e a comunicação estabelecida entre os diversos envolvidos”, oriundos de forças de socorro e de segurança.

A formação baseou-se num modelo de simulação avançada, treinando toda a cadeia de comando no cenário dos acidentes, transportes, pré-hospitalar, gestão de hospitais face a cenários de multivítimas, triagem, corredores de evacuação e estrutura da comunidade que possa utilizar na resposta a um incidente multivítimas, para as situações de catástrofe. “Estamos a preparar uma resposta integrada para uma situação de exceção, a chamada catástrofe, nunca se sabe quando e onde vai ser, nem qual a sua dimensão, por isso temos de estar preparadas para tudo”, nota Manuel Filipe Serralva, o médico português com mais horas de emergência.

Os principais responsáveis pelo simulacro foram a italiana Cláudia Ruffini e o croata Josip Samardzic, Pedro Ramos e Luís Vale, a par do diretor do curso.

Esta ação, que é certificada por entidades internacionais como ESTES (European Society for Trauma and Emergency Sugery) e Board Europeu do MRMI decorreu com o apoio e a colaboração da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), em Caldas das Taipas.

A iniciativa é ministrada em Portugal pela equipa de formadores do Madeira Internacional Disaster Training Center (MIDTC), considerada uma das melhores formações para resposta à emergência em situações de catástrofe a nível internacional, destinada a todos os agentes de Proteção Civil, bomeiros, Polícia, GNR, Exército, Marinha, Força Aérea, enfermeiros, médicos, psicólogos e todos quanto desempenham as funções de proteção e de socorro às populações.

Em Portugal, o grupo de instrutores MRMI foi já responsável pela formação de cerca de 1.400 profissionais de várias áreas em vários concelhos do país, como Funchal, Angra do Heroísmo, Cascais, Lisboa, Coimbra, Oliveira de Azeméis e Aveiro, prevendo-se já novas ações em Cascais e Lisboa, Algarve, Leixões (Matosinhos) e Penela, dado o interesse que este tipo de formação está a suscitar em todo o país.

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