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Euro. Manuel Monteiro acusa António Costa de querer apagar a História

Euro. Manuel Monteiro acusa António Costa de querer apagar a História

João Biscaia Cristina Rita 25/03/2019 15:56

Antigo militante e líder do CDS lembra que o primeiro-ministro participou no governo do PS que teve responsabilidades na adesão à moeda única

O antigo presidente do CDS Manuel Monteiro ficou indignado com a entrevista ao Público do primeiro-ministro, António Costa, sobre a ideia de que o euro foi “o maior bónus que a Europa ofereceu à Alemanha”. Para o antigo dirigente centrista, “esta declaração do primeiro-ministro é um branqueamento daquilo que efetivamente sucedeu” há 20 anos.

Em declarações ao i, Manuel Monteiro acrescenta mesmo que a frase do primeiro-ministro “é uma espécie de apagão de memória, que provavelmente já está muito esquecida, por parte de muitos dos intervenientes no processo”. E responsabiliza o então governo socialista de António Guterres, do qual António Costa fazia parte, de ter pactuado com o erro de que agora o primeiro-ministro fala na referida entrevista. A culpa não é só dos alemães.

O antigo líder do CDS, que chegou a propor um referendo à adesão ao euro - a moeda única europeia -, recorda que a Alemanha não acreditava que Portugal (e também a Grécia) cumprisse os requisitos de convergência real para entrar na moeda única. Propôs, então, uma taxa de câmbio em que um euro correspondia a 200 escudos.

“Mas França queria que Portugal entrasse, por uma questão de equilíbrio de forças, porque Portugal seria um aliado, se necessário, contra a Alemanha. E impôs a entrada de Portugal, com a conivência e o desejo do governo socialista onde estava António Costa”, recorda ao i Manuel Monteiro.

Para o antigo dirigente centrista, “o que é espantoso, passados estes anos, é que alguém que teve responsabilidades nesta matéria procure apagar a história, rescrever a História, passando a bola só para o lado alemão”. Tudo em nome, diz, de ficar no pelotão da frente da Europa e na “fotografia”.

Na entrevista, António Costa recorda que “houve um excesso de voluntarismo político no momento da criação do euro e uma ilusão de François Mitterrand [então Presidente francês] no sentido de que a criação do euro era a contrapartida da Alemanha para a sua unificação, não percebendo que o euro foi o maior bónus à competitividade da economia alemã que a Europa lhe poderia ter oferecido”.

Ora, Manuel Monteiro acrescenta que se houve “ilusão, o Partido Socialista pactuou com a ilusão”, dos franceses.

Atualmente a questão do referendo já não se coloca para Manuel Monteiro, mas o antigo militante centrista lembra que a Europa vive momentos de incerteza. Para já, está disposto a contribuir para a campanha das europeias do cabeça de lista do CDS, Nuno Melo, em quem se revê, e não faz depender a sua participação de uma refiliação no CDS.

A entrevista de Costa ao Público, que pode servir de guião sobre o discurso europeu do PS nas eleições, já mereceu, pelo menos o comentário de um deputado socialista no twitter: “Pois foi. E um fardo para a competitividade dos países do Sul que até hoje nunca foi compensado nos mecanismos de coesão”, escreveu Tiago Barbosa Ribeiro a propósito da mesma frase que indignou Manuel Monteiro.

Ontem, em Leiria, o primeiro-ministro defendeu que “há quem sonhe com uma má votação do PS nestas eleições europeias para enfraquecer o governo do PS e enfraquecer as políticas” que tem desenvolvido, como a do passe único. Costa acabou por admitir uma leitura nacional dos resultados das europeias para as legislativas, deixando para o cabeça de lista do PS, Pedro Marques, o apelo ao voto dos jovens que, pela primeira vez, irão usar o seu direito. “Não votar pode fazer a diferença para pior, como aconteceu aos jovens britânicos”, afirmou Pedro Marques, citado pela RTP.

Por sua vez, o eurodeputado e cabeça de lista às europeias da CDU, João Ferreira, lembrou a Costa que é bom ter descoberto que o euro foi um “bónus” para a Alemanha, mas é preciso dizer também que custou salários e investimento em Portugal. O PCP, recorde-se, sempre foi contra a entrada de Portugal na moeda única.

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