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Portugal-Sérvia. Um murro na entrada em falso com adversário de boas memórias

Portugal-Sérvia. Um murro na entrada em falso com adversário de boas memórias

AFP Laura Ramires 25/03/2019 15:53

Portugal nunca perdeu com a Sérvia, que vai defrontar esta noite pela quinta vez na história. Uma história marcada, de resto, pelo murro de Scolari ao defesa Dragutinovic. Já lá vão mais de dez anos... 

Portugal quer esquecer rapidamente o nulo verificado no Estádio da Luz, no jogo com a Ucrânia, na primeira jornada do grupo B da fase de apuramento para o Campeonato da Europa 2020. E para curar a falsa partida não há melhor remédio que arrancar uma vitória no encontro de hoje com a Sérvia. 

Sérvia essa que tem sido, aliás, um adversário de memórias felizes para o conjunto português, que nunca saiu derrotado nos duelos entre as duas seleções.

Na noite desta segunda-feira será a quinta vez que as duas equipas se defrontam, numa história que já conta com mais de uma década, mas nem sempre com finais felizes, pelo menos fora de campo. 

Antes da partida referente à segunda jornada deste agrupamento, os portugueses e os sérvios tinham-se encontrado pela última vez no ano de 2015, numa dupla jornada com o mesmo propósito, mas à data rumo ao Euro 2016, em que Portugal se sagraria campeão europeu pela primeira vez na história.

 Em março daquele ano, a equipa das quinas bateu os sérvios por 2-1, no mesmo palco em que, esta segunda-feira, as duas seleções voltam a encontrar-se. Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão foram os autores dos golos da seleção nacional, com o ex-Benfica Matic a fazer o único golo das águias brancas.

Meses depois, em outubro de 2015, e já com Portugal apurado para a fase final da prova que se disputou em França, os comandados de Fernando Santos voltaram a bater os sérvios, pelo mesmo resultado (2-1), mas em Belgrado.

À data, Nani e João Moutinho marcaram para Portugal, enquanto Tosic apontou o golo solitário do conjunto da casa.

Murro de Scolari para a história Foi, porém, cerca de oito anos antes que se protagonizou o primeiro embate entre as duas seleções, que procuravam, tal como agora, a qualificação para a fase final de um Europeu. Em plena campanha para o campeonato de 2008, um murro do então selecionador, Luiz Felipe Scolari, no defesa sérvio Ivica Dragutinovic ficou para a história.

Corria o mês de setembro de 2007 quando aconteceu o momento insólito, após o empate a uma bola verificado no Estádio José Alvalade. Na altura, Simão Sabrosa tinha colocado desde cedo a equipa das quinas em vantagem, mas um golo de Ivanovic ao cair do pano empatou a partida.

Já depois do apito final, o técnico brasileiro agrediu o defesa sérvio, que tinha ido pedir satisfações a Ricardo Quaresma por não ter tido o fair play de devolver uma bola.

A atitude, recorde-se, valeu a Scolari uma suspensão de dois jogos, e, anos mais tarde, Dragutinovic reconheceu que o episódio foi rapidamente ultrapassado depois de uma chamada telefónica entre os dois protagonistas.

O defesa sérvio, que marcou presença nas bancadas da Luz em 2015 para assistir ao encontro entre as duas seleções, chegou mesmo a afirmar que a pressão em que Portugal se encontrava para se apurar para a fase final daquele europeu foi o motivo para a atitude de Felipão.

Até porque, cerca de seis meses antes, se tinha verificado o mesmo cenário de empate, mas no estádio do Estrela Vermelha.

Em março daquele ano, Tiago havia colocado Portugal em vantagem nos momentos iniciais da partida, mas os sérvios conseguiram chegar à igualdade, com Jankovic a fixar o resultado final (1-1) ainda na primeira metade do jogo.

De notar que antes destas quatro partidas, Portugal regista outros cinco embates com a Jugoslávia - equipa de quem a Sérvia herdou os resultados desportivos -, frente à qual somou três vitórias e duas derrotas, com dez golos marcados e 12 sofridos.

Entretanto, Fernando Santos deixou claro que o resultado com os ucranianos esteve longe de ser o desejado e lembrou que a Sérvia “está mais fresca”. “O resultado com a Ucrânia não foi o que desejávamos, mas alterações que podem acontecer na equipa titular poderão ser sobretudo devido ao aspeto físico dos jogadores. (...) A Sérvia não jogou há dois dias, como nós. Estará mais fresca. Jogou na quarta-feira num jogo não oficial”, referiu o técnico de 64 anos.

Mais agressividade O selecionador nacional deixou claro, contudo, que quer a equipa portuguesa mais agressiva e continua a afastar os fantasmas relativamente ao facto de Portugal continuar a entrar nas fases de qualificação sem conseguir vencer.

“O jogo com a Sérvia seria sempre importante, independentemente do resultado com a Ucrânia (0-0). Se pegamos tanto no passado, em que não vencemos nas estreias, então vamos por aí e vamos pensar que ganhámos todos os jogos depois disso. Foi isso que aconteceu e é isso que queremos”, sublinhou.

São, aliás, 16 vitórias (18 jogos) em fases de apuramento desde que é selecionador: “Temos confiança sempre. Isso só pode deixar serenidade aos jogadores. Mas cada jogo é um jogo. Temos de ver o que fizemos bem e que podemos melhorar. No jogo com a Ucrânia faltou-nos fazer o golo e tivemos oportunidade para o fazer. Em termos ofensivos, houve momentos em que a equipa circulou bem, mas circulou muito por trás”.

O selecionador campeão europeu disse ainda que a equipa ucraniana e a sérvia apresentam várias semelhanças, mas assegurou que o ataque do adversário desta noite pode criar outros perigos: “São equipas com jogadores que gostam de ter bola, não são equipas do pontapé para a frente. A Sérvia tem jogadores rápidos que saem bem para o ataque. Com espaço, podem ser muito perigosos, por isso temos de tapar os espaços”.

Por enquanto, a grande contrariedade para o selecionador nacional parece ser João Félix, jovem avançado do Benfica que abandonou o relvado da Cidade do Futebol ainda antes de o treino de domingo começar, com queixas num pé.

“O Félix treinou bem ontem e não apresentou nenhum queixa até ao dia de hoje [domingo]. Acho que a bater uma bola sentiu um desconforto no pé. Não se sentia na plenitude. Foi observado pelos médicos, não é nada de preocupante. Vamos esperar com serenidade estas 24 horas. Vamos ver se está apto ou não. Não será mais do que uma inflamação. Será 50-50, neste momento”, revelou.

O grupo B é para já liderado pelo Luxemburgo, com três pontos, após a vitória sobre a Lituânia (2-1), enquanto Portugal e Ucrânia seguem com um, à frente da Sérvia, que ainda não se estreou, e dos lituanos.
 

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