25/6/19
 
 
José António Saraiva 25/03/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Uma apagada e vil tristeza

Sempre que começa um jogo da Seleção nacional tenho a esperança de que, desta vez, é que ela nos brindará com uma exibição convincente, alegre, com espetáculo e golos.

Mas depressa me desiludo: cedo a nossa Seleção começa a apresentar um futebol mastigado, sem chama, sem capacidade para criar oportunidades de golo e ainda menos para os marcar.

Dir-me-ão que somos ‘campeões europeus em título’, como os comentadores gostam de dizer, mas todos sabemos como esse campeonato foi ganho. Julgo que não vencemos nenhum jogo nos 90 minutos. Nunca na história do futebol terá existido um campeão como nós – com tantos empates e tão poucas vitórias.

E contra a França, na final, só Deus sabe como a Providência protegeu a nossa baliza – e indicou a Éderzito o caminho para a baliza contrária. Foi uma vitória linda, mas sem nenhum brilho. Um bambúrrio.

É assim o futebol de Fernando Santos. Trata-se de um treinador competente, sem dúvida, mas a sua conceção do futebol tem pouco a ver com a minha. Valoriza a posse de bola inócua. Não quer um futebol rápido, agressivo, virado para a baliza contrária – quer trocas de bola pachorrentas entre os médios e controlo do jogo. Numa noite em que era muito importante Portugal ganhar, para começar o Europeu com o pé direito, Fernando Santos entrou em campo com três médios de características defensivas: Ruben Neves, William Carvalho e João Moutinho.

Jogadores rápidos que poderiam dar vivacidade ao jogo, como João Félix ou Diogo Jota, ficaram no banco.

Por outro lado, julgo que André Silva não tem categoria para jogar na Seleção. Dyego Sousa é claramente melhor jogador. Mas ao lado de Ronaldo também poderiam ter jogado, com vantagem, os citados Jota ou Félix.

Também é verdade que, quando uma equipa joga mal, nenhum jogador sobressai. As nossas grandes estrelas, Ronaldo e Bernardo Silva, que tanto têm brilhado nas respetivas equipas, quase não se viram no Estádio da Luz. O primeiro ainda fez dois remates perigosos, mas depois mais nada.

Para se perceber a inconsequência da Seleção portuguesa basta dizer que a melhor oportunidade de golo de todo o jogo pertenceu à Ucrânia, a poucos minutos do fim. Ruben Dias salvou o golo in extremis com um soberbo movimento deslizante.

E pronto, assim são os jogos desta era da Seleção nacional. Uma apagada e vil tristeza. Fernando Santos é um treinador que prefere os resultados às exibições, coisa que muitos aplaudem. Eu não: com muitos treinadores assim, o futebol morreria. O que sentiram os que na noite de sexta-feira se deslocaram ao Estádio da Luz e não tiveram direito a ver um golo sequer?

Foi deste modo que o futebol italiano perdeu protagonismo e o seu campeonato está hoje muito atrás dos campeonatos inglês, espanhol e alemão.

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