23/8/19
 
 
Joana Mortágua 21/03/2019
Joana Mortágua
Cronista

opiniao@newsplex.pt

O PSD vai de carrinho

Ao contrário do que Rui Rio afirmou, esta medida não é “avulsa”, enquadra-se  na recuperação de rendimentos que tem vindo a ser feita pela atual maioria parlamentar.

Até parece mentira mas, a partir de 1 de abril, os passes dos transportes públicos nas áreas metropolitanas vão passar a custar no máximo 40€ por utente. O Navegante Metropolitano poderá ser usado nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e o Navegante Municipal custará 30 euros, permitindo a deslocação dentro do concelho de residência. No Porto, o Andante custará 30 euros para as deslocações no interior do concelho ou para três zonas contíguas; pelo passe para todas as zonas da Área Metropolitana do Porto pagar-se-á 40€.

É uma medida que vai mudar a vida de centenas de milhares de pessoas: um passe único a um preço acessível para substituir centenas de títulos combinados com custos exorbitantes. Num país em que, nos últimos anos, a única política de mobilidade passava por preparar empresas de transporte público para a privatização através de desinvestimento e abandono, num país em que uma família chega a gastar 200€ a 300€ por mês em transportes, a redução do preço do passe é, na prática, um aumento salarial. Uma revolução.

Mas é também o início de uma transformação cada vez mais urgente no paradigma da mobilidade e na defesa do ambiente. Segundo dados de 2016 da Agência Europeia de Energia, quase nove em cada dez portugueses (89,3%) usam automóvel próprio. É um modelo insustentável a médio prazo.

Por todas estas e tantas outras, só há boas razões para defender a redução dos passes. Por isso, o Bloco incluiu este tema como uma das prioridades do acordo em Lisboa e bateu-se por ela no Orçamento do Estado para 2019. É por isso que aplaudimos esta proposta – que aplaudiríamos sempre, mesmo que não fosse nossa

É uma medida que marca a legislatura e o início de uma mudança de paradigma. Quem o negar está de má--fé ou não sabe do que fala. Uma das duas está a motivar a direita nas voltas e reviravoltas que tem dado para conseguir atacar a redução do custo dos transportes públicos. Primeiro, com o argumento de que seria o país inteiro a pagar os transportes de Lisboa e Porto. Depois, vieram com a ideia de que a redução dos passes beneficiava os ricos e, já em desespero de causa, com a acusação de eleitoralismo.

A primeira questão ficou respondida com a certeza de que serão 18 das 23 Comunidades Intermunicipais (CIM) a aderir. Os descontos nos passes vai abranger 85% da população já em abril. A segunda é ridícula e dispensa comentário. Já a acusação de eleitoralismo é apenas o refúgio de quem está com medo de ir de carrinho nas próximas eleições. Ao contrário do que Rui Rio afirmou, esta medida não é “avulsa”, enquadra-se na recuperação de rendimentos que tem vindo a ser feita pela atual maioria parlamentar. A não ser que a direita ache que no último ano de mandato só se pode fazer mal às pessoas.

 

Deputada do Bloco de Esquerda

 

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