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Treinadores. Mourinho fora do top-10, Béla Guttmann a fechar o 20

Treinadores. Mourinho fora do top-10, Béla Guttmann a fechar o 20

Dreamstime Bruno Venâncio 20/03/2019 08:06

A lista dos 50 melhores de sempre para a France Football tem apenas um português e algumas surpresas, como Jurgen Klopp à frente de Arsène Wenger

Ponto prévio: nenhum exercício deste tipo poderá alguma vez ser visto como uma verdade absoluta. Haverá sempre quem questione os critérios, sejam eles mais ou menos factuais. Ainda assim, quando o levantamento é feito por uma publicação com o prestígio da France Football, vale sempre a pena uma análise.

Desde logo, a presença portuguesa: José Mourinho é o único luso na lista de 50 melhores treinadores da história do futebol para a revista francesa, ocupando o 13.º lugar, numa análise que teve como critérios o número de troféus ganhos, a influência no jogo e a personalidade, bem como a duração e o impacto da carreira. Curiosamente, o Special One, que conheceu a glória em quatro países diferentes (campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha) e conquistou a Europa duas vezes (Ligas dos Campeões por FC Porto e Inter de Milão, mais uma Liga Europa no Manchester United), surge imediatamente atrás de Giovanni Trapattoni, técnico italiano com passagem curta mas marcante pelo futebol português: em 2004/05 orientou o Benfica e guiou as águias ao seu primeiro título nacional em 11 anos. A carreira da velha raposa, porém, tem um alcance muito mais profundo: 14 troféus na Juventus (entre os quais seis campeonatos, uma Taça dos Campeões Europeus, uma Taça das Taças, duas Taças UEFA e uma Taça Intercontinental), três no Inter de Milão, três no Bayern Munique e ainda um campeonato na Áustria, pelo Salzburgo. 

Na lista, encontram-se mais cinco nomes que orientaram equipas portuguesas - uns mais bem sucedidos; outros, menos. O mais marcante, aquele que é lembrado a cada evocação de finais europeias do Benfica (ganhas e, principalmente, perdidas), é o húngaro Béla Guttmann, o tal da maldição - terá dito, na sequência de uma “nega” da direção encarnada para um aumento salarial após a conquista da segunda Taça dos Campeões Europeus consecutiva, em 1961/62, que “nem em 100 anos” o Benfica voltaria a ganhar uma final europeia. A verdade é que, desde então, os encarnados perderam cinco finais da prova (atual Liga dos Campeões) e ainda duas finais consecutivas da Liga Europa, já no reinado de Jorge Jesus...

Sem maldições Béla Guttmann ocupa precisamente a última posição do top-20, numa carreira recheada de títulos por Benfica e FC Porto (além das conquistas europeias, foi bicampeão nacional nas águias, onde venceu ainda uma Taça de Portugal, já depois de ter sido campeão nos dragões), mas também no clube húngaro Újpest. No 25.º posto surge Jupp Heynckes, uma referência no futebol alemão, com nove troféus no Bayern Munique (incluindo quatro campeonatos e uma Liga dos Campeões), e ainda uma Champions pelo Real Madrid, mas que teve uma passagem para esquecer no Benfica entre 1999 e 2000 - era ele, de resto, o treinador das águias no célebre 7-0 encaixado em Vigo, frente ao Celta, para a Taça UEFA.

Em 39.º aparece Sir Bobby Robson, um dos maiores cavalheiros do futebol mundial, que somou sucessos no Ipswich, PSV Eindhoven, FC Porto e Barcelona. No Sporting, onde se deu a entrada no futebol português, não conquistou nenhum título, mas a decisão de o despedir após uma precoce eliminação europeia em 93/94 irá pesar para sempre na consciência de Sousa Cintra: depois disso assinou pelo FC Porto, substituindo Tomislav Ivic, e começou aí uma caminhada que o levou a conquistar quatro troféus nos dragões, dos quais dois foram campeonatos.

E por falar em Ivic, o croata, também já falecido, ocupa a 42.ª posição nesta contagem. Vencedor de oito campeonatos em cinco países diferentes (Jugoslávia, Holanda, Bélgica, Portugal e França), conquistou também a glória internacional ao vencer a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental pelo FC Porto em 1987. Após esse ano vitorioso nas Antas, voltaria a Portugal em 1992/93 para o banco do Benfica, mas a experiência não foi bem sucedida: 11 jogos depois, deu o lugar ao adjunto Toni. Na época seguinte regressou ao FC Porto, mas também não acabaria a temporada, sendo substituído a meio pelo já referido Bobby Robson. Ainda assim, não perdeu o crédito no mundo do futebol - tanto, que em 2007 o reputado jornal desportivo italiano La Gazzetta dello Sport o considerou o “mais bem sucedido treinador de futebol da história”.

O senhor “futebol total” Com isto tudo, falta falar do número um, que para a France Football é um holandês: Rinus Michels. Aos mais novos, este nome não dirá grande coisa, mas estamos a falar do treinador que criou o conceito de “Futebol Total” celebrizado pelo Ajax - e depois levado para a seleção holandesa - no fim da década de 60 e início de 70. Pelo gigante holandês, onde lançou nomes como Johan Cruyff e Neeskens, ganhou quatro campeonatos e três taças, mas acima de tudo a Taça dos Campeões Europeus de 1970/71, a primeira de três consecutivas conquistadas por esse super-Ajax.

Orientou ainda o Barcelona (um campeonato, uma taça e uma Taça das Cidades com Feira), antes e depois de guiar uma Laranja Mecânica que deslumbrou tudo e todos no Mundial 74, caindo apenas na final aos pés da anfitriã Alemanha. Nos anos 80 voltaria à seleção e conquistaria o único troféu sénior da história da Holanda (Euro 88). Foi nomeado pela FIFA em 1999 como o melhor treinador do século XX e inspirou milhares de técnicos pelo mundo, com destaque para Cruyff, que ocupa o quarto lugar nesta lista, atrás do escocês Alex Ferguson e do italiano Arrigo Sacchi.

Numa contagem recheada de nomes míticos da história do futebol, destaque para Pep Guardiola, o único integrante do top-5 ainda em atividade. Uma das posições que mais polémica tem criado nas redes sociais desde que a lista foi divulgada, durante a tarde de ontem, prende-se com a posição de Jurgen Klopp: o atual treinador do Liverpool, que “apenas” soma seis troféus conquistados (todos na Alemanha, pelo Borussia Dortmund), aos quais se acrescentam três finais europeias perdidas (duas Ligas dos Campeões, em 2012/13 pelo Dortmund e na época passada pelo Liverpool, e a Liga Europa em 2015/16, também ao comando do Liverpool), surge à frente de lendas como Udo Lattek, Arsène Wenger, Vicente Del Bosque ou mesmo Rafa Benítez, que conquistaram bem mais troféus e marcaram eras pela Europa.
 

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