27/5/20
 
 
Três homens condenados por rapto e violação de jovem

Três homens condenados por rapto e violação de jovem

Jornal i 19/03/2019 21:11

A jovem foi violada e obrigada a casar contra a sua vontade

Esta terça-feira três homens de uma comunidade cigana foram condenados a penas entre os quatro e os oito anos de prisão, depois de obrigarem uma jovem de 19 anos, que estava institucionalizada em Braga, a casar e a manter relações sexuais com um deles, José Adolfo, de 29 anos, que se encontrava a cumprir pena de prisão em Coimbra. 

O caso tem data de dezembro de 2017 e a história começou quando a jovem decidiu afastar-se da comunidade cigana, tendo sido colocada numa instituição de proteção de menores. Nessa altura, a rapariga tinha um namorado que não pertencia à comunidade cigana, um dos motivos que a levaram a afastar-se das suas raízes. O pai, a cumprir pena de prisão por tráfico de droga, aproveitou a saída precária na época natalícia para arranjar um marido cigano para a filha. Na véspera do dia de Natal de 2017 foi buscar a jovem à instituição e não a deixou voltar. A jovem foi levada para Aveiro e, na casa do patriarca da comunidade, de nome Tomás Garcia - um dos arguidos -, foi ameaçada de morte em caso de tentativa de fuga. Ainda na cidade de Aveiro, o casamento foi consumado e a jovem foi obrigada a ter relações sexuais com o noivo. 

O tribunal deu como provados parte dos crimes e condenou três dos oito arguidos neste processo por rapto e violação, tendo sido absolvidos do crime de casamento forçado, que não foi dado como provado.

A jovem mantinha uma relação com outro homem contra a vontade do seu pai.

Conforme consta do acórdão, o relacionamento forçado com José Adolfo não configurava num matrimónio, mas sim num “ajuntamento imposto”.

O arguido foi condenado a oito anos, em cúmulo jurídico, pelos crimes de rapto reincidente e violação da jovem, uma vez que esta não consentiu as relações sexuais que ocorreram entre eles. O pai da vítima foi também condenado a prisão efetiva pelos crimes de rapto incidente a uma pena de cinco anos e seis meses.

O líder da comunidade onde os crimes se desenvolveram, Tomás Garcia, também foi condenado pelo mesmo crime a quarto anos de prisão.

Os outros cinco arguidos deste caso foram absolvidos do crime de rapto, casamento forçado e violação em coautoria. No entanto, o tribunal censurou a conduta de três dos arguidos que não mostraram arrependimento por, depois de terem já sido condenados diversas vezes, "nada ter sido capaz de os afastar da criminalidade.” 

Ler Mais

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×