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PSD solidário com deputado que acha uma “porcaria” palestra LGBTI

PSD solidário com deputado que acha uma “porcaria” palestra LGBTI

Diana Tinoco Luís Claro 14/03/2019 13:43

PSD reage à queixa apresentada pelas deputadas do Bloco e apoia Bruno Vitorino. Palestra na escola do Barreiro continua a gerar polémica e levou Fernando Negrão a escrever ao presidente do parlamento

O PSD está solidário com o deputado que considerou “uma vergonha” a realização de uma palestra numa escola do Barreiro para promover a igualdade de género e sensibilizar os alunos para as diferentes orientações sexuais. O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, escreveu uma carta ao presidente da Assembleia da República para apresentar “a nossa posição de total censura à atitude tomada pelas deputadas do Bloco de Esquerda Joana Mortágua e Sandra Cunha”.

As duas deputadas bloquistas apresentaram uma queixa na Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) contra o deputado social-democrata. Joana Mortágua considerou o comentário feito pelo também líder da distrital de Setúbal como “inaceitável para quem tem responsabilidades politicas e reflete um preconceito que não deve existir na educação nem na política”.

Bruno Vitorino partilhou nas redes sociais o documento de uma escola do Barreiro que pediu aos pais um donativo de 0,50 euros para pagar à associação LGBTI que promoveu a iniciativa. “Que porcaria é esta? Deixem as crianças em paz. Adultos a avançar sobre este campo junto de crianças é perverso. Isto tem que parar”, escreveu o deputado.

Bruno Vitorino explicou ao i, nesta segunda-feira, que o seu objetivo foi “contestar que determinadas entidades entrem nas escolas para doutrinar os nossos filhos, nomeadamente em relação a alguns temas que são complexos e delicados”. O deputado garantiu ainda que tem sido alvo de várias “ameaças e agressões verbais de pessoas ligadas ao Bloco de Esquerda e de algumas associações”.

Também a deputada Nilza de Sena, que pertence à comissão de Educação e Ciência, classificou estas iniciativas como “sessões duvidosas” e com “temas distantes dos planos curriculares ao sabor de um certo modernismo ou de certa agenda política”.

Faltava o PSD assumir uma posição oficial. A direção do partido remeteu o assunto para o grupo parlamentar. O líder da bancada social-democrata assume, na carta que enviou a Eduardo Ferro Rodrigues, que “o grupo parlamentar do PSD acompanha a legitimidade da crítica formulada pelo deputado Bruno Vitorino, considerando que esta queixa não tem qualquer fundamento, pelo seu objeto não configurar qualquer discriminação de género ou expressão homofóbica”. Para o PSD, a queixa apresentada por Joana Mortágua e Sandra Cunha “viola o direito constitucional da liberdade de expressão”.

PSD questiona palestra Na mesma carta, o grupo parlamentar dos sociais-democratas questionam “a pertinência de ações desta natureza para crianças desta faixa etária, para além do que já está contemplado nos conteúdos programáticos da disciplina de Educação para a Cidadania”.

Os deputados do PSD questionam também “a transparência deste tipo de iniciativa ‘formativa’, implicando um pagamento por parte dos alunos, que consubstancia um financiamento direto a associações que defendem direitos LGBTI”.

Por último, a carta enviada ao presidente do parlamento considera que “este episódio fere o bom funcionamento da Assembleia da República e compromete a dignidade do grupo parlamentar” do PSD. “Fere as mais elementares regras de relacionamento parlamentar, abrindo um precedente pernicioso para a instituição que todos representamos”, escreve Fernando Negrão.

A resposta a esta polémica surgiu depois de alguns deputados de esquerda e ativistas terem desafiado o PSD a pronunciar-se sobre as afirmações de Bruno Vitorino. “O PSD tenciona manifestar-se ou, pelo contrário, optar pelo silêncio conivente com a bolsonarização?”, escreveu, nas redes sociais, a socialista Isabel Moreira que partilhou um texto de Paulo Côrte-Real, ex-presidente da ILGA.

Escola explica polémica A polémica à volta do evento levou a escola a explicar que o objetivo desta iniciativa foi “contribuir para educar contra a discriminação” e “sensibilizar os alunos para a aceitação das diferenças e o respeito pela diversidade”.

O agrupamento a que pertence a Escola Básica 2,3 de Quinta da Lomba, no Barreiro, explica ainda que o dinheiro pedido aos alunos destinou-se “a custear as deslocações”. Uma informação diferente daquela que constava no pedido de autorização enviado aos encarregados de educação. O documento referia que “a sessão terá o custo de 0,50 euros por alunos. Este valor reverte para a associação LGTBI”. O comunicado explica que os oradores estão ligados “à associação Rede Ex aequo, associação que tem como objetivo promover uma educação para a cidadania e para os direitos humano”.

Nick Lorgat, um dos responsáveis desta associação, considerou, em declarações ao semanário “SOL”, que “houve um mal entendido”, porque não é prática das escolas em que fazem palestras pedir dinheiro aos alunos. Esta associação realizou 135 sessões nas escolas em 2018 e este ano tem mais de 120 previstas.”Para muitos alunos é a primeira vez que falam sobre isto. O objetivo essencial das sessões é a redução do bullying em meio escolar”, explica.

A sessão promovida por esta escola do Barreiro não foi pacífica e houve alguns encarregados de educação que impediram os filhos de estar presentes. “Não pela questão do pagamento mas pelo tema em si e da associação em si e das pessoas que vinham”, disse ao jornal “SOL” a coordenadora da escola EB 2/3 Quinta da Lomba, Anabela Luz.

“O grupo parlamentar do PSD acompanha a legitimidade da crítica formulada pelo deputado Bruno Vitorino”

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