19/8/19
 
 
Maria Helena Magalhães 06/03/2019
Maria Helena Magalhães

opiniao@newsplex.pt

À grande e à portuguesa?

A montante desta laboriosa colaboração está, convém não o ignorar, a exuberante criatividade de Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos está em Serralves com a exposição “I’m Your Mirror”, vinda do Museu Guggenheim Bilbao. Na brochura de apoio à exposição pode ler-se: “A obra de Vasconcelos continua uma tradição analítica da arte que vai de Duchamp a Jeff Koons, passando por Jasper Johns e Andy Warhol. Tal como estes artistas, ela recorre a imagens e objectos encontrados de natureza distinta, que podem ser coisas úteis, comemorativas, lúdicas, ameaçadoras, infantis ou estéticas (…) Vasconcelos cria o relato de uma transformação que, apesar de toda a sua parafernália externa, pode também entender-se como o espelho de uma aventura interior.” Pois… Não obstante, numa apreciação menos encomiástica, como é o caso, e menos erudita, dir-se-ia que é o kitsch em jeito à- -grande-e-à-portuguesa revelado nas gigantescas peças de elaborada manufactura, para que contribui uma grande equipa de trabalhadores. A montante desta laboriosa colaboração está, convém não o ignorar, a exuberante criatividade de Joana Vasconcelos, mas… se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?

Considerações à parte, é relevante o facto de o grupo de comunicação multimédia americano Politico, na sua lista anual de pessoas influentes à escala europeia em 2019 – edição europeia do “Politico” –, nomear Joana Vasconcelos, na categoria de “sonhadores”. Não devemos ignorar. Já agora, o primeiro, absoluto, da lista é o ministro italiano de extrema-direita Matteo Salvini, o que para a Europa não agoura nada de bom. A ver vamos.

Em maré de mau agouro andará também o tresloucado presidente americano. Enquanto se esforçava, desvalorizando-o, por justificar o falhanço da cimeira Trump-Kim na capital do Vietname, Hanói, justificação de imediato desmentida pela parte coreana, em Washington, o seu ex-advogado, Michael Cohen, prestava, perante o Congresso, um testemunho verdadeiramente arrasador, de consequências ainda imprevisíveis, sobre Trump e os anos em que para ele trabalhou – zangam-se as comadres… Ao que Trump reagiu dizendo que era tudo mentira, obviamente. Ele que é perito em mentir! E nos corredores do poder voltaram a correr rumores acerca da possibilidade de destituição. Será desta? Hum… Uma vez mais, a ver vamos.

Ou melhor, vamos ver o mar. É muito mais enriquecedor! Fim de tarde na Foz, Porto, ensolarado e ameno. Céu de calmaria, azul, pintalgado de farrapos de nuvens rosa-lilases, e mar esverdeado, nervoso, em reboliços de espuma: paradoxal! Mas à medida que o dia vai caindo, o sol a mergulhar no horizonte, entrando na água, e uma purpurina dourada a soltar- -se e a fazer rabiscos azuis, amarelos e alaranjados no céu que a poalha da bruma do entardecer vai desfigurando. Dentro em breve, numa área delimitada, céu e mar confundem--se em reflexos de ouro e prata amarelecida. E um nevoeiro espesso, azul-lácteo, avança devagarinho e tudo cobre. O dia findou. A grandiloquência artística de Joana Vasconcelos ficou para trás, e a exposição permanece.

Donald Trump e os seus seguidores também irão permanecer. Dá vontade de chorar…

 

Gestora

Escreve quinzenalmente, sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990

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