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Bayern emprestou dois milhões ao Dortmund para salários

Bayern emprestou dois milhões ao Dortmund para salários

Jornal i 01/03/2019 12:53

São múltiplos os exemplos de clubes com tradição no mundo do futebol a descer ao inferno por problemas financeiros

A situação que o Sporting atravessa é delicada, mas parece ainda longe de outras vividas nos últimos anos por clubes igualmente relevantes no panorama futebolístico mundial – da Alemanha a Itália, passando por Inglaterra, Espanha ou Argentina.

O caso mais inusitado, todavia, aconteceu por terras alemãs. Entre 2002 e 2005, depois de vários anos de “loucuras” financeiras para contratar jogadores de topo, o Borussia de Dortmund, crónico candidato a vencer a Bundesliga, ficou perto da bancarrota, vendo-se obrigado a reduzir drasticamente as despesas sob pena de descer de divisão ou mesmo vir a fechar portas. Vendeu os melhores futebolistas a preço de saldo, diminuiu exponencialmente os salários dos atletas que ficaram no clube, vendeu os direitos do nome do estádio e acabou por beneficiar de um empréstimo... do maior rival.

É verdade: o Bayern Munique assumiu o papel de salvador do maior adversário e fez-lhe um empréstimo de dois milhões de euros para fazer face às despesas mais prementes, além de um jogo amigável entre as duas equipas com as receitas a reverterem inteiramente para o Dortmund.

Um gesto, atrevemo-nos a dizer, impossível de ver replicado em Portugal, dado o ambiente crónico de crispação e quase até guerrilha entre os principais clubes. O Dortmund, acrescente-se, acabaria por se reerguer financeiramente e recuperar o seu lugar no panorama desportivo alemão, nomeadamente sob o comando de Jurgen Klopp, que venceu dois campeonatos (entre vários outros troféus) e levou o clube a uma final da Liga dos Campeões – perdida... frente ao Bayern (1-2).

Em Itália, os exemplos são inúmeros. No início do século XXI, Nápoles e Fiorentina decretaram falência e tiveram de recomeçar a atividade (com outros nomes) nas divisões mais baixas. Um processo semelhante ao vivido pelo Parma em 2015: a contas com um buraco financeiro na ordem dos 50 milhões de euros, o conjunto hoje capitaneado por Bruno Alves foi declarado falido, com o presidente de então, Giampetro Manenti, a ser detido por suspeita de crimes de peculato, fraude informática, uso de cartões multibanco clonados e lavagem de dinheiro. Os parmesãos tiveram de recomeçar na Serie D, sendo comprados em junho de 2017 pelo empresário chinês Jiang Lizhang – entretanto, todavia, já foi recomprado por uma sociedade italiana.

Glasgow Rangers, na Escócia, e Racing de Avellaneda, na Argentina, viveram pesadelos semelhantes, dos quais levaram anos a recuperar. Em Inglaterra, destaque para o Bournemouth, que há dez anos, então na quarta divisão, esteve (mais uma vez) às portas da falência – acabou salvo, tal como já havia acontecido em 1997, por “vaquinhas” dos adeptos, que venderam rifas e bolos e fizeram doações para evitar a extinção do clube. A salvação do clube, todavia, chegou apenas em 2011, com a injeção de capital do empresário russo Maxim Demin; cinco anos depois, os cherries conseguiriam a inédita subida à Premier League, onde ainda se encontram hoje.

E depois há o caso do Voukefalas, um clube amador grego que em 2012 foi salvo da falência... por dois bordéis locais – a prostituição é uma atividade legalizada na Grécia. O dono do clube aceitou a proposta de patrocínio do prostíbulo e assim reuniu os dez mil euros necessários para fazer face às despesas com a equipa de futebol.

 

 

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