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Risco de falência do Sporting existe, mas cenário é afastado pelos economistas

Risco de falência do Sporting existe, mas cenário é afastado pelos economistas

AFP Sónia Peres Pinto 01/03/2019 12:51

A Sporting SAD já alertou que precisa de 41 milhões de euros até 30 de junho. Economistas falam em problemas sérios de tesouraria, mas apesar de considerarem pouco provável, admitem que uma das soluções é a abertura da maioria da SAD a investidores estrangeiros. Ao mesmo tempo desaconselham a venda de ativos por considerarem “um mau negócio” nesta fase

A necessidade financeira do Sporting de 65 milhões de euros, dos quais 41 milhões de euros até 30 de junho de 2019, já fizeram soar alarmes. Os economistas ouvidos pelo i admitem que a SAD do clube enfrenta sérios riscos, mas afastam um cenário de falência. Ainda assim, João Duque, que integrou a Comissão de Fiscalização do clube afirma que “não é fácil arranjar este montante” principalmente numa altura em que os resultados desportivos “não são os melhores”.

Também para Eduardo Silva, Head of Sales da XTB lembra que “esse risco [falência]existe é óbvio”, mas afirma que existem outras alternativas e, como tal, não acredita que se esteja a caminhar nessa direção. “Penso que se caminha para um período de maior contenção e rigor financeiro como vemos no FC Porto. Rigor nas contratações, aposta na formação e folha salarial mais contida enquanto a venda de jogadores assume grande importância”, diz ao i.

Um outro cenário, mas também pouco provável, segundo João Duque, é a abertura da SAD a investidores externos que passassem a ser acionistas maioritários. “Nesse caso, o clube teria de abdicar de ser acionista maioritário e aí poderia entrar um investidor com capital para fazer grandes contratações”, refere o economista. Mas aponta para riscos, dando como exemplo o que se passou no Belenenses. “É frequente este tipo de casos provocarem problemas graves, porque dissocia o clube daquilo que é o negócio do futebol”.

Uma solução que, no entender de Eduardo Silva, seria apenas um “bypass”, lembrando que “um investimento a fundo perdido é uma solução que pode ser interessante ou não consoante os interesses do investidor, mas penso mais uma vez que não é a direção que vá ser seguida.”

 

Vendas deverão ser afastadas

Os dois economistas são unânimes ao considerar que, neste momento, a venda de ativos deverá ser afastada. A explicação é simples: “Vender por necessidade é sempre negativo”, acrescentando que é preciso encontrar alternativas “para ganhar tempo e vender na altura certa, é sempre mais positivo”.

Eduardo Silva acredita que, o mais provável e lógico nesta fase, é antecipar para março as receitas provenientes do contrato de cedência de direitos de transmissão televisiva celebrado com a NOS. “Mesmo que venda jogadores importantes seria pouco provável receber tudo numa parcela e iria condicionar as vendas por serem vendas de necessidade. A antecipação das receitas dá mais espaço para gerir as necessidades financeiras mas empurra o problema para o futuro”.

O analista lembra ainda que o Sporting é dos três grandes, o caso mais preocupante por não dar garantias de resultados a curto prazo, fator que pesa sobre a valorização dos ativos. “O FC Porto está pressionado financeiramente, mas no campo desportivo chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões, mesmo que não consiga passar já atingiu os objetivos mínimos e lidera a classificação”, lembrando que, apesar de ter o plantel com a maior folha salarial, vários jogadores que estão a receber os maiores salários vão terminar contrato este ano e que “quem vier já será com outras condições respeitando um maior rigor financeiro”.

Já em relação ao Benfica, o analista diz que “desportivamente pode-se considerar que a época têm sido questionável”, mas apesar de tudo “têm valorizado o plantel”. E não tem dúvidas: “Dos três é o que mostra um maior esforço para baixar o passivo quer por diminuir a dívida quer por apostar na formação”.

Emissão aquém do desejado João Duque diz ainda que a SAD sportinguista está nessa situação porque não só a anterior direção não teve uma gestão cautelosa, assente numa elevada despesa com vista à obtenção de títulos que não conseguiu como também devido ao facto da emissão obrigacionista já com Frederico Varandas não ter corrido da melhor forma. Em causa estava a captação de 30 milhões de euros mas terminou com um montante subscrito de 26,1 milhões de euros.

“Conseguiram cumprir o mínimo, mas ainda assim, encaixaram dinheiro suficiente para responder às despesas de imediato, aliado a isso, reduziram os custos da equipa, mas agora enfrentam novos problemas de tesouraria”.

Ainda na semana passada, o atual presidente revelou que, a auditoria forense, detetou quatro situações ao longo da gestão de Bruno de Carvalho entre março de 2013 e junho de 2018 que criou um buraco financeiro no clube. Um desses casos, diz respeito ao pagamento de 1,7 milhões com “assuntos da presidência, contactos de Bruno de Carvalho e aconselhamento ao presidente” em três anos e essa quantia foi paga à empresa MGRA, que tem ligações a um ex-sogro de Bruno de Carvalho.

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