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Monte do Picoto em Braga é “uma sala de chuto ao ar livre”

Monte do Picoto em Braga é “uma sala de chuto ao ar livre”

Joaquim Gomes 24/02/2019 12:09

“É preciso acabar com imagens degradantes”, refere ativista

O Monte do Picoto, em Braga, que poderia ser o parque da cidade, é “uma sala de chuto ao ar livre”, segundo denunciou o bracarense Miguel Silva Lopes, um ativista da natureza, que trabalhou já ali num projeto comunitário e agora se dedica agora a gerir uma horta da Escola Básica 2+3 de Nogueira, uma das freguesias abrangidas por aquele mesmo monte.
Numa carta recentemente enviada aos responsáveis autárquicos bracarenses à qual o i teve acesso, Miguel Silva Lopes refere que o espaço envolvente daquele espaço ímpar da natureza a partir do qual se vê toda a cidade, o Monte do Picoto, continua ser espaço local privilegiado de consumo de droga, com os toxicodependentes a injetarem-se, à frente de todos, inclusivamente crianças, como revelou já o movimento político Braga para Todos.

Miguel Silva Lopes recorda uma imagem que retém, na antevéspera do último Natal, na Rua Pedro Nunes, em Nogueira, a cerca de 100 metros das instalações do CAT da Cruz Vermelha, com um ‘farrapo humano’, que esteve ali deitado no chão, nestas condições mais de meia hora, enquanto um colega chamava-o, ele de vez em quando respondia, eu estive ali mais de 10 minutos, não pude ficar indiferente, liguei para o INEM enviaram uma viatura ao local, passadas mais de três horas ele já estava melhor quando eu lá voltei”. 

“Poderia repetir esta imagem vezes sem conta neste local, como noutros locais perto do Centro de Acolhimento Temporário (CAT) em Nogueira, ou em muitos locais da cidade de Braga imagens degradantes da condição humana, que por mais que sejam reportadas estas situações neste local, já o foram feitas diversas vezes”, salienta Miguel Silva Lopes, afirmando que “várias entidades a quem foi dado a conhecer a situação prontificaram-se atuar e a acabar com esta situação”, mas até ao momento, ainda nada foi feito em concreto. 

Kits para depositar seringas

“Não se erradicam de locais como o Monte do Picoto” situações como esta, que continua a sala de chuto ao ar livre, isto por mais que se denunciem tais situações, como eu próprio o fiz já na Assembleia Municipal de abril de 2018, há quase um ano, das metodologias levadas a cabo com anos de continuidade e sem ser resolvidos os problemas nos espaços que medeiam as instalações do CAT em Nogueira”, refere o mesmo bracarense, que tendo enviado a carta aos vários vereadores, há dois meses, ainda não recebeu qualquer resposta.

Miguel Silva Lopes recorda que “houve um projeto do CAT, que concorreu ao orçamento participativo, para serem feitas obras de qualificação das suas instalações, eu votei nele, divulguei-o, para que fosse possível serem feitas as obras necessárias”, mas nada foi feito.

“Nas minhas intervenções junto de algumas entidades, foi colocado um recipiente pelo vereador do Ambiente no Monte do Picoto, para que os toxicodependentes colocassem as seringas usadas, ideia que poderia ser bem acolhida, se o local fosse onde diariamente são vistos e continuam a fazê-lo desde que lhes foi dado o kit e os encaminham para fora das instalações do CAT”, ali gerido pela Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa.

“O CAT foi criado apenas e só para um local onde os sem-abrigo pudessem ficar por alguns tempos, não mais do que dois a três meses, e lhes fossem dadas as condições, com os técnicos que estão nas instalações poderem trabalhar com esses utentes, a levá-los a novas escolhas, como tratamentos, ocupações, dos seus tempos ações de formação, entre outras atividades”, conforme explica Miguel Silva Lopes.

“Nasceu ali ao lado o Projecto Homem com um equipamento que custou mais de quatro milhões de euros, que apenas funcionou no primeiro ano, com as valências para o qual foi criado, alguns tratamentos de alcoólicos e de toxicodependentes”, afirma Miguel Silva Lopes.

“Aliás, este edifício venceu prémios de mérito pela arquitetura desenhada, encontra-se é abandonado com problemas estruturais na sua própria conceção, chovendo no interior do pavilhão desportivo construído no subterrâneo, entre outros problemas que a direção do Projecto Homem não tem capacidade financeira de solucionar”, explica o mesmo ativista.

“Estas situações, foram reportadas ainda durante o período de garantia da construção, o que se estranha que o tempo tivesse passado sem serem resolvidos esses problemas, mas a sua direção quer resolver o problema, talvez alienando o imóvel numa venda a possíveis interessados, ou arrendando o espaço a um qualquer interessado que lhe possa fazer os arranjos necessários e o coloque a funcionar, num qualquer negócio que ali venha a ser instalado”, ainda segundo Miguel Silva Lopes.

“O Município de Braga, terá de ter uma palavra a dizer, já que foi esta entidade a permitir a sua construção, num terreno que cedeu á instituição com uma finalidade de construção, ou seria um terreno que fazia parte dos hectares referenciados como sendo uma parcela que pertencia ao Arquiepiscopado de Braga”, revela o mesmo ativista.

Façamos de 2019 “O ano da dignidade humana”, que as entidades que intervêm nos setores sociais se juntem a uma só vós, que procedam às mudanças necessárias para que estas situações não continuem a fazer parte do dia a dia dos cidadãos.

“Ano da Dignidade Humana em Braga”?

Segundo Miguel Silva Lopes, recentemente terminou a iniciativa Braga Capital Europeia do Desporto, pelo que aue melhor sugestão poderia ser dada para que o ano de 2019, seja a não ser o “Ano da “Dignidade Humana em Braga”?
“Braga está prestes a perder a confiança, esperamos não a perder na totalidade, que ainda possamos acreditar que é possível fazer o que sempre foi prometido e os espaços e os terrenos públicos, não lhe seja permitido a reboque da especulação urbana, fazerem parte de qualquer troca ou interesses particulares em prejuízo das valências para as quais esses espaços e edifícios foram edificados, com a justificação de não haver dinheiro nem fundos comunitários para a sua requalificação e acabando por ir parar a interessados privados que lhes darão um fim diferente”, considera Miguel Silva Lopes.

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