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Assunção Cristas. “O governo está esgotado e o primeiro-ministro perdido”

Assunção Cristas. “O governo está esgotado e o primeiro-ministro perdido”

Miguel Silva Luís Claro 20/02/2019 11:23

Parlamento debate hoje a moção de censura do CDS ao executivode António Costa. “Um governo desorientado, desconcertado, sem ambição e sem programa”, afirma ao i a líder centrista

A Assembleia da República vai debater hoje, a partir das 15 horas, a segunda moção de censura ao governo de António Costa. As duas foram apresentadas pelo CDS. Ao i, Assunção Cristas considera que “o governo está esgotado e o primeiro-ministro perdido”. Para a presidente do CDS, este é “um governo que cria problemas, mas que é incapaz de encontrar soluções. Um governo desorientado, desconcertado, sem ambição e sem programa”.

O desfecho não deve ser muito diferente do da moção de censura apresentada em outubro de 2017 por causa dos incêndios. CDS e PSD votaram a favor e os socialistas evitaram a queda do governo com o apoio do Bloco de Esquerda, PCP, PEV e PAN.

Comunistas e bloquistas já anunciaram que vão voltar a votar contra, mas a líder dos centristas considera que “se as esquerdas fossem consistentes com o que dizem todos os dias na rua e no parlamento votariam esta moção do CDS”.

A esquerda desvaloriza a iniciativa com o argumento de que o que está em causa é uma disputa entre os partidos de direita. Cristas garante que quer fazer deste debate “um momento clarificador para os partidos de esquerda que ora apoiam o governo ora criticam”.  A líder do CDS afirma mesmo que “esta é uma moção de censura em nome de muitos portugueses que estão numa situação difícil”.

O PSD já anunciou que vai voltar ao lado dos centristas, embora tenha desvalorizado a iniciativa por não ter “efeito prático”. António Costa também não valorizou a moção de censura. O primeiro-ministro considera que a moção “não visa o governo”, mas é uma tentativa do CDS se diferenciar do PSD e dos novos partidos como o Aliança ou o Chega. O líder parlamentar dos socialistas, Carlos César, também afirmou que “esta moção de censura praticamente antes de nascer já não conta para o trabalho politico e para a decisão politica no nosso país”.

O governo socialista liderado por António Costa foi alvo de duas moções de censura durante a legislatura. As duas do CDS. O PSD nunca utilizou este instrumento para tentar derrubar o governo.

O cenário é bem diferente se analisarmos o período em que Passos Coelho governou o país. Foram apresentadas seis moções de censura, o que faz com que tenha sido o executivo com mais moções de censura na história da democracia. Três foram apresentadas pelo PCP e as restantes pelos socialistas, Bloco de Esquerda e PEV. Ao todo, foram apresentadas trinta moções de censura em quase 45 anos de democracia.

 

Negrão cancela reunião

Fernando Negrão enviou uma convocatória aos deputados por email para uma reunião, nesta terça-feira, pelas 17 horas na Assembleia da República. A intenção era discutir a estratégia do PSD para o debate sobre a moção de censura, mas devido à ausência de muitos deputados a reunião foi desmarcada.

A falta de quórum resultou do facto de não haver trabalhos parlamentares na segunda e terça-feira uma vez que o PCP teve jornadas em Braga. E, sempre que um partido convoca jornadas parlamentares, suspendem-se os trabalhos. Mais, a maioria dos deputados do PSD vive fora de Lisboa, por isso, Fernando Negrão percebeu que não teria alternativa se não desmarcar o encontro por falta de comparência. Alguns deputados do PSD ouvidos pelo i consideraram que a decisão de Negrão “não foi muito hábil”. Além disso, o primeiro a anunciar a decisão do partido não foi o líder da bancada, mas um vice-presidente do partido. “Estranhei e não acho que seja muito respeitoso para com Fernando Negrão”, admitiu um parlamentar do PSD. “Poderia ter convocado a reunião para quarta-feira de manhã”, confidenciou outra fonte social-democrata, tentando desvalorizar o episódio.

Com Cristina Rita

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