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PSD vota a favor da moção. Vai fazer “papel de idiota”?

PSD vota a favor da moção. Vai fazer “papel de idiota”?

Luís Claro 19/02/2019 15:56

PSD vai votar a favor da moção de censura. Marques Mendes considera que os centristas querem “entalar” o PSD e o Aliança

A moção de censura ao governo apresentada pelo CDS já está a provocar estragos, mas no PSD. O ex-líder do partido, Marques Mendes, defende que a moção de censura é contra os sociais-democratas e, por isso, um voto favorável corresponde a fazer “papel de idiota”.

No seu habitual comentário, na “SIC”, Marques Mendes defendeu, no domingo à noite, antes de ter sido anunciado o sentido de voto do PSD, que esta iniciativa é para tentar “entalar” o PSD e o Aliança. “Acho que o PSD vai abster-se. Não pode ser de outra maneira. Não pode votar a favor da moção, porque ela é, na prática, contra o PSD. Aí faria o papel de idiota”.

Menos de 24 horas depois do comentário de Marques Mendes, o PSD anunciou que, na quarta-feira, votará ao lado dos centristas. O_PSD desvalorizou a iniciativa por não ter “qualquer efeito prático”, mas “votará a favor de uma censura à política socialista que tem vindo a ser seguida” e repetirá “as criticas que tem vindo a fazer ao governo”.

O vice-presidente do PSD David Justino reconheceu, em declarações à “TSF”, que a moção de censura é  “um instrumento que não devia ter sido aplicado agora”, mas “não faria sentido absolutamente nenhum” não votar ao lado do CDS. O social-democrata admitiu que não gosta de “comentar comentadores”, mas “o dr. Marques Mendes, às vezes, faz papéis parecidos com esses que ele apregoa”. Santana Lopes também anunciou que votaria a favor “se a Aliança já estivesse representada na Assembleia da República”.

O CDS congratulou-se com o apoio dos sociais-democratas, mas não deixou de lembrar a aproximação do PSD ao governo socialista com a chegada de Rui Rio à liderança. “Prefiro ver um PSD que vota a favor das moções de censura que o CDS apresenta, do que um PSD que se senta com o PS a celebrar acordos em áreas que são, para nós, graves, entre elas as que consagram impostos europeus ou uma vontade de descentralização que o mundo autárquico repudia”, disse Nuno Melo.

O vice-presidente dos centristas defendeu que “o espaço político de centro-direita tem que se concentrar numa oposição a um governo que é mau e a um PS que nem sequer deveria ser governo”.

António Costa desvalorizou o conteúdo da moção de censura e está convencido de que a iniciativa surge nesta altura devido à competição entre os partidos de direita. O primeiro-ministro afirmou, em Belém, que “é natural que o PSD seja arrastado pelo CDS”, porque esta moção tem como objetivo apurar quem está “na primeira linha do confronto com o governo”.

A moção de censura vai ser debatida amanhã no parlamento, mas está condenada ao insucesso. Socialistas, PCP e Bloco de Esquerda já anunciaram que vão votar contra. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, classificou a iniciativa como uma “encenação do CDS motivada pela disputa de espaço político com o PSD em que o PCP obviamente não se envolverá”.

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