18/8/19
 
 
José António Saraiva 19/02/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Bilderberg por um canudo

Prefiro mil vezes o estudo, a reflexão e a introspeção. E também nunca me preocupei em acrescentar o currículo. Nunca concorri a nada. Os empregos que tive foram sempre por convite

Por volta do ano 2000, Francisco Pinto Balsemão chamou-me ao seu gabinete na Rua Duque de Palmela e fez-me um honroso convite: ir com ele à reunião anual do Grupo Bilderberg. Falou-me brevemente da importância que essa presença teria – citando-me casos de pessoas de sucesso que haviam passado por lá. Respondi-lhe logo que não.

E não se veja aqui qualquer atitude ideológica: a recusa tinha sobretudo que ver com razões pessoais. Nunca gostei de congressos, nem de galas, nem de conferências. Prefiro mil vezes o estudo, a reflexão e a introspeção. E também nunca me preocupei em acrescentar o currículo. Nunca concorri a nada. Os empregos que tive foram sempre por convite: o ateliê de arquitetura, o Centro de Formação da RTP, a direção do “Expresso”, a docência na Universidade Católica. Para mim, o currículo nunca teve qualquer importância. O que eu gosto verdadeiramente é de fazer, construir – os “penachos” não me dizem nada.

Além disso, um certo isolamento contribuía para a minha independência como diretor do “Expresso”. O facto de não pertencer a nenhum partido, a nenhuma associação secreta, a nenhum lóbi, a nenhum grupo de interesses fez com que pudesse exercer o cargo de um modo totalmente livre. Também por isso, sempre resisti a convites que pudessem significar algum compromisso.

Como membro permanente do Grupo Bilderberg, Balsemão tinha direito a levar anualmente um convidado – e foi nessa qualidade que me formulou o convite.

Vi depois que nesse ano, em meu lugar, foi Pedro Santana Lopes ou José Sócrates, já não me recordo bem. Curiosamente, ambos vieram a ser primeiros-ministros, mostrando que a ida a Bilderberg tem algum peso. Mas, comigo, esse risco não existiria: a política nunca me atraiu. Seria um sacrifício para mim ser político – e para a política seria péssimo ter-me como um dos seus. Nunca me arrependi de ter recusado o convite para ir a Bilderberg.

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