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Marta F. Reis 13/02/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

A gripe não se trata com antibióticos

Rita Pereira usou as redes sociais para partilhar o seu estado gripal e caiu-lhe tudo em cima porque deitou as culpas numa “bactéria viral” e disse que ia pôr-se boa com antibióticos. O assunto é sério: a gripe não é causada por bactérias e, por isso, não se trata com antibióticos, mas muita gente pensa que sim. Rita Pereira foi ao médico e o antibiótico pode ter sido passado para alguma infeção bacteriana oportunista, mas entretanto falou para os seus 1,4 milhões de seguidores, dando azo a mais um daqueles episódios de desinformação/bullying que poderia ter sido aproveitado pela Direção-Geral da Saúde para reforçar a sensibilização. Portugal tem um problema de consumo inadequado de antibióticos, um dos fatores que contribuem para o aumento das resistências, quadro em que a avaliação do país também é negra. As infeções hospitalares por bactérias multirresistentes afetam 8,9% dos doentes que são internados no país (dados de 2017), percentagem que se reduziu ligeiramente mas ainda é das mais elevadas da Europa, o que tem motivado uma preocupação crescente com as práticas nos hospitais, do rigor na prescrição à lavagem das mãos. Como pano de fundo há um problema de falta de educação para a saúde, a que se soma alguma ambiguidade no diálogo que pouco contribui para o esclarecimento: o médico de família passar um medicamento que o pediatra não recomenda, o farmacêutico torcer o nariz à prescrição... Ainda neste campo dos antibióticos, um Eurobarómetro publicado no final de 2018 traçava o ponto de situação: se a maioria dos europeus sabem hoje que os antibióticos não tratam constipações, os portugueses surgem entre os que estão mais mal informados. Mais: éramos o único país onde tinha diminuído a percentagem de inquiridos que dizem ser falso que os antibióticos atuem nas constipações. Rita Pereira está, por isso, longe de ser o problema; quando muito, deve servir de alerta. De resto, o primeiro-ministro também disse há tempos que era preciso cautela “para que o país não se exponha a uma corrente de ar e apanhe uma gripe que se transforme numa pneumonia”. Dizem os peritos que as correntes de ar são outro mito: a melhor forma de prevenir a gripe é mesmo a vacina. 

 

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