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Pronto-a-servir. Um mercado em crescimento e amigo da falta de tempo

Pronto-a-servir. Um mercado em crescimento e amigo da falta de tempo

DR Carolina Brás 12/02/2019 19:47

Continente, Pingo Doce e Auchan explicaram ao i como e onde são confecionadas as refeições prontas a servir ou take-away que estão a conquistar cada vez mais os portugueses. Estar a par das últimas tendências e garantir a qualidade com produtos frescos são as maiores apostas e também segredos dos hipermercados

Sem comida em casa ou, mesmo que tenha, está com preguiça de pegar em tachos e panelas? As refeições prontas a servir, ou take-away, dos supermercados estão a conquistar cada vez mais os portugueses. 

E os vários responsáveis do mercado explicam ao i esta tendência. “O crescimento está diretamente relacionado com o desenvolvimento a que temos assistido na oferta deste tipo de produtos para fazer face às alterações de estilo de vida dos consumidores, que cada vez têm menos tempo disponível e procuram soluções rápidas e/ou convenientes”, explicou Bruno Loureiro, category leader da unidade de take-away do Continente. 

Também para Ana Rita Motas, responsável de oferta e compra de gastronomia da Auchan Retail Portugal, a resposta para a procura é simples: “conveniência”, uma vez que esta atinge números maiores em lojas mais urbanas “devido ao perfil dos clientes”. Um mercado que afirma estar em crescimento. 

Esta tendência fez com que, no ano passado, super e hipermercados gerassem cerca de 180,9 milhões de euros só com este negócio – um crescimento de 11% face aos números de 2017, segundo dados da Nielsen. 

“As pessoas querem ter tudo feito. Querem que seja só meter no forno e já está”, disse fonte oficial do Pingo Doce ao jornal i. E a verdade é essa. A alteração do estilo de vida, o tempo e a procura por soluções simples e simpáticas para a bolsa parecem fazer com que o take-away apareça como a solução mais eficaz.

No último ano, nos supermercados do grupo Jerónimo Martins foram servidas mais de cinco milhões de refeições, entre take-away e restaurante, e produzidas cerca de 10 mil toneladas de comida para mais de 400 lojas e 32 restaurantes espalhados pelo país.

Incertezas Apesar do crescimento deste negócio, continuam a existir muitas dúvidas quanto à qualidade destes produtos, mas elas são afastadas pelos responsáveis contactados pelo i. 

“As nossas refeições são todas cozinhadas com ingredientes frescos e nossos, os mesmo que são vendidos em loja”, afirmou fonte do Pingo Doce que, no entanto, admite que muitas vezes optam por escolher legumes que não são vendidos ao público pela aparência ou porque contam com pouca validade. Estas soluções têm como objetivo reduzir o desperdício, já que prometem garantir a mesma qualidade. “A sopa, por exemplo, não tem pós”, garantiu, enquanto explicou que a forma de fazer é igual à de casa, só que em quantidades (muito) maiores.

O mesmo acontece no grupo Auchan onde, como explicou ao i Ana Rita Motas, “existe sempre a preocupação na utilização de ingredientes locais e saudáveis”. 

Por forma a “mitigar o paradigma da comida artificial”, Bruno Loureiro explicou que o Continente aposta na confeção de receitas próprias e exclusivas, com a colaboração de chefes e livres de corantes e conservantes. “O frio é o que conserva as nossas refeições”, conclui. As refeições são então confecionadas, embaladas e mantidas em arcas frigorificas por forma a manterem a validade e todas as propriedades, sem nunca terem de passar pelo processo de congelação. 

A qualidade é uma característica obrigatória e indispensável para as cadeias que vendem estas refeições diariamente, mas não é a única. Além disso, as lojas tentam também que a oferta seja diversificada, exclusiva e que vá ao encontro das tendências e necessidades do consumidor.

Para tal, explicou Bruno Loureiro, o Continente aposta em receitas exclusivas e garante que há sabores únicos que os clientes só irão encontrar ali. “Nas nossas lojas, os clientes encontram um largo leque de refeições tradicionais portuguesas, étnicas, sopas, pizzas, lasanhas, facilitadores de cozinha como bases ou massas de aplicação culinária”, detalhou ainda. Além destes, destaca também no grab & go sanduíches, wraps e saladas, entre outros produtos rápidos.

A cadeia conta ainda com parcerias com outros chefes, como é o caso de Justa Nobre, Kiko Martins e Miguel Castro Silva, para “ajudarem a fechar as receitas, numa lógica de consultoria, e ainda dão a sua cara e assinatura como selo de garantia de qualidade”, assegurou Bruno Loureiro.

Fonte oficial do Pingo Doce afirmou também que a cadeia procura sempre adaptar a oferta à procura e estar atenta às refeições mais procuradas pelos clientes. Para isto contam com um chefe executivo e exclusivo que fica encarregado destas receitas e de garantir a qualidade de todos os produtos. “A função do nosso chefe é contribuir para o desenvolvimento de novas receitas e para a revisão das receitas atuais, de forma a estarem alinhadas com as novas tendências de consumo”, explica Ana Rita Motas.

Do tradicional ao sushi As receitas são variadas e as opções também. Tudo depende do gosto e da procura dos clientes. “A Francesinha Continente é um produto muito popular de norte a sul do país, passando ainda pelas ilhas”, contou o category leader da unidade de take--away do Continente, que destacou também as sopas como um dos produtos mais procurados.

Também no caso do Pingo Doce, as sopas são dos pratos que mais clientes procuram, ainda que entre eles esteja o tradicional arroz de pato ou o bacalhau com natas. Os doces e sobremesas fazem igualmente parte das preferências.
Já o grupo Auchan destaca as tendências vegan e vegetarianas ou refeições com pouco teor de sal e gordura.
Para fugir do tradicional, há clientes que optam pela nova moda e prefiram sushi, comida proveniente do Japão. As cadeias não deixam passar ao lado a famosa refeição com pauzinhos e a oferta é cada vez mais variada. 

“O Pingo Doce foi um dos primeiros a apostar no sushi”, garante fonte oficial, que afirma que este é um setor onde a aposta continua a ser grande. Em duas lojas Pingo Doce já é possível encontrar uma banca de “Daily Sushi”, uma parceria internacional do grupo para acelerar o processo da introdução do sushi na oferta ao consumidor. O objetivo do grupo é que abram mais cinco quiosques no próximo ano. 

“O sushi é feito com o peixe que está na peixaria”, conta fonte oficial, que explica ainda que os clientes podem optar por comer na loja ou comprar para comer em casa a refeição que veem ser preparada à sua frente.

Esta oferta também não escapa ao negócio do Continente que, segundo Bruno Loureiro, surge como resposta às novas tendências. O processo é o mesmo: “Sushi fresco feito na hora dentro de alguns dos nossos hipermercados.” 

E as refeições que não são confecionadas em loja? Ao contrário do que acontece com o sushi, as refeições prontas a servir são confecionadas em cozinhas especializadas.

A principal cozinha da Jerónimo Martins situa-se em Odivelas e nasceu em dezembro de 2011. Gaia e Aveiro também já acolhem cozinhas do grupo e os projetos para 2019 preveem a expansão da cozinha localizada na costa oeste do país. É destes espaços que saem todos os dias refeições e sobremesas para as lojas e restaurantes Pingo Doce.

Nestas cozinhas com seis mil metros quadrados, as refeições são confecionadas de forma tradicional, mas em quantidades industriais, como se de uma fábrica se tratasse. Em 2018 foram produzidas 10 mil toneladas de comida, sopa e sobremesas. 

Fonte oficial do Pingo Doce explicou que, nalgumas lojas, os clientes podem encontrar restaurantes onde estas refeições são servidas. “Têm tido uma grande procura, até porque as refeições são muito baratas, algumas nem chegam a quatro euros”, disse, destacando a loja de Telheiras e a do Cais do Sodré como exemplos de onde um maior número de pessoas procuram a oferta restaurante. Nestes estabelecimentos há ainda a opção de escolher pratos fora do menu como bife ou peixe, que é grelhado na hora.

“Desenvolvemos as refeições nas cozinhas dos nossos parceiros como se fosse a nossa”, contou Bruno Loureiro. O category leader do Continente explica ainda que para estes espaços são selecionados os melhores especialistas, que garantem todos os requisitos legais e de qualidade, com métodos de confeção tradicionais. 

Já o Grupo Auchan funciona de forma diferente. Algumas das refeições são também confecionadas em cozinhas parceiras, mas é o espaço da loja que dita o local onde serão confecionadas. Nos estabelecimentos onde é possível colocar uma cozinha, as refeições são confecionadas em loja sob as receitas e requisitos exigidos pelo chefe. 

Ajuda para todas as ocasiões Também importantes para o crescimento do negócio são as encomendas. Temos um menu para encomendas especiais”, contou o Pingo Doce. 

Em 2018, as encomendas de Natal e de Ano Novo aumentaram cerca de 40% face aos números de 2017 , tendo as refeições para a época natalícia registado um crescimento de 50%. Os supermercados da Jerónimo Martins disponibilizam um menu de cerca de seis pratos de carne, peixe e vegetarianos, nunca esquecendo as sobremesas. À semelhança do que acontece com todas as outras, estas são guardadas em arcas frigorificas para manterem as propriedades. 

Comida congelada E, embora o pronto-a-servir esteja a ganhar cada vez mais adeptos, há ainda quem prefira as refeições congeladas, que podem ser guardadas no congelador e aquecidas no forno ou micro-ondas de uma forma rápida. 

São muitos os estudos que dão conta dos perigos deste tipo de refeições para a saúde. Em 2018, a revista cientifica “British Medical Journal” divulgou resultados de um estudo em conjunto com várias universidades de todo o mundo que mostrava um maior risco de cancro para pessoas que introduzissem este tipo de refeições na dieta. 

No entanto, as cadeias de supermercados portugueses descansam os clientes. “Todas as refeições são preparadas, confecionadas e embaladas segundo as melhores práticas de qualidade, higiene e segurança alimentar, respeitando sempre o sistema HACCP”, explicou Bruno Loureiro. As refeições são confecionadas por parceiros a quem, segundo Bruno, são exigidos níveis de excelência tanto a nível de segurança como de qualidade. “As datas de validade são definidas de acordo com vários fatores, desde a natureza das matérias-primas envolvidas no preparado até ao tempo que o produto demora a chegar ao linear”, concluiu. 

O mesmo acontece com as refeições congeladas vendidas nas lojas do grupo Auchan e Jerónimo Martins. As refeições são confecionadas por parceiros que regularmente são auditados pelo departamento de qualidade do grupo, explicou Ana Rita Motas. 

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