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Acidente na mina de Aljustrel: “Quando há mortos há falhas de segurança”

Acidente na mina de Aljustrel: “Quando há mortos há falhas de segurança”

DR Rita Pereira Carvalho 12/02/2019 11:01

Na mina de Fetais, em Aljustrel, já morreram três pessoas em acidentes de trabalho. Um dos acidentes foi em 2015 e continua em segredo de justiça

À semelhança do que aconteceu em Borba no ano passado, as questões de segurança surgem depois de os acidentes acontecerem. Ontem, durante a manhã, dois homens caíram num fosso de grande profundidade nas minas de Fetais, Aljustrel. Um dos trabalhadores morreu e o outro está internado no Hospital de Beja em estado grave – ambos trabalhavam na manutenção mecânica. Ao i, Vítor Cabrita, Comandante do Comando Distrital (CDOS) de Beja, informou que “conseguiram tirar um ferido grave e outro validado no local como sendo um morto”.

O que se previa um dia normal de trabalho acabou por se transformar numa tragédia ainda com muitos pontos de interrogação. Para já, não se sabe se a sinalização estava de acordo com o obrigatório. Não se sabe também se foi um despiste e, provavelmente, só depois de finalizado o inquérito é que se saberá. Para Jacinto Anacleto, presidente do Sindicato dos Mineiros de Aljustrel, o que se passou tem claramente a ver com falhas de segurança e não é caso isolado. De acordo com o responsável, “os trabalhadores há muito que se queixam, porque a segurança fica muito aquém daquilo que seria desejável”, disse ao i.

A sinalização é um dos fatores em falta nas minas de Fetais. “A sinalização ajuda, a consignação impedia que isso acontecesse e temos aqui [em Aljustrel] minas que têm equipamentos que não permitem que acidentes destes ocorram”, explicou Jacinto Anacleto. O presidente do Sindicato dos Mineiros referiu ainda que desde 2015 já morreram três pessoas em acidentes de trabalho naquela mina. No entanto, os processos nunca avançaram: “questionei a ACT sobre o acidente mortal em 2015 e foi-me dito que está em segredo de justiça”, revelou.

Na mesma linha está também Luís Cavaco, do Sindicato Mineiro de Aljustrel, que disse ao Público que o acidente pode “revelar descuido ou falta de sinalética sobre a presença de um desmonte”. Além disso, muitos mineiros revelam “problemas associados à falta de segurança”.

Para já, o que se sabe está limitado ao que aconteceu depois de ser dado o alerta pela mina. Segundo avançou Vítor Cabrita, “o alerta chegou ao comando distrital por via do CODU Lisboa, pelo centro de orientação de doentes urgentes do INEM, dando conta de que uma máquina industrial tinha caído num fosso com cerca de 40 metros de profundidade”. Depois, foi também mobilizado o corpo de bombeiros de Aljustrel e dado conhecimento à GNR e à ACT, “uma vez que se trata de um acidente de trabalho”, referiu o Comandante do CDOS de Beja.

Até à data já foram abertos dois inquéritos – um pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que está em segredo de justiça, e outro pela empresa concessionária do complexo mineiro, a Almina – Minas do Alentejo. Segundo a empresa Almina, as duas vítimas trabalhavam para um empreiteiro e circulavam numa viatura ligeira na Mina de Fetais.

Em relação ao plano interno de emergência, obrigatório em todas a explorações mineiras, apesar de não ser claro se existe o respetivo plano na Mina de Fetais, Vítor Cabrita refere que “as minas têm planos de emergência, nomeadamente brigadas de resgate mineiro, ou seja, mineiros que trabalham, ou que estão preparados para resgatar as vítimas, uma vez que quem conhece bem as minas são os mineiros e não quem trabalha cá fora”. Além disso, todos os trabalhos realizados durante o dia de ontem “foram acompanhados de mineiros que conhecem o local”, explicou o comandante do CDOS de Beja.

 

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