18/8/19
 
 
José Paulo do Carmo 08/02/2019
José Paulo do Carmo

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Na diáspora portuguesa

Em vez de nos unirmos e criarmos fortes condições de desenvolvimento conjunto, parece que passamos a vida a digladiar-nos, a competirmos connosco sem o mínimo sentido positivo de corporativismo

Portugal é conhecido por ter grandes comunidades espalhadas pelo mundo fora. Sempre fomos um país de mulheres e homens bravo, que nunca demonstraram receio do desconhecido nem tão pouco por navegar em “mares nunca antes navegados”. É assim desde os descobrimentos e, na verdade, nunca mais parou. Procurámos quando assim foi necessário as oportunidades lá fora e escondemos o medo de sairmos do nosso habitat natural para encontrar novas formas de nos reinventarmos, de almejar as condições de vida que muitas vezes nos faltaram por cá e que sempre tivemos como necessárias à nossa condição.

É, por isso, natural que encontremos compatriotas nossos em cada sítio onde vamos a fazer uma grande diversidade de coisas que não se esgotam no pão ou na limpeza de escadas, como muitos quiseram rotular no passado. E somos bastante valorizados enquanto povo, pacífico, trabalhador e criativo, capaz de encontrar consensos e soluções. A nossa injeção do “desenrascanço” que levamos no sangue serve-nos para lidarmos com múltiplas situações de risco e ajuda a capacidade de adaptação a diferentes culturas e climas. Somos assim, respeitadores no trato e fáceis na comunicação.

É por isso uma pena que tenhamos tanta dificuldade em nos juntarmos e apoiarmos mutuamente na construção dessas comunidades e na receção dos nossos que vêm de fora. Noto sempre, para além de tudo o que de bom já referi, uma certa mesquinhez, uma dificuldade em lidarmos com o sucesso dos que vêm da nossa terra e alguma inveja em relação ao que conquistam. Em vez de nos unirmos e criarmos fortes condições de desenvolvimento conjunto, parece que passamos a vida a digladiar-nos, a competirmos connosco sem o mínimo sentido positivo de corporativismo. O que nos impede, por vezes, de crescer através de oportunidades comuns. Em vez de arranjarmos complementaridade, estamos sempre a pensar na galinha do vizinho e que o que ele sabe fazer nós também podemos.

Isso torna-nos um povo porreiro para os outros, mas muito desgastante e infrutífero entre os seus pares. A par disso, continuamos a deixar escapar por entre os dedos das mãos a grande força da Língua Portuguesa. Vejo as escolas francesas, americanas, alemãs e até suecas a crescerem e a instalarem-se nos países que falam português e nós continuamos agarrados ao passado com escolas caducas e com pouco apoio do Estado nesse sentido. Faz-me confusão ver tantos professores portugueses no desemprego e tanta falta deles nos países da CPLP.

O ensino da nossa Língua devia ser uma aposta prioritária. É na educação que está a base do nosso desenvolvimento e a força de uma língua comum aumenta a probabilidade de sermos maiores. Um mercado com cerca de 350 milhões de falantes é importantíssimo na conjuntura mundial e deve ser acarinhado e estimulado. O caminho para o futuro tem que passar obrigatoriamente por olharmos mais para a nossa Língua e para termos mais condescendência e solidariedade para com os nossos, ao invés de sermos só porreiros para os outros. O que é português também é bom. Muitas vezes até é melhor. Ponham os olhos no que se passa nas escolas portuguesas espalhadas por aí, vejam a força das outras e o perigo que isso pode representar para uma das nossas grandes mais valias.

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