18/2/19
 
 
João Gomes Almeida 08/02/2019
João Gomes de Almeida

opiniao@newsplex.pt

Enfermeiros: greves boas e greves más

A hipocrisia da esquerda é cómica. Chega a um ponto que se torna tão nonsense que até tem uns toques de humor à Woody Allen

Coerência é saber que quem vive no séc. xxi não devia comportar-se como se estivesse no séc. xix. Ninguém, felizmente, no Portugal de hoje, nasce condenado à pobreza. É claro que há uma elite de pessoas que pelo seu dinheiro de família, pelas influências do apelido, pelos colégios onde estudaram e até pelo ambiente em que cresceram têm, à partida, maior probabilidade de singrar na vida. No entanto, há casos, muitos casos, de quem nunca teve essas oportunidades e conseguiu chegar muito mais longe do que uma série de privilegiados que não sabem aproveitar as oportunidades que lhes metem à frente.

Não nego que haja desigualdade. Infelizmente, nem todos, incluindo eu, nascemos em famílias com herança como a do Robles. Nem em famílias que costumam ir ao brunch do Ritz, como a de Francisco Louçã. Nem todos, incluindo eu, tivemos a sorte dos filhos da secretária de Estado do PS – que os pôs a estudar num colégio privado ao mesmo tempo que apedrejava publicamente os contratos de associação. Nem todos somos hipócritas ao ponto de nos dizermos comunistas e depois sermos fotografados num hospital privado.

A hipocrisia da esquerda é cómica. Estranhamente querida, misteriosamente interessante. Chega a um ponto que se torna tão nonsense que até tem uns toques de humor à Woody Allen – talvez por serem todos um bocadinho bananas.

Faço parte de uma direita que não percebe o conceito de greve. Trabalho desde muito novo, nunca fui despedido, mas já me despedi várias vezes – não estava satisfeito, não queria aturar os meus chefes, achava que ganhava pouco ou simplesmente precisava de um novo desafio. Não fiz birras, greves ou choradeira. Não estava contente e fui-me embora. Nalguns casos mudei mesmo de área e de profissão. Quando achei que queria fazer as coisas à minha maneira, abri a minha empresa e fiquei a depender apenas de mim próprio e da minha capacidade de trabalho.

Ninguém obriga ninguém a ter um determinado emprego. Quem não está contente onde está pode simplesmente sair, ir fazer qualquer outra coisa ou mudar de país. É nesta liberdade que deviam assentar as democracias modernas. É por isso que não suporto o conceito de greves. É por isso que não suporto políticos que as apoiam.

Não tenho paciência para uma esquerda simultaneamente refém e manipuladora dos sindicatos. Que se dá ao luxo de escolher o que são as greves boas e as greves más. Tal como não suporto uma direita que queria ser de esquerda e que, de um momento para o outro, decide financiar e apoiar greves.

O que se passa com os enfermeiros é escandaloso. Estamos a brincar com a saúde das pessoas e estamos a colocar vidas em risco. Cada grevista tem as mãos manchadas pelo sangue daqueles que hoje estão sem tratamentos ou cirurgias nos hospitais públicos. Desculpem ser politicamente incorreto: por mim, eram todos despedidos.

 

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