16/2/19
 
 
Vítor Rainho 08/02/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Entre marido e mulher, meta a colher

O flagelo da violência doméstica não se resolverá de um dia para o outro e basta ver o que pensa do fenómeno o juiz Neto de Moura, que ilibou um agressor porque a mulher era adúltera. É, pois, uma questão cultural que terá de começar a ser combatida nas escolas primárias e com grandes campanhas publicitárias.

Mas enquanto as mentalidades não se alteram, é necessário perceber o que não funciona corretamente a partir do momento em que as mulheres apresentam queixa sucessivamente e a GNR e a PSP remetem os casos para o Ministério Público.

Haverá pessoas suficientes para tratar deste problema? Serão as pessoas destacadas no Ministério Público as certas, terão a mentalidade desejada?

Em 35 dias, nove mulheres foram assassinadas por familiares ou namorados e isso não pode passar sem uma grande discussão a nível nacional.

Na entrevista ao pediatra Mário Cordeiro, este fala da quantidade de raparigas, entre os 14 e os 16 anos, que acham normal serem agredidas pelos namorados, que estes possam vasculhar os seus telemóveis e controlar-lhes os passos. Quando assim é torna-se fácil perceber que é preciso um grande investimento na mudança de mentalidades. As novelas, os filmes e as séries portuguesas devem retratar estes casos para que todos percebam que ninguém pertence a ninguém e que a violência é uma coisa abominável.

Já no que diz respeito às autoridades, a Procuradoria-Geral da República devia formar juízes com uma sensibilidade do séc. xxi e garantir que os retrógrados do tempo do “entre marido e mulher, ninguém meta a colher” sejam afastados dos processos de violência doméstica. Se as queixas são consistentes é preciso arranjar formas de afastar os prováveis agressores das vítimas, nem que para isso se cometam algumas injustiças. Também a população em geral tem de estar mais desperta para o que se passa à sua volta e denunciar atos de agressões a mulheres temerosas de apresentarem queixa.

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