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Calor dos infernos. Morcegos morrem com o cérebro frito

Calor dos infernos. Morcegos morrem com o cérebro frito

AFP António Rodrigues 04/02/2019 20:07

Dias e noites excecionalmente quentes marcam este mês de recordes na Austrália

Nem sequer à noite os termómetros acalmam e o ambiente refresca. Na província australiana de Nova Gales do Sul (NSW na sigla em inglês), o mês tem sido de recordes, quer de dia quer de noite, com temperaturas mínimas registadas de 36,6 graus Celsius. Pela primeira vez em toda a história do país, janeiro superou os 30 graus de média. Pelo menos cinco dias deste mês estão entre os dez dias mais quentes da história da Austrália. Adelaide atingiu a mais alta temperatura de sempre, 47,7 graus, e depois bateu-a, com 49. O calor aumentou os incêndios e as admissões nos hospitais.

Os animais estão a morrer a “uma escala bíblica”, afirma o ecologista Justin Welbergen. Milhões de peixes apareceram mortos, cozidos na água extremamente quente de lagos e rios. E há uma grande preocupação com os morcegos raposa-voadora-de-óculos, endémicos no nordeste da Austrália, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão e Indonésia. Em novembro, dois dias de muito calor mataram 23 mil indivíduos, quase um terço dos 75 mil que se calculava existirem no país. O que poderá acontecer agora, quando estamos perante a pior onda de calor da história do país?

Para o climatólogo Andrew Watkins, a tendência de aquecimento que se vem sentindo na Austrália, com o aumento de um grau na temperatura média nos últimos 100 anos, contribui para as “condições inusitadamente quentes”. O especialista do Instituto de Meteorologia australiano diz que se registaram recordes não só de picos de temperatura como do tempo de duração da onda de calor, com mais de 20 dias de 40 graus ou mais. Em Cloncurry, na província de Queensland, os termómetros subiram acima de 40 graus durante 43 dias seguidos.

Os efeitos do aquecimento global são bem visíveis no clima australiano, já que enquanto em algumas zonas o sol queima, as chuvas da monção que atingiram Queensland foram tão fortes que a primeira-ministra da província, Annastacia Palaszczuk, lhes chamou algo que só acontece de 20 em 20 anos e declarou o estado de emergência – 200 milímetros de chuva desabaram em apenas seis horas na sexta-feira, depois de vários dias de tormenta, deixando muitas casas inundadas.

Enquanto as chuvas açoitavam Queensland, na Tasmânia os bombeiros viam-se a braços com meia centenas de fogos rurais, na conjunção combustível de campos secos com altas temperaturas. O recorde de janeiro veio na sequência de um dezembro de recordes, depois de dois dias de novembro que mataram morcegos em catadupa. E não se espera alívio em fevereiro: “A probabilidade é que o calor continue pelo menos até abril – com 80% de probabilidades de dias e noites mais quentes que o normal”, garante Andrew Watkins, citado pelo “Sydney Morning Herald”.

Um teimoso sistema de alta pressão que se mantém sobre o mar da Tasmânia bloqueia as frentes frias, impedindo a chegada do ar frio ao sul da Austrália e atrasando a monção no norte. Em muitas partes do país só caiu 20% da média habitual de precipitação para esta altura do ano, especialmente no sudeste, Victoria, partes de NSW e no sul.

Bill Shorten, líder da oposição trabalhista, comentando mais um episódio de morte em massa de peixes, afirmou que são “ingredientes para um desastre ecológico”. Se 2018 foi o terceiro ano mais quente de sempre na Austrália e 2017 o quarto, 2019 parece trazer notícias de novos recordes.

 

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