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“Terroristas estiveram em Braga a preparar atentado para o Euro 2004 no Porto”

“Terroristas estiveram em Braga a preparar atentado para o Euro 2004 no Porto”

Joaquim Gomes 04/02/2019 13:37

Carlos Anjos revela como foi evitado o ataque que tinha como alvo Durão Barroso 

O antigo inspetor-chefe da PJ Carlos Anjos revelou como foi evitado um ataque que teria como alvo Durão Barroso e outras altas individualidades portuguesas e estrangeiras, no Porto, aquando da sessão de abertura do Euro 2004, confirmando agora as informações que por essa ocasião foram desmentidas pelas autoridades nacionais.

Carlos Anjos, confirmou que “terroristas estiveram em Braga a preparar um atentado para o Porto aquando da sessão de abertura do Euro 2004, não se sabendo se seria no jantar de abertura, no Edifício da Alfândega do Porto, ou no jogo inaugural, no Estádio do Dragão”.

“Recebemos uma informação, três meses antes do início do Euro 2004, de que exatamente aqui, em Braga, encontrava-se um grupo algures a preparar um atentado terrorista, tendo em vista o maior evento da altura que era o campeonato europeu”, afirmou o investigador.

Carlos Anjos, que falava precisamente em Braga, nas Jornadas Parlamentares do CDS/PP, explicou, 15 anos depois dos factos, alguns pormenores inéditos, como o facto de “haver formas diferentes de encarar a situação, pois enquanto o SIS entendia que devíamos esticar a corda, até ao máximo, nós na PJ entendíamos não poder correr riscos”. 

E deu pormenores: “Nós, Polícia Judiciária, decidimos que quatro horas antes, se não houvesse mais nada, iríamos detê-los, pelo menos com base nos documentos falsos. Foi isso que fizemos, a decisão foi muito bem tomada e ultrapassamos aquele caso”, acrescentou Carlos Anjos.

“Daquelas quatro pessoas que detivemos, três delas eram claramente referenciadas como terroristas que foram expulsas de Portugal, foi uma boa decisão”, salientou o investigador, frisando que, “em Portugal, se não fizeram atentado foi porque a Polícia não o deixou”.

Suspeito cometeu atentado na Holanda “O certo é que um desses elementos, dos que foram então expulsos de Portugal, já sete meses depois fez um atentado que vitimou mortalmente o cineasta Theo van Gogh”, disse ainda Carlos Anjos, referindo nomeadamente Mohammed Bouyeri, um muçulmano radical com dupla nacionalidade, holandesa e marroquina, agora com 40 anos de idade, condenado a prisão perpétua, no ano de 2005, pelo Tribunal dos Países Baixos, devido ao ato terrorista.

A vítima, Theo van Gogh, de 47 anos, bisneto de um comerciante de arte do mesmo nome, que era irmão mais novo do pintor Vincent van Gogh e que realizara o filme “Submissão”, criticando o tratamento conferido às mulheres no mundo islâmico, foi assassinado quando andava de bicicleta em Amesterdão, abatido a tiro e esfaqueado por Mohammed Bouyeri. Na faca, espetada no peito de Van Gogh, foi encontrada uma carta com ameaças à deputada holandesa de origem somali, Ayaan Hirsi Ali, que tinha escrito o argumento do mesmo filme de Van Gogh.

“Nós na altura comunicámos aos nossos colegas europeus e agora se me perguntarem se eles vieram a Portugal ver o Europeu, eu tenho dúvidas, não acredito mesmo que viessem ao futebol com passaportes falsos, mas nós não poderíamos arriscar, porque nessas horas o diabo costuma ser mais amigo dos bandidos que dos polícias”, salientou Carlos Anjos. 
 

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