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Gripe. “Se me perguntarem se estamos em pico, não sei dizer”

Gripe. “Se me perguntarem se estamos em pico, não sei dizer”

Helena Garcia Rita Pereira Carvalho 01/02/2019 07:16

A atividade gripal continua em linha ascendente e a diretora-geral a Saúde, Graça Freitas, admite que o cenário pode piorar, adiantando que não sabe dizer se o país já atingiu o pico da gripe, ou não  

Ainda não se sabe se o país já atingiu o pico da gripe - revelou ontem a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. No entanto, a quarta semana do mês de janeiro registou mais mortes do que o esperado. Divulgado ontem, o boletim de vigilância epidemiológica da gripe do Instituto Ricardo Jorge mostrou que a semana passada manteve uma tendência crescente da atividade gripal, ainda que seja considerada de “intensidade moderada”. 

“Se me perguntarem se estamos em pico, eu não sei dizer. Só saberemos quando começarmos a descida desta curva. Pode aumentar ainda mais, mas não aumentará muito mais, previsivelmente, porque há quatro semanas que estamos a subir”, disse a diretora-geral da Saúde em conferência de imprensa.

 Graça Freitas aproveitou para mencionar alguns números da resposta dos serviços hospitalares durante este período. Por exemplo, foram ativados horários alargados em 117 centros de saúde e houve ainda 670 mil consultas em cuidados de saúde primários - “um número estável”, segundo a diretora-geral da Saúde. Em relação à linha SNS24, Graça Freitas disse estar muito satisfeita, já que “a linha foi utilizada por 46 mil pessoas”. 

Planos de contingência e cirurgias adiadas Em pleno período gripal, nem todos os hospitais do país ativaram os seus planos de contingência. A denúncia foi feita ontem pela  bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Ana Rita Cavaco explicou ao i que ativar os planos de contingência, “pressupõe contratar mais enfermeiros, mais auxiliares, entre outras medidas, nomeadamente aumentar o número de camas - que até durante o ano são reduzidas também pela falta de enfermeiros”. A elevada procura nos serviços de urgência obriga os hospitais a garantir o reforço das equipas e a utilizar todas as camas disponíveis. No entanto,  para isso acontecer, “é preciso investir mais dinheiro”, diz Ana Rita Cavaco. 

Perante um cenário de grande procura, os hospitais optam por adiar cirurgias de forma a garantir o apoio no serviço de urgência. “Temos neste momento inúmeros hospitais do país que, por causa do período gripal, estão a cancelar e a adiar cirurgias”, diz a bastonária, argumentando assim que as cirurgias não são adiadas única e exclusivamente por causa das greves cirúrgicas. Ana Rita Cavaco vai mais longe e diz ainda que existem mais motivos, como os “congressos médicos”. 

Ouvido pelo i, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, assumiu ontem não ter informação de que os hospitais estejam a adiar cirurgias por causa dos planos de contingência, mas relata crescentes dificuldades de planeamento devido à falta de autonomia nas contratações. “Os mecanismos de autonomia que temos hoje limitam muito a capacidade de os hospitais reforçarem a resposta em períodos como os da gripe. A gripe não afeta só a população em geral, afeta os profissionais de saúde. Neste momento não temos qualquer margem de manobra para substituir em tempo útil baixas de maior duração”, diz Alexandre Lourenço, explicando ainda que as respostas chegam a demorar meses, ou até um ano.

Em período normal, a percentagem de pessoas que recorrem à urgência e ficam internadas é de 8% a 9%. Já num período de gripe, o cenário muda e sobe até aos 12%, descreve. “São milhares de pessoas, a maioria com mais de 75 anos, com várias doenças”, diz. “O maior estrangulamento é na enfermaria e, por isso, surgem aquelas situações de macas nos corredores”.

Maior flexibilidade para contratação e planeamento de resposta é preciso, mas é também “necessário criar outras medidas para resolver o problema das urgências”, como “mais cuidados continuados, mais lares, para poder escoar os casos de internamentos de natureza social”, conclui Alexandre Lourenço, propondo ainda medidas que poderiam mitigar o impacto do frio na população mais idosa. “Sabemos que muitos pensionistas que são doentes crónicos têm dificuldade em comprar a medicação, devia pensar-se uma majoração das comparticipações. Também seria importante haver apoio para que os idosos com menos rendimentos pudessem aquecer as casas”.

Com Marta F. Reis 
 

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