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Carros elétricos serão assim tão amigos do ambiente? Pelo menos na produção, não

Carros elétricos serão assim tão amigos do ambiente? Pelo menos na produção, não

Dreamstime Sónia Peres Pinto 29/01/2019 11:23

Este tipo de veículos depara-se com alguns problemas ambientais, como na produção das baterias e a falta de reciclagem

Para muitos, um carro elétrico é sinónimo de amigo do ambiente. Mas não é bem assim. De acordo com o último relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), este tipo de veículos são melhores para o ambiente e para a qualidade do ar – emitem menos gases com efeito de estufa e poluentes atmosféricos em todo o seu ciclo de vida, comparando com os veículos a gasolina ou diesel – mas a sua fase de produção polui mais, nomeadamente devido à necessidade de extração e processamento de cobre, níquel e outras matérias-primas fundamentais para as bateria.

Aliás, esse risco é reconhecido pelo secretário-geral da ACAP, ao lembrar ao i que a maioria dos carros elétricos são produzidos na China e que a componente ambiental não é tida em conta no momento do fabrico. “São fábricas que recorrem ao carvão e, como tal, poluem muito”, diz Hélder Pedro.

Um outro estudo feito pelo Instituto Sueco de Pesquisa Ambiental (IVL) demonstra que a simples produção das baterias tem um impacto ambiental semelhante a conduzir um automóvel a gasolina durante vários anos.

E dá números. A produção das baterias de lítio corresponde a emissões de 150 a 200 kg de dióxido de carbono por cada kWh de energia gerada pela bateria. Isto significa que um Tesla com bateria de 100 kWh, a bateria com maior capacidade de armazenamento no mercado, já enviou 15 a 20 toneladas de CO2 para a atmosfera. Já um automóvel a gasolina com emissões de 120 g/km necessita de percorrer 125 mil quilómetros para emitir a mesma quantidade de dióxido de carbono.

A estes problemas há que somar outros.

É o caso da poluição das águas, associada à extração dos minérios necessários para as baterias, como o lítio e o níquel, ou a questão da reciclagem das baterias, que ainda só é feita a 50%. Ou ainda a dependência estratégica dos países detentores destas matérias primas, na verdade da China, que detém 95% das reservas de lítio.

Também Portugal está na corrida deste recurso mineral e já está no top 10 mundial das reservas de lítio. Ainda assim, é uma atividade que exige grande capacidade técnica e financeira das empresas que se dedicam à sua exploração.

 

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