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Venezuela. Protestos já fizeram 14 mortes

Venezuela. Protestos já fizeram 14 mortes

AFP Jornal i 24/01/2019 13:06

Dados de duas organizações não governamentais revelam que morreram 14 pessoas em dois dias de protestos contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro.

As mortes ocorreram "no contexto de manifestações em Caracas e noutras cidades do país, entre os dias 22 e 23 de janeiro", lê-se no comunicado conjunto das ONG Programa Venezuela de Educação, Ação em diretos Humanos (Provea) e Observatório Venezuelano de Conflituosidade Social (OVCS).

"A totalidade destas mortes produziram-se por impacto de bala", sublinham as organizações, que dão conta de que a cidade berço de Hugo Chávez, antecessor de Maduro, "acumula o maior registo de pessoas falecidas, com 4 mortos, todas ocorridas durante protestos, depois da convocatória feita pela Assembleia Nacional".

Seguem-se os Estados de "Táchira e o Distrito Capital com três mortos cada um", "Amazonas e Bolívar com duas mortes confirmadas" e o Estado de Portuguesa,onde há também uma morte confirmada.

"Treze das vítimas eram do sexo masculino e uma do sexo feminino. As idades das vítimas oscilam entre os 47 e os 49 anos de idade. Em 13 dos casos registados, os assassinados participavam em protestos pacíficos que foram atacados por agentes das forças públicas e/ou agrupações paramilitares", lê-se ainda no comunicado.

A Provea deixou também o alerta para “graves riscos para os manifestantes, que supõe a aberta atuação de corpos de elites como as Forças de Ação Especial e do Comando Nacional Antiextorção e Sequestro", organismos que na opinião da ONG “não possuem competências, equipamento e treino para gerir manifestações com apego aos princípios de uso progressivo e diferenciado da força".

Recorde-se que Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, sendo que a oposição no país e a maior parte da comunidade internacional não lhe reconheceu legitimidade na vitória eleitoral.

Esta quarta-feira, o recém-presidente da assembleia nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Pouco depois, os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, já reconheceram Juan Guaidó como o novo chefe de Estado.

Já o México, a Bolívia, Cuba, a Rússia, a China e a Turquia mantêm-se ao lado de Maduro, reconhecendo-o como o legítimo presidente, democraticamente eleito.

A União Europeia, por seu lado, apela a uma ida dos venezuelanos às urnas. "Os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional", afirmou, quarta-feira, a Alta Representante da UE para a Política Externa.

Em Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, sublinhou que o povo da Venezuela demonstrou já a sua respeito "à vontade inequívoca"  e considera que Nicolás Maduro tem de compreender que “o seu tempo acabou".

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