20/2/19
 
 
Skin. “Cresci a levar pontapés e não queria ser daquelas pessoas que aceitam”

Skin. “Cresci a levar pontapés e não queria ser daquelas pessoas que aceitam”

DR Davide Pinheiro 21/01/2019 18:37

No verão, os Skunk Anansie voltam a Portugal para atuar em Vilar de Mouros. O reencontro com um dos países onde o culto resistiu ao tempo

Estão a comemorar 25 anos com um álbum ao vivo. O concerto é a experiência definitiva com os Skunk Anansie?

Penso que sim. No fim de contas, somos uma banda de palco. Foi no primeiro concerto que tudo se abriu para nós. As pessoas gostaram de nós, ficaram convencidas e isso deu-nos força para continuar e gravar um álbum, dois álbuns...É estranho como nunca gravámos um álbum ao vivo antes. 

Se tivesse de comparar o primeiro concerto dos Skunk Anansie com o que são hoje, diria que a energia é a mesma?

Mudaram algumas coisas, mas o entusiasmo de dar concertos não mudou. Já não somos miúdos. Crescemos, mas há uma filosofia e uma raiva no som que se mantêm. Acho que estamos melhores. No princípio tínhamos a energia e a paixão, mas não éramos bons instrumentistas. Agora somos uma máquina oleada.

A raiva de que fala era geracional dos anos 90?

O rock é muito permeável à raiva. 

A ferocidade e o som das guitarras facilitam a exteriorização da revolta. Por isso, é um casamento clássico estar numa banda de rock e expressar um sentimento de raiva porque muito facilmente é música agressiva. O rock é a melhor forma de soltar a raiva. O rock e o hip-hop, provavelmente. 

Os Skunk Anansie nascem no caldo cultural da Londres dos anos 90. Continuam a ser uma mistura de personalidades e vontades?

Sim, essa é uma das grandes conquistas dos Skunk Anansie. Conseguimos ser diferentes, mas ter opiniões comuns. Somos grandes amigos e temos sorte por estar na banda e conservar a amizade. É o segredo para a nossa química. Pode ser óbvio, mas estar numa banda é muito intenso e implica trabalhar no duro, por vezes. Quando as pessoas são amigas, tudo é mais fácil. Se não são, é um pesadelo.

Estão a comemorar 25 anos com um álbum ao vivo. O concerto é a experiência definitiva com os Skunk Anansie?

Penso que sim. No fim de contas, somos uma banda de palco. Foi no primeiro concerto que tudo se abriu para nós. As pessoas gostaram de nós, ficaram convencidas e isso deu-nos força para continuar e gravar um álbum, dois álbuns...É estranho como nunca gravámos um álbum ao vivo antes. 

Se tivesse de comparar o primeiro concerto dos Skunk Anansie com o que são hoje, diria que a energia é a mesma?

Mudaram algumas coisas, mas o entusiasmo de dar concertos não mudou. Já não somos miúdos. Crescemos, mas há uma filosofia e uma raiva no som que se mantêm. Acho que estamos melhores. No princípio tínhamos a energia e a paixão, mas não éramos bons instrumentistas. Agora somos uma máquina oleada.

A raiva de que fala era geracional dos anos 90?

O rock é muito permeável à raiva. 

A ferocidade e o som das guitarras facilitam a exteriorização da revolta. Por isso, é um casamento clássico estar numa banda de rock e expressar um sentimento de raiva porque muito facilmente é música agressiva. O rock é a melhor forma de soltar a raiva. O rock e o hip-hop, provavelmente. 

Os Skunk Anansie nascem no caldo cultural da Londres dos anos 90. Continuam a ser uma mistura de personalidades e vontades?

Sim, essa é uma das grandes conquistas dos Skunk Anansie. Conseguimos ser diferentes, mas ter opiniões comuns. Somos grandes amigos e temos sorte por estar na banda e conservar a amizade. É o segredo para a nossa química. Pode ser óbvio, mas estar numa banda é muito intenso e implica trabalhar no duro, por vezes. Quando as pessoas são amigas, tudo é mais fácil. Se não são, é um pesadelo.

Quando o feminismo ainda não era uma questão muito debatida, a Skin já tinha essa atitude quer em palco, quer nas letras. Foi consciente?

Absolutamente. Estava apenas a ser eu. Era impossível desligar-me do que sou. Sou preta, gay e queer. E sou uma mulher. Nada disso podia ser esquecido. Cresci a levar pontapés da sociedade e não queria ser daquelas pessoas que simplesmente aceitam. Não queria aceitar aquilo que me diziam que devia ser, o que devia fazer, como me devia comportar ou o que devia parecer. Percebia que isso era da minha conta e que devia fazer o que me apetecia em relação a ser mulher, preta e gay. Sempre achei que o problema não era meu, era dos que criticavam. Essas pessoas deviam investigar e informar-se antes de me dizerem o que eu devia ser. Não ia ser eu a educá-las ou a mudar-lhes o comportamento. Nem sequer queria ensinar-lhes nada. Queria apenas expressar-me da forma que sou e que sinto. 

Foi uma luta complicada?

Limitei-me a ser eu. (sorri) Nunca pensei demasiado sobre isso porque, como disse, o problema não sou eu. As pessoas sexistas têm de olhar para elas e perceber que a sociedade não deve ser assim. E de onde é que isso vem. 

Pensa que hoje há uma consciência coletiva mais avançada sobre essas questões ou os sinais políticos recentes são um alerta?

Em geral, melhorou muito. As pessoas estão muito mais informadas e compreensivas. O diálogo é muito mais aberto em relação a esses temas. A consciência coletiva é muito superior agora, independentemente de vir do Instagram ou de outra rede social. Em paralelo, o avanço da extrema-direita é muito preocupante. Estamos a assistir ao avanço dessas pessoas enquanto pretos e gays são atacados. Por outro lado, temos mais informação sobre as questões legais que possam servir de defesa. E sobre as implicações da extrema-direita. Toda a gente está mais esclarecida e o debate é mais abrangente. E, apesar dos problemas, estamos melhor do que estávamos. 

A canção “Yes It’s Fucking Political” (do álbum “Stoosh”, de 1996) tornou-se uma das mais importantes para os Skunk Anansie. Foi um grito de revolta quando a política começava a diluir-se na agenda das bandas rock?

Essa canção resultou de termos recebido críticas negativas por sermos políticos, quando tudo é político. E cada vez mais. Não há nada que façamos que não tenha uma consequência política. No que comemos ou noutro ato qualquer. Essa canção é ainda mais relevante agora porque é mais importante reconvocar o tema agora. Essa canção foi uma declaração de intenções. Sermos politizados não nos ia ajudar a vender mais discos, por isso foi tão importante ter sido escrita numa fase de grande popularidade. Ter uma visão política foi perdendo importância quando é tão necessário agora, por exemplo, em relação a temas como a imigração. 

Foi uma surpresa terem sido tão populares?

Hum, quando começámos a banda foi por sentirmos necessidade de nos expressarmos. E claro que, se pudéssemos ser bem-sucedidos, queríamos ser bem-sucedidos e vender discos, mas não pensávamos nisso. Tudo o que queríamos era ser cada vez melhores, escrever canções intemporais para que as pessoas pudessem ouvir os Skunk Anansie para sempre. Essa era a intenção inicial. Nem sequer definimos objetivos para o que seria o sucesso para nós. Começámos porque queríamos fazer uma banda. O resto veio por consequência. 

Porque é que se separaram, em 2001?

Sentíamo-nos exaustos. Se era para parar, era quando estivéssemos em cima, e não em baixo. Mas acabámos por voltar quando fez sentido e ainda aqui estamos. 

Voltaram por serem amigos e para responder à vontade dos fãs?

Exato. Não foi só pelos fãs. Houve um momento em que foi possível para toda a gente estar livre e voltar dos compromissos anteriores. 

A segunda vida é muito diferente da primeira?

Acho que nos dá mais gozo. A primeira vida foi difícil. Tudo aconteceu muito depressa. O sucesso foi imediato e muito exaustivo. E era um tempo muito diferente de estar numa banda. Agora, escrevemos canções juntos e estamos muito mais unidos. Além disso, a forma como a música circulava antes não tinha nada a ver. A nossa popularidade é anterior ao Napster e a toda a pirataria, por isso, a indústria era muito diferente. 

São mais independentes agora.

Sim, fazemos tudo. Não temos editora. Estamos por nossa conta e temos mais controlo sobre todas as questões. A internet e as redes sociais também deram às bandas a possibilidade de comunicarem diretamente com o público sem haver uma máquina no meio a dizer o que vende. 

Sempre tiveram uma relação especial com Portugal. Como começou?

É verdade. Portugal foi um dos primeiros países onde fomos muito populares. E isso ajuda a explicar porque chegámos aqui e estamos a comemorar 25 anos. É por isso que continuamos a vir cá [a entrevista foi em Lisboa] desde 1997. Acho que foi o ano do primeiro concerto. Foi muito marcante nessa altura. Quando vimos cá, já reconhecemos pessoas e somos abordados na rua. É um país muito familiar para nós. 

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