19/6/19
 
 
José António Saraiva 21/01/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Veni, vidi, vici

É esta a frase que melhor se aplica a um jogador português que veio de Itália para o Sporting – e que, passadas meia dúzia de semanas, era titular da equipa principal.

Nasceu no Norte, na Maia, e começou no Boavista. Distinguiu-se nas seleções nacionais jovens e aos 18 anos, antes de atingir a idade adulta, mudou-se para Itália, para um modesto clube – o Novara. Ao contrário de grande parte dos jogadores que vão para o estrangeiro, em Portugal nunca tinha representado um clube grande.

Em itália teve um percurso ascendente – depois do Novara, a Udinese e a Sampdoria –, mas nunca deslumbrou. “Felizmente para o Sporting, em Itália nunca o descobriram”, disse Jorge Jesus, que o foi buscar ao futebol italiano e o pôs a jogar pouco depois de chegar a Lisboa. Tinha 23 anos acabados de fazer.

Faz confusão como não se afirmou lá fora – pois em Portugal impôs-se com enorme facilidade, num clube exigente como o Sporting. Ainda esteve meia dúzia de jogos no banco, mas rapidamente ascendeu a titular indiscutível. Corria, jogava e fazia jogar a equipa. Marcou golos incríveis. Pouco depois era chamado à seleção nacional.

Depois dos acontecimentos de Alcochete rescindiu o contrato com o clube mas, qual filho pródigo, regressou a Alvalade com Sousa Cintra. Nesta altura já era uma estrela – a ponto de Cintra lhe ter prometido a braçadeira de capitão e o estatuto de grande patrão da equipa.

E é isso que é hoje: o grande patrão da equipa do Sporting. Mas, apesar de já ser uma estrela, tem uma entrega ao jogo própria de alguém que luta ainda por um lugar: corre incansavelmente, esforça-se, não dá uma jogada por perdida, mete sempre o pé ou a cabeça nos lances divididos. Corre riscos – até, por vezes, excessivos. Dada a sua importância na equipa, o treinador talvez preferisse que não arriscasse às vezes tanto.

Faz lembrar João Pinto – não o defesa, mas o avançado, o que jogou no Benfica (e depois no Sporting). Curiosamente, ambos começaram no Boavista. Tem como o outro uma energia transbordante, joga também a médio ofensivo e marca golos. Mas tem sobre João Pinto várias vantagens: é mais vertical, joga mais para a frente, faz passes surpreendentes, isolando companheiros, e remata melhor. São raras as semanas em que não marca – e que golos marca! Alguns são verdadeiras bombas, outros são toques de classe.

É raro um jogador afirmar-se tão rapidamente. Hoje já é unanimemente considerado um dos melhores jogadores do nosso campeonato. Resta saber se ficará muito tempo em Portugal. Pode ser que o facto de ter saído muito cedo para o estrangeiro o faça pensar duas vezes antes de voltar a sair. Já foi emigrante e regressou. Mas é difícil conservar toda a vida no nosso campeonato um jogador como ele.

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