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Segurança. Polónia reforça lista de países que querem banir Huawei

Segurança. Polónia reforça lista de países que querem banir Huawei

Sofia Martins Santos 15/01/2019 11:42

Governo polaco admite acabar com a utilização desta marca nos serviços públicos e não afasta a possibilidade de apertar a legislação. Com a empresa na mira da União Europeia, há já vários países a falar da existência de riscos para a segurança. Mas esta não é a única gigante com problemas. A Apple encontrou na China o inimigo número um e a Samsung foi obrigada a rever objetivos

As portas têm-se fechado para a Huawei. A China e os EUA envolveram-se numa guerra comercial que já fez correr muita tinta e que se agravou com a detenção da diretora financeira da empresa a pedido dos EUA. O conflito levantou várias questões relacionadas com a segurança nacional e as consequências noutros países não tardaram a aparecer. O Reino Unido, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia avançaram mesmo com a decisão de afastar a Huawei das infraestruturas de telecomunicações dos respetivos países. Agora, a polémica chegou à Polónia. 

De acordo com a Reuters, fonte do governo polaco revelou que está a ser estudada a hipótese de banir os equipamentos e a tecnologia desta marca no país, principalmente quando o assunto são os serviços públicos. Depois de dois funcionários da Huawei terem sido presos por fortes suspeitas de espionagem, as posições têm-se extremado. As autoridades começaram por dizer que as detenções estavam relacionadas com comportamentos individuais, mas o cenário parece ter mudado entretanto. O governo polaco admite agora a possibilidade de fechar o mercado à Huawei. 

“Não temos formas legais de obrigar empresas privadas ou cidadãos a parar de usar produtos de qualquer empresa de TI”, garantiu à Reuters Karol Okonski. No entanto, o que não existe tem sempre espaço para ser criado e, por isso, o responsável pela cibersegurança admite que a Polónia tem estado a considerar “alterações legislativas que permitam tal decisão”. 

A Huawei tem tentado tomar posição. Há muito que nega as acusações de que os equipamentos acabam por ser usados para espionagem, mas as questões que se levantam são mais abrangentes. Um outro tópico que tem merecido especial atenção é a relação da empresa com o governo chinês, que ontem veio a público defender a marca. “Apenas através dos factos e evidências podemos julgar quais são as empresas que representam uma ameaça à segurança nacional; acredito que a reputação da Huawei é reconhecida pelos seus parceiros e esperamos que as partes relevantes possam parar de difamar e coibir a Huawei e outras empresas chinesas”, declarou Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. 

Já a empresa optou por reagir através de comunicado: “A Huawei cumpre com todas as leis e regulamentos vigentes nos países onde opera e exigimos que todos os funcionários cumpram com as leis e regulamentos dos países onde residem.”

Pouco convencidas estão as autoridades polacas, que deram conta de buscas nos escritórios da Huawei e da Orange em Varsóvia.

Portugal contra a maré Com tantos países a optarem por fechar a porta à Huawei, muitos podem questionar-se sobre a posição portuguesa. Corremos o risco de uma tomada de posição semelhante? A verdade é que, apesar de a União Europeia se assumir cada vez mais “preocupada” com esta empresa e de a ter colocado na mira por questões de segurança, Portugal aproveitou a vinda do presidente chinês, Xi Jinping, para que fosse assinado um acordo entre a Altice e a Huawei. Em questão está o de-senvolvimento da tecnologia de quinta geração (5G) em Portugal, país onde, de acordo com os dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a empresa já investiu 40 milhões de euros desde 2004.

Importa referir que o desenvolvimento da rede 5G servirá para conectar, por exemplo, carros autónomos, fábricas e equipamento médico, entre outros. E é por ter este papel tão importante – que será ainda maior num futuro não muito distante – que muitos países começaram a considerar as redes de telecomunicações como ativos estratégicos para a segurança. 

China vinga-se na Apple Para espanto de muitos, em dezembro do ano passado, a China decidiu proibir a venda de iPhones no país. A decisão foi anunciada depois de um tribunal chinês ter determinado o fim das vendas e das importações de inúmeros modelos da marca da maçã. Entre eles estavam o iPhone 6S, iPhone 6S Plus, iPhone 7, iPhone 7 Plus, iPhone 8, iPhone 8 Plus e o iPhone X.

Na base desta posição esteve uma acusação da Qualcomm. Esta fabricante de microchips norte-americana tem estado a tentar resolver a questão em tribunais de todo o mundo porque alega que foram violadas duas patentes. Uma das acusações tem a ver com ferramentas que permitem editar imagens e a outra diz respeito ao próprio ecrã dos telemóveis. Com a tomada de posição a favor desta empresa, as vendas da gigante Apple ficaram suspensas no país. De acordo com a CNN, a notícia não podia ter caído pior no seio da empresa da maçã porque falamos de modelos que representam cerca de 15% das vendas totais na China. Em resposta, a Apple apressou-se a recorrer da decisão deste tribunal e garante mesmo que todos os modelos da marca continuarão a ser vendidos: “O esforço da Qualcomm para proibir os nossos produtos é outro movimento desesperado de uma empresa cujas práticas ilegais estão a ser investigadas por reguladores em todo o mundo.”

Para já, com este recurso, a Apple poderá continuar a vender os modelos proibidos pelo tribunal até à decisão final, que ditará o futuro da empresa num mercado tão importante. 

Recorde-se que o novo ano não trouxe boas notícias e não podia ter começado pior para a Apple. As ações começaram a cair depois de Tim Cook, CEO da empresa, ter assumido que as vendas deverão ficar aquém do que seria ideal para a empresa manter contas semelhantes ao que já foi o passado da grande empresa da maçã. 

De acordo com vários analistas, a Apple acabará mesmo por ser obrigada a responder com uma descida dos preços dos iPhones. De acordo com a empresa Wedbush Securities, a forçar uma posição de emergência está exatamente a queda das vendas destes aparelhos no mercado chinês. 

Samsung em maus lençóis Também a Samsung se viu forçada a rever as previsões. Resultados diminuídos é o que se pode esperar. De acordo com a gigante sul-coreana, esta redução nas previsões tem na base o corte na procura que se tem registado no negócio de chips.

À margem disto, a empresa também tem atravessado uma fase controversa. Há pouco tempo, a Bloomberg dava conta de uma polémica relacionada com a marca e o Facebook. Um pouco por todo o mundo apareceram testemunhos de utilizadores que não conseguiram apagar a aplicação do Facebook. Ao que tudo indica, esta questão só se levanta porque existe um acordo entre a rede social e a Samsung. A única opção é desativar a aplicação, mas há quem questione se, desta forma, fica interdito o acesso a determinados dados ou se, como diz Jeff Chester, diretor executivo do Center for Digital Democracy, as pessoas começarão a perceber cada vez mais que “andam a alimentar um espião dentro do bolso”.

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