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Greve cirúrgica. Enfermeiros avançam para greve se reunião “não for favorável”

Greve cirúrgica. Enfermeiros avançam para greve se reunião “não for favorável”

Diana Tinoco Beatriz Dias Coelho 14/01/2019 21:03

Palavras são de Catarina Barbosa, uma das enfermeiras do movimento “Greve Cirúrgica”, que chegou este sábado aos 400 mil euros na campanha de angariação de fundos para a segunda greve da classe

À segunda, os enfermeiros repetiram a façanha. Depois de na primeira campanha de crowdfunding o movimento “Greve Cirúrgica” ter conseguido angariar 360 mil euros para financiar a inédita greve prolongada nos blocos operatórios de cinco hospitais - que decorreu de 22 de novembro a 31 de dezembro nos blocos operatórios de cinco hospitais -, agora os enfermeiros conseguiram, dois dias antes do final do prazo estipulado, que terminava hoje, segunda-feira, ultrapassar os 400 mil euros que pediam para uma segunda greve.

Hoje era também o dia em que se iniciava a segunda paralisação prolongada da classe, mas a reunião da última sexta-feira entre os sindicatos e o Ministério da Saúde e das Finanças ditou a sua suspensão até quinta-feira, dia 17, data para a qual está agendado novo encontro entre as estruturas sindicais e a tutela. No final da reunião de sexta, os responsáveis dos sindicatos admitiam aos jornalistas suspender a greve caso o ministério agendasse nova reunião para a próxima quinta-feira, o que acabou por acontecer no sábado e, em resposta, os sindicatos suspenderam a paralisação. Ao i, Catarina Barbosa, uma das representantes do movimento “Greve Cirúrgica”, assinalou este domingo que “suspender a greve não é o mesmo que cancelá-la”. E garantiu: “Vamos ver o que sai da reunião e se a reunião não for favorável, avançamos logo para a greve na sexta-feira, dia 18”. Caso a greve seja, entretanto, desconvocada, o dinheiro será devolvido aos mais de 10 mil apoiantes pelo grupo que dinamizou o movimento, uma vez que a plataforma PPL, onde decorre a campanha de angariação, não devolve as doações quando o objetivo já foi atingido. Quanto à competência para marcar, suspender ou desconvocar a greve, lembra Catarina, é dos sindicatos.

Na reunião, o governo não assinou o memorando de entendimento proposto, e os sindicatos esperam agora que a tutela o faça na próxima reunião, em relação a todas as reivindicações. Caso isso não se verifique, o passo seguinte é então a greve.

A última reunião, de resto, deu frutos e, depois de vários meses de luta, os enfermeiros viram parte das suas reivindicações satisfeitas. O i tentou, sem sucesso, chegar à fala com os dois sindicatos por trás da paralisação, inicialmente marcada entre 14 de janeiro e 28 de fevereiro - a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e ao Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor). Mas numa nota enviada às redações, o Ministério da Saúde explicava que o governo o governo aceitou uma estrutura de carreira com três categorias, entre as quais a categoria de enfermeiro especialista. “Para esta categoria, com início na posição remuneratória 18 (1355,96 euros), transitarão, automaticamente, todos os enfermeiros que detenham o título de especialista e desempenhem as respetivas funções”, lê-se no comunicado. O Governo comprometeu-se também com o descongelamento das progressões na carreira para todos os enfermeiros. Por aceder ficaram o aumento salarial e a antecipação da idade de reforma, que a classe também exigia.

“Há colegas a dar dois e três mil euros” Na sexta-feira, quando faltavam cerca de 30 mil euros para a meta dos 400 mil, Catarina Barbosa dizia ao i acreditar que conseguiriam angariar os 400 mil euros. “Mesmo que não conseguíssemos, recorríamos ao dinheiro que sobrou da primeira campanha” para assegurar que cumpriam o objetivo. A ideia seria usar esse dinheiro como complemento, apesar de, tratando-se de dinheiro angariado, ser sujeito a uma comissão de 7,5 euros - como mandam de resto as regras do portal PPL, onde decorre a angariação. Mas antes de recorrerem a essa hipótese, explicou Catarina Barbosa, os enfermeiros podiam sempre prolongar a campanha de angariação por mais duas semanas para atingirem o valor pretendido.

A enfermeira mostrava-se confiante quanto ao desfecho da campanha, não só pelo resultado conseguido na primeira angariação - que ultrapassou em mais de 60 mil euros o objetivo -, como também pelo facto de vários colegas estarem empenhados em coletas nos próprios serviços dos hospitais. “Há colegas a dar dois e três mil euros”, disse ao i Catarina Barbosa.

A primeira greve dos enfermeiros levou ao cancelamento de dez mil cirurgias programadas, de acordo com os números divulgados pelos sindicatos. Como nenhuma das reivindicações foi satisfeita pela tutela, os enfermeiros por trás da primeira greve decidiram avançar para a segunda, que desta vez afetará os blocos operatórios de sete hospitais - os dois centros hospitalares do Porto, Braga, Vila Nova de Gaia/Espinho, Entre Douro e Vouga, Tondela/Viseu e Garcia de Orta.

A polémica dos privados A primeira greve ficou marcada pela polémica de que teria sido paga pelos privados, para daí retirarem proveitos. Questionada, Catarina Barbosa remete para um estudo que foi partilhado na página de Facebook do movimento, “com gráficos cedidos pelo PPL”, que mostra que as doações anónimas correspondem a cerca de 60 mil dos 360 mil euros angariados. “E eram doações muito pequenas, de 10, 20 ou 50 euros. Se fossem os privados por trás, a quererem tirar algum proveito, certamente que fariam contribuições maiores”, acredita Catarina.

Na primeira greve participaram cerca de 600 profissionais, recebendo cada um 42 euros por dia de paralisação.

 

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