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Metro de Lisboa. Pontapé de saída para a polémica linha circular

Metro de Lisboa. Pontapé de saída para a polémica linha circular

Miguel Silva Sofia Martins Santos 10/01/2019 18:15

Para o governo, a expansão da rede do metro, com mais duas estações, é “o melhor investimento”. Ministro do Ambiente diz que obra ficará concluída em 2023, mas Costa não se compromete 

O governo arrancou o ano com os anúncios de quase todos os investimentos que serão feitos nos transportes. Ontem foi a vez do Metropolitano de Lisboa (ML), com a abertura do concurso público internacional para a expansão da rede do Metropolitano de Lisboa, entre o Rato e o Cais do Sodré. Lançado este concurso, todos os interessados passam a ter 30 dias para apresentar as propostas. Em causa está um investimento que se deverá situar em cerca de 210 milhões de euros e que permitirá a criação da tão polémica linha circular e das novas estações de Santos e da Estrela.

De acordo com o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, as obras de expansão vão arrancar já em outubro e prolongar-se-ão, no máximo, por quatro anos. No entanto, António Costa diz que não se compromete com datas. Mas vamos a pormenores. 

“Estimamos assinar o contrato entre junho e julho, o que permitirá que a obra propriamente dita se inicie em outubro deste ano de 2019. A declaração de impacto ambiental já está aprovada e por isso confiamos que no final de 2022, início de 2023, esta obra vai estar ao serviço de todos os lisboetas e de todos os que procuram Lisboa”, garantiu o ministro do Ambiente, acrescentando que o projeto é de máxima importância porque vai permitir aumentar o número de passageiros e ainda reduzir o tempo de espera. Estas são as promessas base deste projeto. Mas Costa diz haver um “grande risco” ao falar de datas porque basta um contratempo para existirem atrasos. 

Ainda assim, o governo destaca outros pontos essenciais: “Vamos conseguir ter comboios a passar com intervalos inferiores a quatro minutos entre eles. Estamos a falar de mais 8,9 milhões passageiros por ano em consequência desta nova empreitada, desta construção e conclusão da linha circular”.

 Para mostrar a importância do objetivo apresentado, o executivo de Costa sublinha mesmo que os números de crescimento estimados fazem sentido quando a base é o que tem sido a tendência dos últimos tempos. “No ano de 2018 foram transportados mais de 168 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 4,3 por cento em relação ao ano anterior. O que significa que o Metro de Lisboa está a funcionar melhor”. Espera-se, com este plano de expansão, que cresça ainda mais, até porque ganha especial urgência limitar o número de pessoas que recorrem ao carro para fazer deslocações, refere ainda o governo.

De acordo com o Metropolitano de Lisboa, a nova estação da Estrela, que ficará numa das extremidades do Jardim da Estrela, servirá uma parte da cidade que é “primordialmente residencial”. Já a de Santos, a ideia é que sirva principalmente, além das áreas residenciais, a Assembleia da República, o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) ou o Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE). No entanto, as alterações a fazer nos próximos anos podem não ficar aqui. Nos planos do executivo de António Costa está já o alargamento até Alcântara.  

Como fica e como se paga? De acordo com fonte do Ministério do Ambiente, citada por vários órgãos de comunicação, a empreitada vai estar alicerçada em três fontes de financiamento: 83 milhões de euros serão comparticipados pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos; outra parte é garantida pelo Fundo Ambiental e uma outra será assegurada com recursos do próprio metropolitano, através da polémica alienação de um terreno em Sete Rios [ver todas as polémicas nas págs. 22-23]. 

Como será o desenho da linha no final da obra? Com a  criação de uma linha circular, passa a haver uma linha amarela a assegurar a ligação de Telheiras a Odivelas [ver diagrama]. De fora não fica, no entanto, a ideia de haver um prolongamento até ao Colégio Militar, garante o Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa. De acordo com o plano de expansão da rede do metro, a empresa prevê ainda o então anunciado prolongamento do Rato ao Cais do Sodré, com as duas novas estações Estrela e Santos. No caso da estação do Cais do Sodré, haverá remodelações, assim como estão também contempladas intervenções nos viadutos do Campo Grande.

Para o governo, o passo dado não podia ser mais positivo e nem a chuva de críticas [ver págs. 22-23], que sempre envolveu este projeto, afastou o entusiasmo. Para o executivo de António de Costa, não fazem sentido: “Sempre tive muita dificuldade em compreender a polémica em torno da linha circular. Este é o investimento que melhor estrutura toda a rede do metro. Sendo em Lisboa, é aquele que melhor serve quem vem de fora, nomeadamente, de Cascais ou da Margem Sul”. 

Importa ainda referir que, face aos problemas de sobrelotação de carruagens e atrasos constantes, o governo garante que está em marcha o “concurso para a aquisição de 14 novas unidades triplas”, assim como “para toda a nova rede de sinalização do metro”. 

Já em relação às expropriações que serão necessárias, Vítor Domingues dos Santos, presidente do Metropolitano, prevê que rondem os 6 a 9 milhões de euros: “São pouco significativas”, disse. 
 

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