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Pequim mobiliza mísseis capazes de afundar navio de guerra dos EUA

Pequim mobiliza mísseis capazes de afundar navio de guerra dos EUA

Greg Baker / AFP António Rodrigues 09/01/2019 19:59

Um contratorpedeiro dos EUA navegou de propósito junto às ilhas de Paracel, que a China reclama como suas mas cuja soberania é disputada

A tensão no mar da China Meridional voltou a aumentar, depois de um navio de guerra norte--americano ter propositadamente navegado dentro das 12 milhas do arquipélago de Paracel, conjunto de ilhas, recifes e bancos que a China ocupou como seu mas cuja soberania é reclamada por Taiwan e Vietname. 

Em resposta, o governo chinês mobilizou na terça-feira os sofisticados mísseis DF-26, mísseis balísticos de última geração que podem transportar ogivas nucleares ou convencionais e que são capazes de afundar navios de médio e grande porte, como um porta-aviões ou o contratorpedeiro USS McCampbell, envolvido na operação de terça-feira nas ilhas Paracel.

A porta-voz da Frota do Pacífico, Rachel McMarr, afirmou às agências de notícias que a operação tinha sido levada a cabo para desafiar as excessivas reivindicações marítimas. Mas também se pode ler como a resposta de Washington ao recente discurso do presidente chinês, Xi Jinping, garantindo que a China está disposta a usar a força, se necessário, para reunificar Taiwan.

“O lado chinês opõe-se de modo firme à ação relevante do lado americano e insta os EUA a acabarem com as provocações. Continuaremos a tomar as medidas necessárias para salvaguardar a nossa soberania e a nossa segurança nacional”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang.

Numa altura em que os dois países estão em negociações com vista a resolver a guerra comercial em que se envolveram, a tensão estratégica entre ambos parece ir em crescendo, numa série de atos de exibição de força das duas grandes potências internacionais.

As operações navais norte-americanas no mar da China Meridional, numa zona onde nos últimos anos têm acontecido vários episódios de alta tensão, são consideradas uma “provocação” pelo governo chinês.

“Os navios de guerra dos dois países vão acabar por estar muito próximos e é fácil que haja um mal-entendido ou um erro de julgamento, até mesmo uma colisão”, explicou à Reuters Zhang Junshe, investigador no Instituto de Estudos de Investigação Naval Militar. “Se houver uma colisão, na essência, será culpa dos Estados Unidos”, acrescentou.

Os mísseis DF-26 estão montados sobre plataformas móveis que foram enviadas para o planalto do noroeste da China e áreas desérticas, onde são mais difíceis de intercetar, como disse um especialista militar chinês ao “Global Times” na quarta-feira. Na fase inicial, o míssil vai a uma velocidade relativamente mais lenta e pode ser facilmente detetado. Na última fase de voo, como a velocidade é muito mais alta, as possibilidades de interceção diminuem consideravelmente. E como o míssil tem um alcance de 3 mil a 4 mil quilómetros, pode ser disparado bem desde o interior do território chinês.

Desde que entraram ao serviço do Exército Popular de Libertação, em setembro de 2015, esta é a primeira vez que a China mobiliza publicamente os mísseis DF-26, de acordo com a informação avançada pelo canal de televisão chinês CCTV.

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