27/6/19
 
 
Luís Natal Maques 09/01/2019
Luís Natal Maques
Opinião

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Falemos de igualdade

“Igualdade é a inexistência de desvios ou incongruências, sob determinado ponto de vista, entre dois ou mais elementos comparados (...)” in Wikipédia 

Vivemos hoje num mundo globalizado, num mundo em que a informação corre de forma célere e em que todos estamos em cima dos acontecimentos, sejam eles quais forem. A globalização marca profundamente as sociedades contemporâneas, com influências mais do que evidentes nas nossas maneiras de pensar e de viver, nos nossos comportamentos, enfim. 

A globalização não é algo que tenha exclusivamente a ver com o mundo das finanças e dos negócios. Como diz Giddens (um entre muitos filósofos) no seu livro “O Mundo na Era da Globalização”: “É um erro pensar que a globalização só diz respeito aos grandes sistemas, como a ordem financeira internacional.” “A globalização é política, tecnológica e cultural, além de económica.”

Quando falamos da sua dimensão cultural há que referir a dicotomia, sempre mal resolvida, da uniformidade versus diversidade. Até pode parecer um paradoxo falar disso, até porque, no mundo de hoje, o senso comum associa a globalização à uniformização, à padronização a todos os níveis. Mas será?

Julgo que uma das causas (entre outras porventura mais importantes) dos extremismos será a recusa da padronização imposta pela globalização, que gera sentimentos de revolta porque as mudanças culturais acontecem (ou são impostas) a um ritmo incompatível com a capacidade de absorção das mesmas: tudo acontece depressa demais, tudo se precipita, em sociedades pautadas pelo tradicionalismo.

Talvez por isso esta tendência para a uniformização seja sistematicamente desafiada pela pluralidade das diferenças, ao ponto de nalguns casos não ser mais possível afirmar, como antigamente, que uma das características que definem um Estado-nação é, de alguma forma, o património cultural comum aos seus habitantes. As culturas, que dantes estavam cada uma no seu próprio espaço, no seu próprio território, estão hoje numa coexistência espacial que as obriga ao convívio e ao diálogo, porque a globalização fomenta a circulação das pessoas, das ideias e culturas que elas transportam. 

Nas sociedades, sabemos que a diferenciação dos indivíduos aparece como forma de se identificarem enquanto membros de um determinado grupo e, no contexto das sociedades mais globalizadas, o conflito de culturas aparece muitas vezes como uma inevitabilidade. Essa a razão pela qual a diversidade cultural e o multiculturalismo passaram, a partir de certa altura, a ser alvo de intensos debates centrados na questão do respeito mútuo e da igualdade. Mas convenhamos que esta tem sido uma preocupação dos países ocidentais, os mesmos que, por razões “comerciais”, acabam por conviver bem com os atropelos à liberdade/igualdade noutras paragens. 

Mas do que falamos nós quando nos dizemos sensíveis às questões da igualdade? O que é verdadeiramente, para nós, a igualdade? Falamos de quê? De igualdade social, em sentido estrito? De igualdade de direitos? Da igualdade de deveres? De igualdade económica? De igualdade de oportunidades? Da igualdade perante a lei? De que falamos?
E como conviver com as diferenças na perspetiva da igualdade? Discriminando positivamente? Tratando todos por igual? 
Estas são questões sobre as quais muito raramente nos interpelamos a nós próprios, uma vez que nos limitamos quantas vezes a reproduzir lugares-comuns. E as questões não são de fácil resposta porque, no fim de contas, as sociedades atuais são muito sensíveis às questões da igualdade, ao mesmo tempo que os cidadãos exigem o direito à diferença. 
Em que ficamos?

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