27/6/19
 
 
Marta F. Reis 09/01/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Sem direito a perguntas

O acordo de financiamento do aeroporto do Montijo foi assinado ontem numa cerimónia em que estiveram presentes o primeiro-ministro e ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, mas os jornalistas que se deslocaram ao local não puderam colocar-lhes perguntas. 

Num tempo em que o Presidente da República telefona a uma apresentadora de um programa matinal para lhe desejar boa sorte e em que o ministro das Finanças participa num programa de humor/comentário político, para referir dois exemplos recentes que dão imagem de acessibilidade, não deixa de parecer contraditória a postura de negar respostas à comunicação social, para mais estando em causa um projeto que representa um investimento a longo prazo para o país e que tem suscitado dúvidas ambientais e estratégicas.

A falta de disponibilidade para o exercício de escrutínio manifesta-se noutras ocasiões, com outros intervenientes, não é de agora, mas é algo com que vivemos, mesmo quando não damos dela nota. “Temos hoje um manancial de informação imenso, gratuito, instantâneo, de tantas fontes diversas e plural, mas nunca como agora tivemos os eleitos tão distantes dos seus eleitores, nunca houve tanta abstenção.

Esta abertura é positiva e os políticos têm procurado aumentar a proximidade com os eleitores, mas sem intermediação, através das redes sociais. Basta ver o Instagram ou o Facebook de dirigentes políticos nacionais para perceber que muitas vezes exibem um lado mais pessoal das suas vidas, revelando que há mais vida para além da política”, comentava esta semana num artigo do i José Aguiar, docente na pós-graduação em Comunicação e Marketing Político do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, notando que a maré não faz o marinheiro. “A comunicação política, capaz de gerar empenhamento e mobilização para o voto, tem que ser coerente, consistente e recorrente”, concluía. Não permitir perguntas a jornalistas é um mau caminho.

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