19/9/19
 
 
Vítor Rainho 07/01/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Os sem-abrigo precisam é de ajuda médica

Só assim se reduzirá fortemente o problema dos sem-abrigo. Mas enquanto as doenças psiquiátricas forem menorizadas pela sociedade, pouco haverá a fazer...

Marcelo Rebelo de Sousa tem um mérito inquestionável: desde que tomou posse, tem chamado a atenção para os mais desfavorecidos, abandonando o conforto do Palácio de Belém e indo saber como vivem as pessoas mais desfavorecidas. Nunca ninguém o tinha feito com tanta regularidade nem com tanta simplicidade.

É, pois, de louvar a presidência aberta de Marcelo Rebelo de Sousa, que põe a nu alguns dos problemas da sociedade. Além do Presidente da República há outros atores políticos que não se cansam de alertar para os problemas com que se debatem largos milhares, senão milhões, de portugueses que vivem no limiar da pobreza. Tudo isto, repito, é mais do que louvável.

Mas fico com algumas dúvidas de que Marcelo, quando vai visitar os sem-abrigo que habitam nas ruas de Lisboa, não tenha quem lhe faça o trabalho de casa: que se saiba, e não vi ninguém dizer o contrário, António Bento, chefe de serviço de psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, e pioneiro na criação de uma equipa de rua para acompanhar doentes psiquiátricos que vivem nas ruas, é uma verdadeira sumidade na questão. E o que já disse várias vezes António Bento? Que há muito poucos pobres sem-abrigo, pois a larga maioria sofre de problemas psiquiátricos, muitos são esquizofrénicos e outros são alcoólicos.

E é aqui que reside o principal problema: o Estado não tem tido formas de ajudar os doentes psiquiátricos, “alguns em estado muito grave”, que dormem na rua à noite. Bento, em recente entrevista ao i, explicava o fenómeno: “Nunca houve nenhum reconhecimento oficial da importância daquilo a que chamam saúde mental e que eu chamo psiquiatria e, portanto, basicamente continua a haver os problemas do álcool, das drogas e das psicoses.” Pessoas essas que as famílias não conseguem tratar e que caberá ao Estado arranjar formas de o fazer. Só assim se reduzirá fortemente o problema dos sem-abrigo. Mas enquanto as doenças psiquiátricas forem menorizadas pela sociedade, pouco haverá a fazer...

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