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Casamentos são negócio de 800 milhões de euros em Portugal

Casamentos são negócio de 800 milhões de euros em Portugal

Dreamstime Sofia Martins Santos 06/01/2019 09:18

Os portugueses casam menos, mas gastam mais. É uma tendência que começou há uns anos e veio para ficar. A justificar o fenómeno está o facto de o preço médio ter aumentado. Há de tudo, para todos os gostos e carteiras. Se quer, por exemplo, um pedido de casamento extravagante, pode fazê-lo na Lua, a partir de 2022, por 125 milhões de euros

Há quem diga que casar já esteve mais nada moda; que os casamentos duravam mais noutros tempos; que é dinheiro deitado fora. No entanto, enquanto uns falam, outros fazem. E a verdade é que em Portugal continuam a realizar-se casamentos praticamente em todos os dias do ano. Ainda que existam dias mais populares do que outros e até meses mais apetecíveis, há sempre quem esteja a escolher subir ao altar. E, muito embora o país seja dado a um elevado número de divórcios e o número de cerimónias possa não ser igual ao de outros tempos, falamos de um negócio que não se tem vindo a retrair. Muito pelo contrário. Vamos a contas. De acordo com os responsáveis pela Exponoivos, o evento de referência no setor do casamento em Portugal, “se formos a pensar que há 20 anos tínhamos um número de casamento em Portugal que rondava os 80 ou 90 mil, hoje estamos a falar de uma realidade com 33 ou 34 mil casamentos”. No entanto, desengane-se quem pensa que se tem vindo a perder dinheiro. 

De acordo com os dados disponibilizados ao i, os portugueses casam menos, mas a indústria fatura mais. Em 2003, os casamentos eram um negócio de 700 milhões de euros. Ou seja, um negócio verdadeiramente multimilionário no país. Em média, em cada matrimónio gastavam-se 10 mil euros. Como se realizavam cerca de 70 mil casamentos por ano, o volume de negócios gerado rondava os 700 milhões de euros. Agora, os números mostram uma nova realidade, mas com valores ainda mais animadores para a indústria. Com cerca de 33 ou 34 mil casamentos por ano, “é uma industria que fatura 800 milhões de euros, o que tem um peso importante da nossa economia”. 

Como se chega aqui? Fácil. De acordo com António Manuel Brito, diretor da Exponoivos, “um casamento médio em Portugal custa atualmente 26.151 euros, assim como o mínimo e o máximo despendido está avaliado respetivamente em 14.338 euros e 37.965 euros”. Na verdade, falamos de valores que se atingem facilmente porque “têm em conta os 12 serviços/produtos básicos e essenciais no casamento, nomeadamente, fotografia e vídeo, lua-de-mel, vestido de noiva e fato de noivo, flores, aluguer de carro, convites, brindes, animação, alianças, bolo de noiva, e boda para 100 convidados. Comparativamente assiste-se a uma evolução quantitativa ao longo das décadas, atualmente superior a 74% e 31% relativamente aos custos representados em 1994 e 2004, respetivamente”. 

A justificar muito este crescimento exponencial no volume de negócios está, na opinião dos responsáveis pelo evento, a “evolução de um mercado cada vez mais consolidado e exigente na diferença e na qualidade, que motivou um acréscimo de consumo acompanhado pelo maior poder de compra dos noivos. Embora tenham de contrair matrimónio mais tarde, permite-lhes ser mais exigentes e pretender que o dia do seu casamento seja único”.

E será que dizer que casamos mais tarde faz mesmo sentido ou é apenas senso comum? Segundo as estatísticas, o adiamento da idade do casamento é mesmo uma tendência que se tem mantido ao longo das últimas décadas, para ambos os sexos. A idade média do primeiro casamento, em 2017, situou-se em 33,2 anos para os homens e 31,6 anos para as mulheres, o que compara com 32,8 anos e 31,3 anos, respetivamente, em 2016.

A conseguir gerar milhares de empresas diretas e indiretas nos mais de 40 subsetores de atividade envolvidos nesta indústria, “o volume de negócio gerado pelo casamento em Portugal contribui quase com 0,5% do PIB”. O peso desta indústria não é, aliás, uma surpresa para quem a acompanha de perto. Já em 2014, um estudo sobre as tendências dos últimos anos em Portugal mostrava que, em duas décadas, os portugueses continuaram a casar cada vez menos, cada vez mais tarde, muito mais pelo civil, mas a abrir muito mais os cordões à bolsa na hora de realizar o dia com que todas as noivas sonham. 

Para os mais céticos em relação aos valores, pode até dizer-se que há questões ligadas ao casamento com valores astronómicos. No ano passado, por exemplo, ficou a saber-se que, em 2022, vai ser possível pedir alguém em casamento na Lua. Ter acesso a este pedido extravagante, sobrevoando a superfície da Lua, é uma ideia da agência parisiense ApoteoSurprise, e passa a ser possível por 125 milhões de euros. Aqui, a frase romântica “gosto de ti daqui até à lua” ganha um novo sentido, mas só para quem a carteira permite ficar a “ver estrelas”. 

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