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Discos, o que é e o que poderá ser 2019

Discos, o que é e o que poderá ser 2019

Davide Pinheiro 04/01/2019 00:05

A morte do álbum foi manifestamente exagerada. O streaming foi um sopro de vida para o formato longo e ainda que, em 2018, uma das tendências tenha sido o seu encurtamento de forma a encontrar um equilíbrio entre o tempo e a falta dele. Nos próximos 365 dias, a música vai continuar a ver o mundo ao espelho e a salvá-lo, isso é certo. E se já há inúmeras edições com dia marcado, por outras tantas se suspira como por água no deserto

 

Xutos & Pontapés 

Duro

O primeiro álbum dos Xutos & Pontapés sem Zé Pedro tem uma carga emocional incalculável. Talvez por isso, a primeira canção conhecida de “Duro” seja uma balada: “Mar de Outono”. Zé Pedro ainda participou nas gravações do disco que coincide com os 40 anos da banda e que volta a distar cinco anos do anterior “Puro”. Edição a 18 de janeiro e concertos de apresentação logo a seguir: 25 de janeiro no Lisboa Ao Vivo e 1 de fevereiro no Hard Club no Porto

Sharon Van Etten 

Remind Me Tomorrow

Estão maiores as canções de Sharon Van Etten. Das canções já reveladas de “Remind Me Tomorrow”, abdicou do minimalismo da voz e guitarra para somar arranjos de sintetizadores e guitarra. “Jupiter 4” e “Comeback Kid” são escuras e taciturnas. Não perderam a solidão que lhe é característica mas do ponto de vista sonoro, ganharam novas camadas que preenchem o vazio. Edição a 18 de janeiro, concerto em Portugal a 11 julho no Palco Sagres do NOS Alive.

Panda Bear 

Buoys

Ainda o novo aeroporto era discutido entre a Ota e Alcochete, e já Panda Bear se mudava para o Bairro Alto, vislumbrando em Lisboa qualidades que nem os lisboetas reconheciam. E se Dino D’Santiago serviu de guia de Madonna pela marialva, no caso de “Buoys” é mesmo convidado. O elo de ligação pode bem ser o produtor nova-iorquino descendente de portugueses Rusty Santos. “Buoys” vê a luz do dia a 8 de fevereiro e tem, de certeza, Lisboa no sangue.

Mayra Andrade 

Manga

Paris foi durante vários anos a primeira casa da cabo-verdiana mas Mayra Andrade sentiu o apelo da afrolisboa e por cá se fixou há três anos. Ato contínuo dessa aproximação, sentou-se à mesa com Branko em “Reserva Pra Dois”. E “Manga”, o fruto dessa relação, sairá do ventre a 8 de fevereiro. Uma mistura de afrobeat, ritmos cabo-verdianos e modernidade eletrónica que faz sonhar com novos sabores tropicais para uma voz quente à espera do mundo.  

Stereossauro 

Bairro da Ponte

Os “Verdes Anos” dos Beatbombers abriram a porta à materialização de um álbum inteiro de diálogo entre as poções rítmicas do hip-hop e o fado. Participam em “Bairro da Ponte”, que chegou a estar previsto para o final deste ano, vozes como as de Ana Moura, Carlos do Carmo, Gisela João e Paulo de Carvalho, mas também de Slow J ou Rui Reininho. Na canção que o apresenta, “Flor de Primavera”, há um beat seco e a voz de Camané. Como sempre, como dantes. 
 

Kanye West 

Yandhi

O ano foi famoso no mau sentido para Kanye West. “Ye” foi mal recebido e é o primeiro álbum mediano de uma obra repleta de monumentos e transformações. Talvez por isso, tenha decidido guardar “Yandhi” para novembro, adiando a promessa para 2019 sine die. O risco é a profissão de Kanye West mas o disco anunciado mexe em terreno sacrossanto. “Yandhi” pretende ser uma sequela de “Yeezus”. Mas primeiro é preciso que a música fale mais alto do que o Twitter. 


Carlos do Carmo

O último álbum de Carlos do Carmo esteve para sair em 2018 mas o sprint de outono da editora Universal com de Luísa Sobral, António Zambujo e Pedro Abrunhosa, em semanas quase consecutivas, adiou a edição. Pouco mais se sabe, além do essencial. A um ano de entrar no clube dos octogenários, Carlos do Carmo grava pela última vez mas quem o ouve com atenção sabe que a efeméride só o fará ser ainda mais exigente. 

Madonna 

Que Madonna vive em Lisboa é do conhecimento universal. Resta saber que Lisboa mora nas canções do novo álbum de Madonna. O seu guia foi um músico: Dino D’Santiago. E a “Blitz” adianta que um sample de Blaya vai ser licenciado, além de vários cantores terem gravado com a estrela pop em Paço D’Arcos. Muito provavelmente, ouvir-se-á um dueto com Anitta. Em concreto nada se sabe, mas as hipóteses são muitas. 

Kendrick Lamar 

Kendrick Lamar “está sempre” a trabalhar em música nova. E Isaiah Rashad, um dos rappers camarada da Top Dawg Entertainment, revelou ter ouvido um “álbum finalizado” do Dylan e Springsteen das ruas. Em resposta, o patrão da editora Anthony Tiffith, assegurou que não. E a verdade manteve-se, pelo menos, até final deste ano. Mas depois da bem sucedida banda sonora de “Black Panther”, Lamar deve ter algo a dizer sobre esta América. 

Vampire Weekend

 A explosão do indie nova-iorquino já foi há dez anos e os Vampire Weekend já nem precisam de usar Clearasil. Cresceram e emagreceram a formação, já que Rostam Batmanglij deixou a banda para escrever canções, para ele e para os outros (Carly Rae Jepsen, por exemplo). A grande interrogação é essa: como irá a banda reagir sem o compositor de algumas das suas opus pop da juventude em marcha? Para ouvir em 2019 e ver no NOS Alive. 
 

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