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Manoel de Oliveira. Uma obra por fim completa

Manoel de Oliveira. Uma obra por fim completa

Cláudia Sobral 18/12/2018 18:41

Nos 110 anos do nascimento de Manoel de Oliveira - data redonda possível para o cineasta que morreu em 2015, aos 106 anos, uma retrospetiva, agora sim, e por fim, completa à obra do realizador que filmou até ao fim. Porque desde a década de 1980 foram três as “integrais”, que a Cinemateca lhe dedicou no passado, a última delas há dez anos. Entre este mês e janeiro regressa-se na Barata Salgueiro a todo (até ao mais invisível) Manoel de Oliveira, num ciclo a resgatar o título de uma curta de 2005: “Do Visível ao Invisível”

A Caça (1963)

Defendido por alguns com o mais buñueliano dos filmes de Manoel de Oliveira, “A Caça”, uma alegoria sobre o destino humano entre a ficção e o documental que teve o seu final alterado por imposição da censura, é exibido na versão que inclui os dois finais. Na mesma sessão, “O Acto da Primavera”, de 1962. Dois dos filmes que marcaram aquela que é considerada a primeira fase da obra de Oliveira, iniciada ainda no tempo do cinema mudo com “Douro, Faina Fluvial”.
18 de dezembro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro; repete a 27 de dezembro, às 15:30, na mesma sala

O Passado e o Presente (1972)

Uma “sátira social sobre uma mulher obcecada pelas memórias dos maridos defuntos”, e por isso incapaz de amar os vivos. Eis “O Passado e o Presente”, o primeiro da tetralogia dos amores frustrados - ou o grande necrofilme português, como lhe chamou César Monteiro - com que, aos 64 anos, Oliveira inaugurava aquela que é considerada a segunda fase da sua obra. 
19 de dezembro às 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro; repete a 28 de dezembro, às 15h30, na mesma sala

Benilde ou a Virgem Mãe (1975)

Depois de “O Passado e o Presente”, “Benilde ou a Virgem Mãe”, segunda obra da tetralogia inaugurada pelo primeiro e que viria a consagrar internacionalmente o cineasta portuense. Uma revisitação à peça homónima de José Régio, no teatro protagonizada por Maria Barroso e Augusto de Figueiredo, que Oliveira colocaria nos papéis da criada e do padre. 
19 de dezembro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro

Amor de Perdição (1978)

Uma adaptação de Camilo Castelo Branco em que o original da literatura é respeitado “quase na íntegra” para aquele que foi considerado um dos maiores - e mais polémicos - filmes de Manoel de Oliveira. Um filme que estreou com duas versões em que foram utilizados takes diferentes dos mesmos planos: uma para cinema, outra televisiva, exibida em três episódios. 
20 de dezembro às 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro

Le Soulier de Satin (1985)

Com uma duração de quase sete horas, exibido numa sessão com dois intervalos, “Le Soulier de Satin” é uma adaptação integral da obra em que Claudel conta a história de D. Rodrigo de Manacor. Considerado por alguns a grande obra de Manoel de Oliveira (foi com ela que, em 1985, venceu o Leão de Ouro em Veneza) é, aí sem grande dúvida, um dos mais ambiciosos filmes da história do cinema.
5 de janeiro às 15h30, na Sala M. Félix Ribeiro

Mon Cas (1986)

Um filme em francês a partir de três textos - “O Meu Caso”, de José Régio, que lhe dá o título, “Pour en finir et autres foirades”, de Samuel Beckett, e o “Livro de Job”, da Bíblia - e com o de José Régio ao centro. Apresentado de três formas: em palco, numa montagem acelerada e ainda “em marcha atrás”. Tudo a terminar com um quadro da civilização moderna com o “Livro de Job” e uma recriação de Piero della Francesca. Com um colossal Luís Miguel Cintra ao lado de Bulle Ogier, a atriz “número um”.
28 de dezembro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro; repete a 7 de janeiro, às 15h30, na mesma sala 

Os Canibais (1988)
A partir da obra homónima de Álvaro do Carvalhal, um filme-ópera em diálogo com o anterior “Mon Cas”. Neste caso, vem o filme  cantado, com música de João Paes. Considerado um dos “mais livres” de toda a filmografia de Oliveira, “Os Canibais”, apresentado numa nova cópia de 35mm, desafia os limites da perversão das relações amorosas e do sacrifício carnal.
26 de dezembro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro; repete a 9 de janeiro, às 15h30, na mesma sala

Vale Abraaão (1993)

Provavelmente o mais visto, e revisto, dos filmes de Manoel de Oliveira, para o qual se inspirou na Madame Bovary de Flaubert como Agustina Bessa-Luís a viu no seu romance de 1991, também “Vale Abraão”. Rodado no Douro para essa tal Bovary à portuguesa, tem como protagonista, no papel de Ema, Leonor Silveira, descoberta por Oliveira para “Os Canibais”.
7 de janeiro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro; repete a 16 de janeiro, às 15h30, na mesma sala

O Gebo e a Sombra (2012)

Ficaria esta como a última longa-metragem do cineasta de quem se esperou por várias vezes que um filme fosse o último. A partir de uma peça de Raul Brandão, a história de Gebo, um contabilista atormentado pela ausência do filho, João, cujo regresso mudará tudo. Um filme sobre a pobreza, “terrível e austero”, porque “o dinheiro nunca se perdoa”. Com um elenco a juntar aos habituais Luís Miguel Cintra e Leonor Silveira, Michael Lonsdale (Gebo) e ainda Claudia Cardinale e  Jeanne Moreau.
31 de janeiro às 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro

Visita ou Memórias e Confissões (1982)

Deste não pode dizer-se que seja o último título de Manoel de Oliveira, mas foi o último a ser visto. Rodado para estrear a título póstumo ainda nos primeiros anos da década de 1980 na casa da Rua Vilarinha, no Porto, sua casa de família desde os anos de 1940 e que foi forçado a vender por essa altura, à qual se junta a reconstituição da sua detenção pela PIDE em 1963, quando conheceu Urbano Tavares Rodrigues, “Visita ou Memórias e Confissões” é o filme autobiográfico que o realizador quis manter inédito até à sua morte, em 2015, aos 96 anos. 
21 de dezembro às 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro

 

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