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Coletes amarelos em Portugal. Extrema-direita apoia mas não faz parte da organização

Coletes amarelos em Portugal. Extrema-direita apoia mas não faz parte da organização

DR Beatriz Martinho 17/12/2018 14:38

Presidente do Partido Nacional Renovador (PNR) afirma ao i que o partido apoia os protestos agendados para sexta-feira, mas garante que não faz parte da organização. Já a esquerda não pretende envolver-se nas iniciativas. No entanto, o movimento dos coletes amarelos quer dissociar-se dos partidos políticos

Os protestos dos coletes amarelos – que prometem bloquear as estradas no dia 21 de dezembro, à semelhança do que aconteceu em França – são apoiados pelo Partido Nacional Renovador (PNR). Mas o partido de extrema-direita português garante que não faz parte da organização. As suspeitas de ligação entre o movimento e o partido extremista começaram quando o PNR partilhou no Facebook páginas ligadas à manifestação. O presidente do partido, José Pinto Coelho, garantiu ao i que “o PNR não está envolvido na organização”.

“O que acontece é que subscrevemos grande parte das reivindicações dos coletes amarelos como, por exemplo, o sentimento de revolta contra os impostos indiretos nas energias e nos combustíveis. Como tal, desde o início que temos vindo a apoiar e a partilhar. E tencionamos lá estar”, afirmou o líder do partido.

Para José Pinto Coelho, não é possível saber “o que virá dali”. E, por isso, o PNR nunca aceitaria organizar um evento que “não pode controlar”. O nacionalista lembra que em França, inicialmente, a Frente Nacional – “um partido congénere do PNR” – apoiou o movimento dos coletes amarelos. Mas acabou por se afastar quando os protestos “descambaram”. 
Apesar de não ter receio de que as manifestações marcadas para sexta-feira sejam violentas, “porque nós não somos iguais aos franceses”, José Pinto Coelho afirma que não sabe “quais são as reivindicações que queiram vir a cavalgar”. “Portanto, não podemos subscrever as coisas totalmente. Se as coisas descambarem no tipo de atuação ou no tipo de reivindicação, aí recuamos”, defendeu.

Sobre a partilha do evento no Facebook do PNR, o presidente do partido explica que foi feita porque acham que a causa é “justa” e defendem as mesmas reivindicações. “Também estamos contra esta pasmaceira que se vive e contra a impunidade da corrupção. Não é preciso perceber de economia para perceber que basta que deixassem de roubar para os portugueses viverem melhor. Concordamos com isso tudo”, justificou.

Já os membros do movimento dos coletes amarelos não parecem estar tão certos das ligações com o PNR. Através de um manifesto partilhado numa das páginas ligadas aos protestos de sexta-feira – intitulada “Vamos Parar Portugal Como Forma de Protesto” –, os organizadores dissociaram-se de qualquer partido ou linha ideológica. “O Movimento Vamos Parar Portugal foi iniciado por um grupo de cidadãos comuns, sem cores partidárias nem aspirações a tal. Não defendemos nem atacamos ideologias raciais, nem do género. O nosso objetivo visa exclusivamente a corrupção e o uso de dinheiros públicos”, escreveram.

Um dos membros do movimento reiterou ao i que não fazem parte de nenhum partido e que estão “cansados dos partidos que estão no poder há 40 anos”. “Queremos partidos novos e deputados independentes”, referiu Anabela Andry.
Caso não consigam “mudar as coisas por fora”, a participante no movimento dos coletes amarelos garante que vão fazê-lo “por dentro” ao formar um novo partido, “o Partido Do Povo (PDP)”. “Aí vamos ver se as pessoas votam em quem anda há 40 anos a roubar ou em caras novas com promessas para o futuro”, defendeu.

Nas redes sociais há quem acuse o PNR de estar a infiltrar-se na revolta e de querer ganhar simpatizantes com a ligação ao movimento dos coletes amarelos. E Anabela Andry partilha dessa opinião. “O PNR está a aproveitar-se da situação para subir no poder. Nós não partilhamos a ideologia deles nem os seus planos”, esclareceu.

José Pinto Coelho nega a acusação e garante que “tudo o que o PNR faz dá a cara por isso”. “Nunca nos apropriamos de coisas que não são nossas. Até partilhámos o evento no Facebook a pedido de participantes no movimento”, indicou.

Já a esquerda pretende afastar-se do movimento. Segundo apurou o i, o Bloco de Esquerda não vai estar presente em nenhuma das manifestações agendadas para sexta-feira. O PCP afirmou ao i que o movimento “tem visivelmente associada a presença de organizações de extrema-direita” e que, por isso, é “óbvio” que os comunistas não irão envolver-se em nenhumas das iniciativas.

Coletes amarelos sob radar da PSP

A Polícia de Segurança Pública afirmou ao i estar atenta a “qualquer movimento ou manifestação que se desenrole na sua área de responsabilidade e que, pela sua dimensão e dinâmica, possa pôr em causa a segurança e tranquilidade pública”. No entanto, esta manifestação tem data marcada para uma altura em que já decorre a operação “Festas Seguras 2018-2019 – Viva o seu Natal com a nossa segurança”.

Polícias fardados e carros-patrulha fazem parte da vertente visível desta operação, mas há também um lado mais secreto. Agentes das Equipas de Reação Tática Encoberta (ERTE) vão estar distribuídos em pontos sensíveis, acompanhados por elementos do Grupo de Operações Especiais (GOE), com carros descaracterizados.

A PSP vai ainda colocar, em zonas onde se encontrem mais aglomerados populacionais, os chamados “ouriços” – bolas de metal com picos para evitar atropelamentos em massa.
 

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