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Enfermeiros lançam recolha de fundos para prolongar greve

Enfermeiros lançam recolha de fundos para prolongar greve

João Girão Marta F. Reis 12/12/2018 16:38

Movimento quer juntar 400 mil euros até ao início de janeiro. Associação dos Administradores Hospitalares reitera a necessidade de conhecer casos graves a precisar de resposta e pede liderança à tutela.

No dia em que o primeiro-ministro garantiu no parlamento que as cirurgias canceladas por causa da greve dos enfermeiros poderiam ser remarcadas e executadas até março, isto não havendo mais anulações, o cenário de tréguas parece ter ficado ainda mais afastado. À hora a que decorria o plenário na AR era colocada online uma nova campanha de angariação de fundos, verbas com que o movimento que promove a greve promete apoiar financeiramente os enfermeiros que aderiram à paralisação nos blocos operatórios. A ideia é, até 14 de janeiro, reunir 400 mil euros para uma “greve cirúrgica 2”. Nas redes sociais, epicentro da mobilização dos enfermeiros, discute-se a hipótese de alargar o protesto a mais hospitais.

“Ao 14.o dia, a intransigência governamental mantém-se. Mas nós também nos mantemos firmes e estamos prontos a ir até onde for preciso, para que nos tomem com a seriedade necessária e assumam as negociações connosco”, disse em comunicado o Sindepor, uma das estruturas sindicais que convocaram o protesto, em curso desde 22 de novembro nos cinco maiores hospitais do país.

Se, do lado da Ordem dos Médicos e dos administradores hospitalares, há denúncias de doentes graves sem operação, não se descartando situações em que possa existir risco de vida, a Ordem dos Enfermeiros traça um cenário distinto.

Depois de uma reunião com os enfermeiros-chefes dos hospitais em greve, a bastonária Ana Rita Cavaco negou ontem qualquer situação em que se tenha colocado em risco a vida dos doentes. A responsável tornou a assegurar que os enfermeiros estão a trabalhar para lá dos serviços mínimos e apontou baterias aos médicos: “Espero que não haja outra classe profissional a tentar amedrontar as pessoas e a tentar cavalgar uma greve que não é deles, é dos enfermeiros.”

No parlamento, o primeiro-ministro revelou que até à última sexta-feira tenham sido adiadas 4176 cirurgias – nesse dia, os números dos sindicatos apontavam 5 mil operações canceladas. Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, defendeu ao i que, além destes números, a tutela já deveria ter divulgado o levantamento dos casos graves que não estão a ter resposta.

Lourenço classifica a situação atual nos hospitais como “muito grave” e apela a uma liderança mais forte por parte do Ministério da Saúde para minimizar o impacto sobre os doentes. “Há doentes em risco de perda de capacidade, doentes ortopédicos, de cirurgia vascular, com descolamentos de retina”, garante o administrador. Situações que podem ser “irreversíveis”, como perda de visão ou amputações, são as principais preocupações.

Numa altura em que a tutela ainda não se pronunciou sobre medidas adicionais para lidar com o impacto da greve, por agora convocada até ao final do ano, Alexandre Lourenço adianta que uma das hipóteses que estão a ser equacionadas é a deslocação de equipas de cirurgiões dos hospitais em greve a outros hospitais do SNS para dar seguimento aos doentes mais complexos.

À hora de fecho desta edição tinham sido reunidos os primeiros 7300 euros para a greve cirúrgica 2, com donativos de 269 apoiantes. Para financiar a atual paralisação, marcada até ao fim do ano, os enfermeiros angariaram 360 mil euros. “Esta campanha é tudo ou nada, o que quer dizer que, se no dia 14/01/2019 não tivermos atingido a meta, os fundos serão devolvidos e a continuidade da luta posta em causa”, lê-se no site de crowdfunding onde decorre a coleta.

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