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Estacionamento. Concessionárias de parques em risco de perder metade das receitas

Estacionamento. Concessionárias de parques em risco de perder metade das receitas

Diana Tinoco Rita Pereira Carvalho 12/12/2018 16:25

A Câmara Municipal do Porto não está a renovar as concessões dos parques de estacionamento da cidade, optando por passá-los para a esfera pública.

A municipalização de parques de estacionamento – como o dos Poveiros e o do Palácio de Cristal no Porto – e a reserva de lugares para residentes pode colocar em risco 50 por cento das receitas dos concessionários.

O caso mais recente diz respeito à Invicta, já que em março deste ano a câmara não renovou a concessão do Parque dos Poveiros e do Parque do Palácio de Cristal à Empark, líder ibérica de estacionamento comprada em 2017 pela australiana Macquarie, ficando assim aprovada a municipalização da gestão dos dois parques.

Ricardo Rodrigues, da Empark, desvaloriza no entanto a notícia do fim da concessão: “Não se coloca a questão da perda de receita de 50%. Naturalmente que se perde aquela receita e, apesar de importante, não tem esse peso. A Câmara Municipal do Porto decidiu municipalizar, o contrato acabou, mas temos planos de negócios que já preveem estas situações. Estamos a falar de uma concessão de 20 anos, sabendo que terminando, terminou. Nesta fase, optaram, politicamente, em municipalizar o parque”, concluiu.

Esta mudança significa, para os automobilistas, uma diminuição dos preços a pagar nos dois parques, já que os valores baixaram agora com a gestão camarária para metade. O município usou também os argumentos financeiros para justificar a decisão de não renovação dos contratos com a Empark. A comparação entre as receitas da autarquia provenientes das concessões do Parque dos Poveiros e do Parque do Palácio de Cristal com as receitas dos parques geridos pelo município é significativa. Com as concessões, a Câmara do Porto só conseguia uma receita líquida mensal de 9 mil e 200 euros. Já com o parque de estacionamento da Trindade, por exemplo, a receita é de 23 mil euros.

No caso do Parque dos Poveiros, com 278 lugares, neste momento a avença mensal está fixada nos 80 euros, valor que baixa para os 30 no caso dos residentes. Já no Parque do Palácio de Cristal, com 490 lugares, o valor da avença mensal é de 65 euros para os utilizadores normais e de 30 euros para residentes.

 

O caso de Madrid

A passagem do Parque dos Poveiros e do Parque do Palácio de Cristal para a esfera municipal foi feita a custo zero, depois de 20 anos de exploração. Perante este cenário, as empresas concessionárias dizem estar em risco. Além da apreensão causada pelo receio de que decisões idênticas venham a ser tomadas com outros parques de domínio privado, temem que as câmaras municipais sigam o exemplo de Madrid.

A capital espanhola aprovou no final de outubro um projeto para aumentar a qualidade de vida e a segurança do espaço urbano. Na prática, foram criadas zonas de baixas emissões com uma área total de 472 hectares, exclusiva a residentes e proibida a veículos a gasolina registados antes de 2000 e a diesel antes de 2006. Quem não for residente e for proprietário de uma viatura que não respeite os limites impostos tem de deixar o veículo fora do perímetro definido pela Câmara Municipal de Madrid em parques de estacionamento públicos.

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