13/11/19
 
 
Debate. Costa entre a “guerrilha” da direita e a obediência ao défice à esquerda

Debate. Costa entre a “guerrilha” da direita e a obediência ao défice à esquerda

Mafalda Gomes Cristina Rita 12/12/2018 16:08

PSD e CDS atacaram Costa na saúde. O BE pediu menos preocupação com o défice e o PCP criticou leis laborais

O último debate quinzenal ficou marcado pelo ataque cerrado do PSD e do CDS perante a contestação social das últimas semanas, com sucessivos agendamentos de greves. A saúde foi o tema principal, com a greve dos enfermeiros a marcar o momento mais tenso, protagonizado pelo líder da bancada do PSD, Fernando Negrão, e o primeiro-ministro, António Costa. A forma como a direita levou os temas a debate levou mesmo a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, a afirmar que estava “espantada” com os dois partidos que compõem a maioria na oposição, ao surgirem como “os porta-vozes das reivindicações sindicais”. O debate já ia a meio quando Costa considerou que a direita usou o “combate de guerrilha” porque não tem alternativa à solução de esquerda.

A primeira força política a abrir o debate foi o CDS. Assunção Cristas, líder do partido, chamou a António Costa “contador de histórias” e lembrou que “se está tudo bem [no país], por que razão tantos se queixam?”.

Mas a intervenção mais tensa foi a de Fernando Negrão, líder da bancada do PSD, ao exigir saber os números oficiais do adiamento de cirurgias com as greves dos enfermeiros. Costa respondeu que Negrão estava a “fazer de porta-voz da bastonária da Ordem dos Enfermeiros”, Ana Rita Cavaco. A frase do chefe do governo levou a bancada do PSD a protestar, com pateadas. E Negrão acusou Costa de “não ter respeito nenhum pelos sindicatos e pelas ordens” e de “destruir o Serviço Nacional de Saúde”.

Já o primeiro-ministro avisou que “não é aceitável” que se faça greve com cirurgias programadas e que “ninguém pode morrer porque há o exercício de direito à greve”. As estimativas do executivo apontam para cerca de 5 mil cirurgias adiadas, mas acredita que será possível reprogramá-las até ao final de março.

O CDS ainda levou a debate o caso das indemnizações das vítimas de Borba, que morreram depois do desabamento de uma estrada municipal junto a uma pedreira. Costa lembrou que “o presidente da câmara [de Borba] conhecia há bastante tempo aquela matéria”. E insistiu que haverá espaço a indemnizações se se comprovar a responsabilidade do Estado.

Cristas não perdoou: “O senhor primeiro-ministro não aprendeu nada nestes anos.”

À esquerda, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou que há “muita despesa que não tem sido executada” e que o executivo foi além das metas do Tratado Orçamental, preocupado com o défice. Mais, o BE lembrou que negociar “não é empatar” e pediu prazos para solucionar vários processos de progressões de carreiras no setor público, a “sombra” da legislatura. Também Heloísa Apolónia, do PEV, defendeu que o governo é “mais papista que o papa” no que toca ao défice. Numa das respostas do primeiro-ministro, Costa sintetizou a sua estratégia: “Não podemos ir além do limite, sob pena de que o PSD e o CDS se fiquem a rir de nós e a dizer que tinham razão.” Na ótica do governo, o limite é o equilíbrio das contas públicas e o pagamento da dívida ao FMI para libertar recursos para o investimento. Estes argumentos foram usados na fase final da discussão, quando Costa foi confrontado com o estado das ligações fluviais do Cais do Sodré para a Margem Sul.

Por seu turno, Jerónimo de Sousa voltou a desafiar o primeiro-ministro para aumentar o salário mínimo para os 650 euros em 2019. Jerónimo de Sousa defendeu que o governo deveria “retirar a proposta” do acordo laboral, acusando o governo de usar o PSD “para andar para trás” neste setor. Costa lamentou não ter o apoio do PCP para a proposta.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×