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Negócios. Chineses são dos maiores investidores externos em Portugal

Negócios. Chineses são dos maiores investidores externos em Portugal

Raquel Wise Sónia Peres Pinto 05/12/2018 21:52

Energia e banca, passando pelas seguradoras, aviação e saúde, são algumas das áreas de negócio que têm atraído os investidores chineses ao nosso país. O maior peso foi à boleia das privatizações, durante o período da troika. Com milhares de milhões de euros aplicados em Portugal, a aposta não ficará por aqui, já que são visíveis manifestações de interesse na compra das mais diversas atividades, quer na totalidade, quer de forma parcial

O investimento chinês em Portugal tem vindo a ser reforçado nos últimos anos. Os setores da energia, banca, seguros e saúde estão em destaque, mas as apostas não ficam por aqui. E, à boleia das privatizações, durante o período da troika, as empresas chinesas reforçaram a sua presença no mercado nacional e já surgem como um dos principais investidores externos no país, com milhares de milhões de euros aplicados. 

Energia

A privatização da EDP foi a primeira paragem de uma viagem que já vai longa no que diz respeito às relações comerciais entre Portugal e a China. A venda à China Three Gorges foi feita no início do mandato do anterior governo e no arranque do programa da troika, quando a perceção de país resgatado se impunha nos mercados financeiros. Nessa altura, a gigante chinesa pagou 2690 milhões de euros por 21,35% do capital da elétrica nacional, mas ao longo dos anos foi reforçando a sua posição e quer mais. Já este ano lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital da EDP e da EDP Renováveis. Os chineses oferecem um máximo de 10 mil milhões de euros. A operação continua, mas enfrenta vários obstáculos, nomeadamente a autorização de 16 entidades diferentes de vários países, sendo dado como certo o insucesso da OPA. 

A par da EDP, também a REN chamou a atenção dos investidores chineses. Em fevereiro de 2012 foi a vez da venda da REN, com os chineses da State Grid a ficarem com 25% do capital, pagando 387 milhões de euros pela posição na empresa gestora das redes energéticas nacionais.

Seguros

A estreia dos chineses da Fosun em Portugal foi feita através do mercado segurador. A empresa pagou mil milhões de euros por 30% do mercado segurador português (Fidelidade e Multicare), mas o encaixe total ascendeu a quase 1209 milhões de euros, em resultado da distribuição prévia de dividendos de 208,9 milhões de euros.

Esta venda representou a terceira privatização realizada pelo executivo liderado por Pedro Passos Coelho. E na base desta decisão esteve o facto de os chineses se mostrarem mais flexíveis para serem parceiros da CGD na Caixa Seguros, dado que o banco público português se mantém, com uma posição de 15%, no capital da holding dominada pela Fosun. Aliás, uma das imposições do contrato que esteve a ser negociado dava ao adquirente da Caixa Seguros (e ao vendedor, a CGD) exclusividade mútua, por 25 anos, na comercialização dos produtos da Fidelidade, aos balcões do banco estatal. A Fosun prometeu também que o grupo chinês iria expandir as operações da Caixa Seguros na China e noutros mercados asiáticos.

Saúde

O setor da saúde foi o segundo passo de reforço do grupo Fosun em Portugal ao adquirir o grupo Espírito Santo Saúde - do qual o Hospital da Luz é um dos principais cartões-de-visita. A marca ES Saúde chegou ao fim com o processo de venda à Fidelidade e passou a designar-se Luz Saúde.

A seguradora detida pela chinesa Fosun comprou 96% da empresa na sequência da oferta pública de aquisição que lançou à dona do Hospital da Luz. Com este negócio, a seguradora pretendia ter uma visão mais integrada, mais global dos clientes e, ao mesmo tempo, alargar as soluções, pois detinha a Multicare e isso iria permitir aumentar o número de clientes abrangidos.

Por outro lado, aumentava as expetativas do grupo ao criar condições para competir noutros mercados e noutras geografias.

Banca

A banca portuguesa é, sem dúvida, um dos setores considerados estratégicos para os empresários chineses. O pontapé de saída foi dado com a compra do BESI, banco de investimento do universo Espírito Santo, por parte da Haitong, por 379 milhões de euros. O banco passou a designar-se Haitong Bank. A aposta no mercado português serviu como porta de entrada no mercado europeu, onde o grupo não escondeu as ambições. Com a aquisição do BESI, a Haitong entrou na Europa e na América. 

Mais tarde foi a vez do BCP. E novamente pelas mãos da Fosun: o grupo pagou 175 milhões de euros por 16,7% do capital da instituição financeira. A operação foi concretizada através de um aumento de capital. Já este ano, reforçou a sua posição para 27%, tornando--se o maior acionista do banco, mas tem autorização por parte do Banco Central Europeu (BCE) para atingir os 30%. 

Aviação

A chinesa HNA, a maior companhia aérea privada chinesa e acionista da companhia aérea Azul, detém uma percentagem da TAP através do consórcio Atlantic Gateway. Este último é controlado pelo empresário David Neeleman. No ano passado, a TAP anunciou um acordo de partilha de voos com o grupo HNA, para fazer a primeira ligação direta entre a China e Portugal, à semelhança do que faz com três dezenas de outras companhias.

Tecnologia

O setor da tecnologia também não escapa aos chineses. Em 2012, a Huawei abriu um centro tecnológico em Lisboa, com um investimento de cerca de 10 milhões de euros. A aposta foi ainda reforçada com um centro de inovação e experimentação de produtos.

Imobiliário

Os chineses lideram o investimento através dos vistos gold. Lançado em 2012, o programa de Autorizações de Residência para Atividade de Investimento angariou, desde o início, um total de mais de 4 mil milhões de euros, na maioria através da compra de imóveis. Estes representam cerca de 3,7 mil milhões de euros e o investimento com origem na China atingiu quase os 2,3 mil milhões de euros.
 

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