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Rússia recusa tese de que mísseis e diz que são os EUA a pôr em causa tratado

Rússia recusa tese de que mísseis e diz que são os EUA a pôr em causa tratado

AFP Ricardo Cabral Fernandes 05/12/2018 20:41

O presidente russo, Vladimir Putin, diz que se os EUA desenvolverem os mísseis até agora proibidos, Moscovo fará o mesmo. Há o risco de uma corrida ao armamento

Depois de nos últimos dias, os EUA terem voltado a acusar Moscovo de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio, a Rússia reagiu ontem recusando possuir mísseis proibidos. Moscovo anunciou ainda que, caso os EUA abandonem o tratado, haverá uma resposta à altura. Recorde-se que Washington colocou essa hipótese, mas apenas no caso de a Rússia manter uma postura de desrespeito pelo acordo assinado em 1987. 

“Aparentemente, os nossos parceiros norte-americanos acreditam que a situação mudou tão drasticamente que os Estados Unidos também deveriam ter essas armas”, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin, numa declaração televisiva, garantindo de seguida que fará o mesmo: “Que resposta dará o nosso lado? Uma simples: faremos o mesmo.” 

Assim, se Washington decidir mesmo abandonar o tratado, como o conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, já defendeu publicamente, poder-se-á assistir a uma corrida ao armamento semelhante à que se viveu durante a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética. 

Na terça-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO apelaram a Moscovo para que cumpra o estipulado no tratado, assinado em 1987 entre o então presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbatchov. “Pedimos à Rússia que volte urgentemente ao cumprimento total e verificável [do tratado]. Agora, depende da Rússia preservá-lo”, pode ler-se numa declaração conjunta dos líderes das diplomacias dos Estados-membros da organização transatlântica. E enquanto as baterias se focaram na Rússia - com acusações de ter desenvolvido e utilizado sistemas de mísseis 9M729, que violam o tratado e “representam um risco significativo para a segurança euro-atlântica” -, os Estados Unidos foram elogiados por terem cumprido as obrigações do tratado “desde que este entrou em vigor”.

Com o apoio expresso dos seus aliados, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou que os EUA irão suspender as suas obrigações derivadas do tratado nos próximos 60 dias se a Rússia não o respeitar. “Não faz sentido os EUA manterem-se num tratado que constrange a nossa capacidade de responder às violações da Rússia”, afirmou Pompeo depois da reunião da NATO, em Bruxelas. O anúncio do secretário de Estado vem assim confirmar as intenções de Trump de retirar Washington do acordo internacional, caso a Rússia não adote outra posição.

Entretanto, Bolton já ordenou ao Pentágono que comece a “de-senvolver e a destacar mísseis terra-ar na data mais próxima possível”, segundo um memorando a que o “Washington Post” teve acesso. 

Moscovo nega as acusações dos EUA e acusa a administração Trump de inventar violações para poder abandonar o acordo. Na narrativa russa, Washington pretende abandonar o tratado, atribuindo responsabilidades a Moscovo, para poder desenvolver as armas até agora proibidas e assim contrariar o rearmamento da China e a sua ascensão no sistema internacional. Pequim não assinou o documento, não estando coibida de desenvolver mísseis de curto e médio alcance - situação que desagrada aos decisores políticos norte-americanos. 

Moscovo também não está satisfeita com o destacamento do sistema de defesa de antimísseis Aegis para a Roménia e a Polónia, ação que diz violar o tratado assinado em 1987. Ainda que seja defensivo, o sistema, avisam os russos, pode ser facilmente adaptado para possuir capacidades ofensivas.

A tensão entre os dois lados sobe num momento em que as fricções entre a Ucrânia e a Rússia subiram de tom, nas últimas semanas, por causa da interceção de três navios de guerra ucranianos e da detenção de 24 marinheiros. Moscovo enviou, segundo a NATO, um navio com capacidade ofensiva nuclear para Kaliningrado e, ontem, destacou um navio antimísseis para a Crimeia. 

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