16/12/18
 
 
Carlos Zorrinho 05/12/2018
Carlos Zorrinho
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Um mundo fraco e sem ideias fortes

O crescente aumento das desigualdades constitui-se como o mais poderoso combustível do populismo que vai grassando por todo o planeta, ameaçando a democracia e o Estado de direito

O mundo em que vivemos está a ser envenenado. Envenenado ambientalmente e politicamente. No ambiente foram divulgadas no dia 27 de novembro, em Bruxelas, pela Agência Internacional de Energia, as previsões para 2040 no plano das emissões globais e evolução dos mercados da energia. O cenário não é tranquilizador. A previsão indica que os esforços feitos pela União Europeia (UE) não serão suficientes para compensar o aumento de emissões que decorrerá das projeções de crescimento na Ásia. É necessário mudar o paradigma e aplicar políticas globais e disruptivas. Em 28 de novembro, a Comissão Europeia divulgou e debateu no Parlamento Europeu a comunicação “Um planeta limpo para todos – Estratégia a longo prazo relativa à redução das emissões de gases com efeito de estufa da UE em conformidade com o Acordo de Paris”. A União Europeia tem as ferramentas conceptuais e vai começando a ter o quadro legislativo para fazer a sua parte, mas é preciso contaminar com essa estratégia os outros parceiros globais e acelerar a implementação.

No plano político, o crescente aumento das desigualdades constitui-se como o mais poderoso combustível do populismo que vai grassando por todo o planeta, ameaçando a democracia e o Estado de direito. Também em 27 de novembro foi divulgado em Bruxelas pela comissão independente para a Igualdade Sustentável, presidida pelo ex-primeiro-ministro dinamarquês Poul Nyrup Rasmussen, o relatório “Bem-estar para todos numa Europa sustentável 2019-2024”, propondo dez linhas de ação para uma mudança política capaz de reganhar os cidadãos e a política europeia para os valores e os princípios que animaram o seu progresso até à crise financeira do final da primeira década deste século.

Este relatório será debatido em Lisboa no próximo dia 7 de dezembro, numa ação conjunta do Grupo dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu e da Progressive Society. Evidencio seguidamente algumas das suas linhas-força, como base de uma resposta integrada à crise de ideias que tem carcomido as famílias políticas pró-europeias.

A proposta combina um reforço da capacidade regulatória e fiscalizadora sobre o livre funcionamento dos mercados, incluindo a criação de uma agência europeia de regulação dos mercados financeiros, o apoio ao reforço das instituições da sociedade civil, um plano de ação para a redução da pobreza, a aplicação do pilar social da União Europeia, a aplicação de um programa para redução efetiva das disparidades de rendimentos e salários, a aposta na convergência e na coesão no desenvolvimento dos vários territórios e regiões, a concretização de transições digitais e energéticas inclusivas, a aplicação de estratégias de minimização dos impactos das alterações climáticas e dos níveis de poluição e a garantia de novas formas de equidade fiscal no quadro de um novo pacto para a governação, que implicará níveis acrescidos de participação e transparência.

As ideias convergem cada vez mais para a necessidade de uma viragem no sentido da igualdade sustentável. Em contraponto, os povos divergem e abraçam crescentemente propostas populistas e sem outra estratégia que não a tomada incondicional do poder. São precisas ideias com capacidade de mobilizar os povos.

 

Eurodeputado

 

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